
Talvez muitos espectadores que viram e gostaram (ou simplesmente ouviram falar) do filme "The Hurt Locker" (que recebeu um título em português demasiado infeliz para ser verdade - "Estado de Guerra"), desconheçam que a realizadora, Kathryn Bigelow, é já uma cineasta veterana (o seu primeiro filme é de 1982). Com uma filmografia curta, mas muito, mesmo muito digna, a cineasta não se distingue, curiosamente, por um olhar feminino sobre a realidade humana. Bem pelo contrário, os protagonistas dos seus filmes são normalmente homens em situações-limite. "Point Break" (1991) e "Strange Days" (1995) são, definitivamente, os dois melhores filmes de acção dos anos 90 e trazem a assinatura daquela movie maker.
Kathryn Bigelow é a cineasta do momento. Vencedora dos prémios BAFTA 2010 nas principais categorias (incluindo melhor filme e melhor realizadora), prepara-se para ser a grande surpresa da noite dos Óscares, sobretudo se tivermos em conta que "The Hurt Locker" é uma longa-metragem de baixo orçamento, o que a ter em conta o outro favorito - a obra-prima "Avatar", de James Cameron -, a cerimónia será uma espécie de David contra Golias. Não direi que o filme de Bigelow seja melhor que o de Cameron, mas é uma obra filmada com um elevado sentido de mise-en-scène e extremamente actual.
Reflexão em torno da guerra enquanto acto irracional mas - e talvez por isso - viciante, como uma droga, "The Hurt Locker" tem a Guerra do Iraque como pano de fundo. Ora, tema tão delicado e polémico não existe na história americana do século XXI, sendo, aliás, uma autêntica pedra no sapato para a admnistração Obama. E isto pode jogar a favor ou contra o filme, dependo dos lobbies que dominem a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e da perspectiva com que se encare a película.
Trailer de "The Hurt Locker", de Kathryn Bigelow
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