De vez em quando surge um filme assim, capaz de nos fazer regressar à adolescência de forma tão certeira. John Carney, que já nos tinha embalado em melancolia musical feita cinema (Once e Begin Again), volta a fazê-lo, agora sob a forma de saudade dos sonhos adolescentes, em Sing Street.
O filme tem a força de um virtual teletransporte, como se de uma máquina do tempo se tratasse. É certo que Sing Street tem as suas limitações, mormente no que concerne às personagens, que nunca são aprofundadas - embora suponha que tal esquematização seja intencional. O objetivo é mesmo conduzir-nos, desde o início, até 1985 e à adolescência urbana em Dublin.
Gostar deste filme é não nos esquecermos de que, de algum modo, nós, adultos, também já fomos aqueles adolescentes. Pessoalmente, assisti à película como se estivesse, de facto, em meados da década de 80, com a mesma idade que o protagonista, a mesma relação com a escola, os mesmos colegas e amigos, os mesmos pais ausentes, o mesmo irmão, a mesma miúda por quem estava apaixonado e os mesmos sonhos.
Depois, ainda há a música pop - verdadeira e assumida homenagem a bandas como Duran Duran, The Cure, a-ha, The Jam ou a músicos como Joe Jackson. O Top of the pops da TV britânica podia ser o nosso Top+. Excelente!

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