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quarta-feira, 11 de agosto de 2021

"Barbara" (2017), de Mathieu Almaric - Uma artista inescrutável

Barbara foi uma influente cantora e compositora francesa, cuja vida tumultuosa e inconstância emocional sempre se refletiram nas suas intensas, profundas e introspetivas baladas. Uma incontestável rainha da chanson française que inspirou Mathieu Almaric a criar uma obra cinematográfica com bastas camadas que espelham uma icónica mas, na realidade, inescrutável Barbara.

O filme é brilhante, afirmando Almaric como um cineasta com um olhar pessoalíssimo sobre as personagens e os seus conflitos interiores.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

"Feliz dia para morrer" - híbrido inútil de Christopher Landon


Há filmes assim, fabricados aparentemente sem propósito e sem rumo definido. Sim, porque se a finalidade de Feliz dia para morrer for entreter a baixo custo e enriquecer os seus investidores, a fita não parece sequer cumprir tais metas (embora os resultados no box office tenham revelado o oposto).

Trata-se de um produto híbrido - ora parece filme de terror, ora parece thriller e, por vezes, não se quer levar a sério (o que não seria mau) fingindo ser comédia (e a escatologia mais reles também passa por aqui).

E, no final, era apenas uma variação inútil do clássico de Harold Ramis, O feitiço do tempo.

P.S.: Escrevi este breve texto em 2018 e, entretanto, o filme em análise foi objeto de uma sequela assinada pelo mesmo realizador e com a mesma protagonista. Trata-se de um daqueles casos em que a réplica (desta vez a brincar com o clássico de Robert Zemeckis, Regresso ao futuro II) é bem melhor do que o modelo original, sendo um digno objeto de puro entretenimento.

domingo, 19 de abril de 2020

"O guarda-costas e o assassino" - reciclagem exemplar de códigos de género


Patrick Hughes recupera da melhor forma os códigos do buddy movie, que teve nos anos 80 do século passado, o seu melhor e mais produtivo filão. Assim, de repente, recordo películas exemplares do paradigma: 48 horas (Walter Hill, 1982), Fuga à meia-noite (Martin Brest, 1988) e Arma mortífera (Richard Donner, 1986).

A química entre Ryan Reynolds (o guarda-costas) e Samuel L. Jackson (o assassino) funciona em pleno e os flashbacks são gloriosos.

Um excelente entretenimento, portanto.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

"Thor: Ragnarok" - sangue novo de Taika Waititi

Quando já pensávamos que dos filmes da Marvel nada de novo poderíamos esperar, Taika Waititi troca-nos as voltas e insufla sangue novo na série Thor.

Neste último episódio, o entretenimento é garantido num argumento simples, mas original, e graças a uma realização com personalidade.

Thor é preso noutro lado do universo sem o seu martelo poderoso e vê-se numa corrida contra o tempo para regressar a Asgard e impedir o Ragnarok - a destruição do seu planeta e o fim da civilização asgardiana, agora nas mãos de uma nova ameaça, a implacável Hela, irmã de Thor.

O filme é tão sério e profundo quanto isso. Mas é, em boa verdade, um objeto honesto que só pretende divertir e, nesse sentido, cumpre plenamente os seus objetivos.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

"Annabelle 2: a criação do mal" - filme de terror exemplar


David F. Sandberg assina mais uma prequela da saga iniciada pelo mestre James Wan, conseguindo a proeza de absorver e aplicar o livro de estilo dos filmes de terror sem ser redundante ou aborrecido. A realização é, de facto, exemplar e com pormenores que evidenciam mão de mestre.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

"Como Cães Selvagens" - Schrader, o resistente

Paul Schrader é, sobretudo, reconhecido como argumentista de alguns dos filmes mais icónicos de Martin Scorsese (Taxi Driver, O Touro Enraivecido, A Última Tentação de Cristo e Por Um Fio), embora, em boa verdade, tenha mantido uma das carreiras mais regulares (e singulares!) do cinema independente norte-americano dos últimos 40 anos. Para citar apenas dois exemplos, foi ele quem realizou American Gigolo (1980) e A Felina (1982).

Como Cães Selvagens é o seu penúltimo filme (até à data) e nele volta a trabalhar com dois dos seus atores-fetiche: Nicolas Cage e Willem Dafoe, que aqui desempenham os papéis de Troy e Mad Dog, dois ex-presidiários que, unindo esforços com um terceiro compincha, de nome Diesel (um fabuloso Christopher Matthew Cook), decidem aceitar um último contrato de um mafioso (interpretado pelo próprio Schrader), esperando desse modo mudar as suas vidas e abandonar o mundo do crime. Mas nada corre da forma esperada e a tragédia abate-se sobre os três criminosos. Ou não fosse esta uma obra de Schrader.

Como Cães Selvagens é uma comédia nigérrima, que adapta uma novela de Edward Bunker (ele próprio com um historial de crimes e prisões) e que se assume como uma divertida homenagem ao grande Humphrey Bogart, ator clássico que, no seu tempo, também desempenhou papéis de pequenos criminosos caídos em desgraça.

Não é um dos melhores filmes de Paul Schrader, mas regista, ainda assim, as suas principais marcas autorais. O que significa que quem escolher ver esta fita sem saber ao que vai (por exemplo, achando que é mais um filme de ação com Nicolas Cage) ficará desorientado e dececionado. Salvo as devidas diferenças, é como assistir, por acaso, a películas de David Lynch ou Terry Gilliam.

domingo, 5 de agosto de 2018

"Valerian e a Cidade dos Mil Planetas" - Luc Besson na sua praia

Publicada entre 1967 e 2010, a célebre banda desenhada (BD) francesa Valérian e Laureline foi um dos elementos-chave que esteve na génese de A Guerra das Estrelas, o episódio IV (mas cronologicamente a primeira produção da icónica série de George Lucas) realizado em 1977. 

Luc Besson, desde a infância fã da referida BD e cineasta que ostenta os melhores pergaminhos na área do cinema do cinema de ficção científica (são dele as fitas O Último Combate, O 5º Elemento e Lucy), transpôs agora para a tela a adaptação mais fiel de Valérian e Laureline naquele que ficará como o melhor filme de entretenimento do verão de 2017 - Valerian e a Cidade dos Mil Planetas.

Com Dane DeHaan e a belíssima Cara Delevigne nos papéis principais (eles são, precisamente, Valerian e Laureline, agentes espaciais que procuram manter a paz entre os mundos dos humanos e de civilizações extraterrestres, que embarcam numa missão para proteger a diversa metrópole Alpha), que outro cineasta conseguiria reunir no mesmo filme um elenco constituído por nomes como Ethan Hawke, Rutger Hauer, Herbie Hancock, Clive Owen, Mathieu Kassovitz, John Goodman e até Rhianna? Se mais não bastasse, eis a prova do prestígio internacional do realizador gaulês, indubitavelmente um autor de culto.

domingo, 29 de julho de 2018

"Miles Ahead" - Miles forever

Don Cheadle, com certeza por devoção à obra de Miles Davis (mas só os insensíveis é que não o são!), quis transpor para o grande ecrã a sua própria visão acerca do maior trompetista do século XX (e, provavelmente, o músico mais influente dos últimos cem anos). O resultado é Miles Ahead, um singular filme realizado por aquele ator, que aqui também assume o papel principal, apanhando a voz, a figura e os trejeitos do autor de Kind of Blue.

A premissa do argumento é original: na década de 70, um jornalista freelancer interrompe o afastamento autoimposto de Miles Davis das luzes da ribalta (vistos hoje como anos de letargia e bloqueio criativo), invadindo a sua casa sob o pretexto de conseguir entrevistar o músico de jazz acerca de rumores que anunciavam o seu regresso à cena artística. A partir daqui, somos confrontados com uma série de mal-entendidos que envolvem uma suposta gravação em estúdio de temas inéditos do músico, que vive agora dependente de drogas e acorrentado a memórias do passado, nomeadamente à lembrança da mulher que amou e se tornou capa icónica de um dos seus álbuns - Frances Taylor, capa do disco Someday My Prince Will Come (1961).

A realização é dinâmica e o interesse principal de Don Cheadle parece ser mais o de fazer de Davis personagem de um drama do que em filmar um biopic. Nesse sentido, Miles Ahead está mais próximo de Love and Mercy, de Bill Pohlad (2015), do que de The Doors, de Oliver Stone (1991).

No final do filme apenas vemos a data de nascimento de Miles Davis, como se Cheadle nos quisesse dizer que a música de Miles Davis ficará para sempre.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

"A Roda Gigante" - (mais uma) obra-prima de Woody Allen

Regresso do velho Woody Allen à sua melhor forma, A Roda Gigante figurará, com certeza, entre os seus melhores filmes. Como sempre, Allen revela-se um mestre na arte de dirigir atores, levando-os ao limite das suas competências. Kate Winslet está em estado de graça (na pele de uma espécie de Blanche DuBois); Justin Timberlake nunca foi tão bom ator quanto aqui; e descobre-se um grande Jim Belushi. Menções honrosas também  para a fotografia de Vittorio Storaro e para o argumento do próprio Allen. Uma obra-prima.




quarta-feira, 18 de julho de 2018

"Star Trek: Além do Universo" - anódino entretenimento de Justin Lin

De Justin Lin provavelmente não se pedia mais do que continuar a olear o franchising de sucesso (sobretudo, nos EUA), Star Trek, que já fatura há cerca de seis décadas, mas o que se assistie em Star Trek: Além do Universo é um produto confrangedor, construído a partir de um argumento (co-assinado por Simon Pegg!) que em nada dignifica a mítica série de ficção.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

"Sing Street" - Regresso à adolescência

De vez em quando surge um filme assim, capaz de nos fazer regressar à adolescência de forma tão certeira. John Carney, que já nos tinha embalado em melancolia musical feita cinema (Once e Begin Again), volta a fazê-lo, agora sob a forma de saudade dos sonhos adolescentes, em Sing Street.

O filme tem a força de um virtual teletransporte, como se de uma máquina do tempo se tratasse. É certo que Sing Street tem as suas limitações, mormente no que concerne às personagens, que nunca são aprofundadas - embora suponha que tal esquematização seja intencional. O objetivo é mesmo conduzir-nos, desde o início, até 1985 e à adolescência urbana em Dublin.

Gostar deste filme é não nos esquecermos de que, de algum modo, nós, adultos, também já fomos aqueles adolescentes. Pessoalmente, assisti à película como se estivesse, de facto, em meados da década de 80, com a mesma idade que o protagonista, a mesma relação com a escola, os mesmos colegas e amigos, os mesmos pais ausentes, o mesmo irmão, a mesma miúda por quem estava apaixonado e os mesmos sonhos.

Depois, ainda há a música pop - verdadeira e assumida homenagem a bandas como Duran Duran, The Cure, a-ha, The Jam ou a músicos como Joe Jackson. O Top of the pops da TV britânica podia ser o nosso Top+. Excelente!


domingo, 15 de julho de 2018

"Alien: Covenant" - Dos deuses e dos homens

O 2º tomo da prequela da saga Alien vem de novo assinada pelo mestre Ridley Scott, afirmando-se como o episódio mais profundo da série ao refletir sobre o poder e os riscos da ciência.

Alien: Covenant começa de forma desconcertante, recuando aos preparativos para a expedição Prometheus (título do filme anterior) num diálogo de contorno metafísico travado entre o andróide David e o seu criador, Peter Weyland. Daqui, saltamos para a expedição da nave colonizadora, Covenant, no ano de 2104. O objetivo é chegar ao planeta Origae-6 e testar o seu potencial para a adaptação e sobrevivência da espécie humana. Mas uma transmissão de rádio intercetada num planeta próximo altera os planos da viagem e encaminha a tripulação para um destino trágico. 

Michael Fassbender é brilhante na ambiguidade a que remete o espectador ao fundir as duas personagens que interpreta de forma superlativa (os andróides David e Walter). Todavia, o trunfo do filme é mesmo a realização certeira de Ridley Scott, que nunca cede a efeitos fáceis (e tão constantes na cinematografia sci-fi hodierna), dando espaço ao desenvolvimento das personagens e tempo aos planos geometricamente desenhados.

Fica também a reflexão filosófica sobre o destino da espécie humana e a sua substituição por um Deus ex machina.

sábado, 12 de agosto de 2017

"Blackway" - o mal pelo mal


Blackway é uma delicada pérola herdeira dos melhores clássicos série B. Misto de thriller e road movie, traz a assinatura do sueco Daniel Alfredson, que aqui dirige pela segunda vez o grande Anthony Hopkins (lembram-se de O Rapto de Freddy Heineken?).  

A partir do romance Go With Me, de Castle Freeman Jr., Alfredson arquiteta uma espécie de geografia do mal, filmando as montanhas da Colúmbia Britânica como lugar inóspito e que quase impossibilita qualquer forma de redenção. Ray Liotta faz o que sabe fazer melhor (a encarnação do mal em si mesmo), Julia Stiles é a loira vítima de um mal para o qual procura solução, Alexander Ludwig é a possibilidade do bem, a luz num inverno perpétuo, e Anthony Hopkins o anjo redentor (sobretudo, em demanda da auto-redenção).

Blackway é cinema puro no meio de filmes-espetáculo. E é, talvez, a grande surpresa de mais um triste verão cinematográfico. 

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Cinema Fora do Sítio (2)


O filme Alien: Covenant, de Ridley Scott, é exibido hoje, às 22 horas, nos Jardins do Palácio de Cristal, no âmbito do Ciclo Cinema Fora do Sítio. 


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

"Dunkirk" - obra-prima de Cristopher Nolan

O cinema quer-se cru, puro, instintivo, visceral como, de resto, toda a arte. Christopher Nolan consegue com Dunkirk materializar essa visão depurada do cinema. Alguns críticos dirão que falta psicologia ao filme. Tal poderá ser sustentado pelo facto de Nolan colocar as personagens (soldados, oficiais do exército e da marinha, pilotos da RAF) em situação: a evacuação de 400 mil soldados Aliados encurralados nas praias de Dunquerque pelo exército alemão, na Primavera de 1940. 

O autor de Interstellar limita os diálogos ao mínimo indispensável, assumindo-os como apenas um (dos) alicerce(s) para a construção de um épico sobre sobrevivência, heroicidade, cobardia e altruísmo. E Nolan fá-lo direto ao osso, com uma mise-en-scène prodigiosa, naquele que será, indubitavelmente, um dos melhores filmes de 2017.

Vamos ver se a Academia de Hollywood premiará, finalmente, Chrisptopher Nolan com o Óscar de Melhor Realizador.

domingo, 7 de maio de 2017

"Fragmentado" - novo brinquedo de M. Night Shyamalan


Depois do divertidíssimo statement sobre a estética found footage, M. Night Shyamalan regressa com mais um exercício de estilo sob a égide do thriller. Fragmentado é, em boa verdade, um brinquedo hitchockiano sobre um doente que sofre de transtorno dissociativo de identidade. Estão lá todos os ingredientes que fizeram do realizador de O Sexto Sentido um cineasta de culto: argumento minucioso, diálogos certeiros, personagens que vão revelando um pouco mais de si em cada cena, o jogo de luz e sombras, um discreto sentido de humor e grandes interpretações (neste caso, o destaque vai claramente para James McAvoy, que parece divertir-se num papel que é um tremendo desafio para um ator).

Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...