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domingo, 30 de julho de 2017

"Um Presente do Passado" - um filme por todas as vítimas de bullying

Um Presente do Passado é uma película escrita, realizada e interpretada por Joel Edgerton, ator australiano que se tem destacado por atuações intensas em dramas épicos da última década (por exemplo, Warrior, de Gavin O'Connor, e Exodus: Deuses e Reis, de Ridley Scott).

Um Presente do Passado parece ter como propósito homenagear todas as vítimas de bullying na infância, encenando uma refinada vingança aos seus opressores. E quem são estes, hoje? Líderes, homens de negócios, respeitáveis chefes de família que, capciosamente, continuam a ascender no mundo do trabalho, instrumentalizando, humilhando e afastando outros do seu caminho. Edgerton parece querer sentenciar que uma vez bully, para sempre bully.

E que fita Edgerton assina! Câmara discreta, mas sempre no lugar certo e com o movimento adequado, o thriller insinua-se no limiar da implosão e jamais se sobrepõe ao drama familiar. É essa sugestão, que nunca se impõe, que dá a Um Presente do Passado um toque de classe (quase) à altura do cinema de Sidney Lumet ou Joseph Ruben. Se Edgerton é também um cineasta a ter em conta, essa é a possibilidade que este objeto deixa em aberto.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

"Blackhat: Ameaça na Rede" - o lado negro da internet, por Michael Mann


Já estreou no início de 2015 e foi ignorado na cerimónia dos Óscares desse ano. Só agora vi o filme e fiquei impressionado: trata-se de um verdadeiro regresso de Michael Mann à sua melhor forma, a de um cineasta urbano empenhado na sua singular visão de cinema.

"Blackhat: Ameaça na Rede" é, na sua aparência, um filme de ação puro e duro, mas é, na sua essência, um drama político em torno do poder da internet sobre as agências secretas das maiores potências mundiais. Os mercados podem ser manipulados com relativa facilidade por hackers, centrais nucleares são potenciais alvos de programadores e piratas informáticos mal intencionados, e programas de desencriptação de ficheiros podem não ser usados por razões de espionagem e por motivos políticos, mesmo que em causa estejam milhares de vidas humanas.

E, depois, há aquela estética tão única, desde a fotografia até aos movimentos de câmara, passando pela bruma trágica que enleva as personagens. Uma obra-prima à altura de "Caçada ao Amanhecer" (1986) e "Heat - Cidade Sob Pressão" (1995).


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

"Crimson Peak: A Colina Vermelha" - um autor chamado Guillermo del Toro


Crimson Peak é um filme lindíssimo, um autêntico tratado de amor ao cinema. Plasticamente sublime, só é comparável ao que Coppola fez com Drácula de Bram Stoker. É, sobretudo, admirável se tivermos em conta que estamos perante o cineasta que nos trouxe o inane Batalha no Pacífico. Claro que no seu currículo, del Toro traz o brilhante O Labirinto do Fauno, pelo que, a partir de agora, há dois filmes incontornáveis deste autor.

Na Inglaterra do século XIX, uma jovem encontra inspiração em Mary Shelley para tentar a sua sorte como escritora de contos fantásticos. Entretanto, apaixona-se por um misterioso nobre, que a seduz ao mostrar-se interessado nos seus esquissos. Contra a vontade do seu pai (que é vítima de um bárbaro assassínio), a jovem casa com o barão, mudando-se para uma mansão vitoriana em ruínas, situada numa região montanhosa no norte do país. Todavia, o seu novo lar abriga fantasmas e entidades malignas que escondem um segredo terrífico.

Do ponto de vista estético, há planos que trazem à memória clássicos como E Tudo o Vento Levou, de Victor Fleming, imagens comparáveis a obras-primas da pintura, e diálogos ao nível da grande literatura romântica. Indubitavelmente, um dos melhores filmes de 2015. 


sábado, 8 de outubro de 2016

"Os Jogos da Fome: A Revolta - Parte 1" - tédio em imagens em movimento


As sagas de ficção científica para público adolescente estão, definitivamente, na moda. Os Jogos da Fome adaptam para o grande ecrã a série de livros assinados por Suzanne Collins, mais uma escritora bafejada pela sorte de um contrato milionário com os estúdios de Hollywood, juntando-se a J.K. Rowling e George R.R. Martin.

Quanto ao 3º tomo da saga, está dividido em duas partes (efeito Harry Potter?) e consegue ser (ainda) mais aborrecido que o anterior, valendo, sobretudo, pela prestação sempre empenhada de Jennifer Lawrence. Um filme sobre uma distopia, que se tornou, ele próprio, distópico.


domingo, 17 de julho de 2016

"No Coração do Mar" - "Moby Dick" por um artesão

Herman Melville (1819-1891) é, para muitos, o grande romancista épico norte-americano, sendo Moby Dick o exemplo maior da sua perícia como escritor. Ron Howard é um artesão do cinema, com uma carreira que, há semelhança de cineastas da primeira metade do século XX, será, no futuro, seguramente revalorizado e a sua filmografia objeto de revisão e reavaliação.

No Coração do Mar é, precisamente, a reconstituição da tragédia do navio Essex, que terá estado na génese do romance Moby Dick. É um filme sobre a caça à baleia, versando sobre a relação entre o homem e a natureza, num tour de force sem ousadias estilísticas, direto ao osso, portanto.

Foi um objeto ignorado na última cerimónia dos Óscares, dada a sua natureza artisticamente despretensiosa, filmada com o rigor de um artesão. Será, com certeza, daqui a 20 anos um clássico da sétima arte. Não é uma obra-prima, na medida em que há personagens secundários que não são suficientemente explorados, mas não era essa também uma característica de obras de realizadores como William Dieterle ou William A. Wellman?

quinta-feira, 30 de junho de 2016

"007 Spectre" - (mais) um James Bond gélido


Quinto 007 interpretado por Daniel Craig. Segundo filme da série sob o olhar pretensamente negro e denso de Sam Mendes. Tentativa de recapitalização da humanização do agente secreto operada em Skyfall.


O problema é que Daniel Craig, no seu corpo danone, nunca nos convence de que é um agente ao serviço de sua majestade; sob o seu olhar gélido, a intimidade nunca chega à alma, ficando apenas à flor da pele. Como diz o meu filho, Craig parece-se demasiado com o estereótipo de um elemento da máfia russa.

Por sua vez, Sam Mendes anda a ganhar a vida. Faz bem. Por si, mas não pela sétima arte.


"Star Wars: O Despertar da Força" - homenagem George Lucas, por J. J. Abrams


O episódio VII da saga Star Wars traz a assinatura de J. J. Abrams, cineasta herdeiro de Spielberg e Lucas. Escolha óbvia e acertada, portanto.


O filme foi fabricado nos estúdios da Disney e recupera o espírito aventureiro, romântico e despretensioso do primeiro tomo da série (na verdade, o episódio IV), dirigido em 1977 por George Lucas.

É comovente assistir ao reencontro entre Han Solo (Harrison Ford) e a Princesa Leia (Carrie Fisher), que torna também este novo opus numa rara oportunidade para apreciar um breve tratado sobre o tempo, made in Hollywood.


terça-feira, 28 de junho de 2016

"A Ponte dos Espiões" - a Guerra Fria, por Steven Spielberg


Há cineastas que aprendem a reforçar o seu estatuto de clássicos à medida que os anos passam. Steven Spielberg talvez seja o mais sublime e coerente da geração dos movie brats, o clássico dos clássicos, o verdadeiro herdeiro de John Ford (Lincoln, O Cavalo de Ferro), Howard Hawks (Sempre, O Resgate do Soldado Ryan), King Vidor (A Cor Púrpura, Terminal de Aeroporto) ou Vincente Minnelli (ET, Hook).

Veja-se A Ponte dos Espiões, drama profundamente humano em tempos de Guerra Fria, com o Muro de Berlim a ser edificado, para se constatar a discreta mestria de um cineastia que preza cada vez mais os silêncios e os atores. Tom Hanks torna-se o mais spilbergiano dos atores: um homem bom a fintar os determinismos da História. Uma obra-prima.


segunda-feira, 27 de junho de 2016

"As Sufragistas" - de Sarah Gavron

Filme digno em torno da luta das mulheres pelo direito ao voto, no início do século XX. Realização segura de Sarah Gavron e interpretação superlativa de Carey Mulligan. Não ganhou o Oscar de melhor atriz, nem sequer esteve nomeada, mas merecia.


sábado, 9 de janeiro de 2016

"Homem Irracional" - a impossibilidade da ética

Um professor de Filosofia a deambular por entre as malhas do existencialismo, encontrando apenas o vazio no absurdo da existência, descobre novo alento na perspetiva de um crime que o posiciona para além do bem e do mal, qual Nietzsche renascido para a tentativa de se tornar super-homem.

Podemos sintetizar assim o argumento do novo filme de câmara de Woody Allen. Muito se tem questionado acerca da (in)utilidade de alguma da filmografia mais recente do autor nova-iorquino, parecendo até que algum prazer há em desvalorizar e zurzir películas como Homem Iracional. No entanto, compare-se esta obra com a maioria das fitas-pipoca que têm invadido as salas de cinema nos últimos vinte anos; compare-se também com outros filmes de Allen (A Maldição do Escorpião de Jade, Vigaristas de Bairro, Vicky Cristina Barcelona ou Magia ao Luar); de seguida, analise-se Homem Irracional como pièce de résistance singular na obra de um artista cuja curadoria e conservação dificilmente encontrará, um dia, alguém à altura.

Está lá o jazz (insistência em The in-crowd), o protagonista deprimido (Joaquin Phoenix num registo inusual no universo de Allen), a jovem idealista (reencontro de Allen com Emma Stone), a caução literária (Dostoievski, pois claro!) e a reflexão ética (com direito a aulas de Filosofia e tudo!). Com olhar sábio e mão de mestre. Um dos grandes filmes do outono passado.


sábado, 26 de dezembro de 2015

"A Visita" - o regresso de um autor

Saúda-se o regresso de M. Night Shyamalan ao Cinema (assim mesmo, com C maiúsculo). A Visita é um clássico instantâneo: comédia de terror, o (in)esperado twist final impede A Visita de poder ser um filme para toda a família. Ainda bem, uma vez que a aparente simplicidade da narrativa e a ausência de efeitos especiais constituem marcas maiores de um autor que nos trouxe obras tão memoráveis quanto O Sexto Sentido, O Protegido, Sinais, A Vila e O Acontecimento.

Filmado com a estética found footage, A Visita supera todas as obras com esse formato. É que Shyamalan confere a alma que falta aos produtos de outros aspirantes a cineasta. A fita em análise tem personagens e verdadeiros atores (ainda que sem vedetas).

Dois irmãos adolescentes vão passar alguns dias com os avós que nunca conheceram. Apesar do carinho com que são recebidos, os netos ficam perplexos quando lhes é dito que não podem sair do quarto depois das 21h30. Decididos a desvendar a razão de tal interdição, descobrem que os avós não são os velhinhos encantadores que pareciam à primeira vista.

A história, além de apontamentos autobiográficos (a personagem de Rebecca, a irmã mais velha, é quase um alter ego de Shyamalan), mantém as referências spielbergianas (a ausência incompreendida da figura paterna) que já havíamos visto em O Sexto Sentido, e consolida a reputação de M. Night Shyamalan como esteta e autor maior.


domingo, 8 de novembro de 2015

"Vai Seguir-te" - homenagem aos clássicos de terror, por David Robert Mitchell

Um dos grandes filmes do Ano da Graça de 2015 vem sob a forma de filme de terror. Assinado por uma jovem promessa, David Robert Mitchell, cineasta com mão segura e olhar firme, Vai Seguir-te é uma película com escola por trás - saltam à memória obras de John Carpenter (a banda sonora explicita essa referência), David Lynch (a adolescente loira de Veludo Azul), Stanley Kubrick (os travellings circulares e os corredores com as portas abertas) e Brian de Palma (os longos silêncios logo na primeira aparição da protagonista, a boiar na piscina e a mirar-se ao espelho).

A metáfora sexual (típica dos filmes do género) - no presente caso, de doenças sexualmente transmissíveis - é evidente: Jay, uma adolescente que vive nos cinzentos subúrbios de Detroit, é perseguida por uma maldição que lhe foi passada no banco de trás de um carro; trata-se, portanto, de uma maldição sexualmente transmissível, que ganha corpo na figura de um ser sobrenatural que só ela consegue ver, que regularmente muda de feições, que a persegue por todo o lado e que só vai parar quando a conseguir matar. 

Os enquadramentos aproximam-se da genialidade e a interpretação de Maika Monroe (à semelhança da intensa performance de Essie Davis em O Senhor Babadook, de Jennifer Kent) é extraordinária, comprovando que o cinema de terror pode ser um tour de force emocional para os atores.


sábado, 26 de setembro de 2015

"Missão Impossível - Nação Secreta" - revisão da matéria dada

Há vinte anos atrás, o mestre Brian De Palma entregava o seu olhar cinematográfico à série de culto Missão Impossível e, à semelhança do que fizera, na década de 80, a Os Intocáveis, criava um filme de ação novo. Hoje, essas duas obras são clássicos incontornáveis. Só é pena que Missão Impossível não tenha tido o mesmo destino que Os Intocáveis, isto é, que não se tenha ficado apenas por essa película, dando origem a quatro sequelas de outros tantos realizadores, mas nenhum - apesar das evidentes qualidades demonstradas em obras mais pessoais - conseguiu imprimir um olhar que transcendesse o mero entretenimento.

O quinto tomo da saga de Ethan Hunt vem assinado pelo argumentista do exercício de perceção que é Os Suspeitos de Costume, Christopher McQuarrie. A fita tem cenas de ação memoráveis (os três minutos debaixo de água, a perseguição de motas numa autoestrada de Marrocos), uma mulher fatal que - sinal dos tempos - tem a força de Stallone e a destreza de Bruce Lee e até uma aproximação à estética de Brian De Palma (a longa sequência na ópera de Viena). Mesmo assim, não há nada de novo por aqui. Nada que artisticamente distinga Missão Impossível - Nação Secreta dos filmes anteriores ou de um novo capítulo das aventuras de 007.




terça-feira, 15 de setembro de 2015

"Love and Mercy" - biopic reverencial de Bill Pohlad

Distanciando-se da colagem ao modelo de biopic enquanto género cinematográfico, Bill Pohlad assina em Love and Mercy um filme singular sobre Brian Wilson, a alma criativa dos Beach Boys.

Pohlad centra-se em dois períodos específicos da vida de Wilson: a gravação do clássico Pet Sounds, na década de 60, e a relação disfuncional de Wilson com o seu psicólogo e tutor, já na década de 80.

Paul Dano e John Cusack estão extraordinários nas interpretações que fazem de Brian Wilson nas duas décadas assinaladas. A realização de Pohlad é contida mas segura, apesar de nunca se desviar da reverência ao cantautor, preservando a imagem imaculada de génio criativo atormentado pela memória de uma figura paterna fria e manipuladora (relação que o realizador transfere para a incapacidade de Wilson se libertar, mais tarde, da dependência do psicólogo que viria também a controlar as suas finanças a até a sua vida privada). Contudo, para quem não for fã de Brian Wilson (e, sobretudo, dos Beach Boys), Love and Mercy não terá muito para oferecer.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

"A Supremacia dos Robots" - pequena Hollywood na Europa

Jon Wright parece querer imitar o tom e o estilo dos blockbusters norte-americanos (Spielberg e Michael Bay à cabeça), com um leve toque british em A Supremacia dos Robots. Mas o que poderia resultar num entretenimento interessante (talvez uma espécie de cruzamento entre George Orwell e Philip K. Dick) termina num filme desnorteado e com uma total ausência de pathos. Nem Ben Kingsley e Gillian Anderson se salvam. A evitar!

terça-feira, 1 de setembro de 2015

"Homem-Formiga" - um brinquedo de Peyton Reed

Há momentos interessantes, algum humor e uma certa estética retro no novo filme de Peyton Reed, que são bem-vindos. Todavia, na sua essência, Homem-Formiga é mais um produto Marvel para entreter as massas em dias de estio. Um filme para passar o tempo e comer pipocas.

sábado, 29 de agosto de 2015

"Terminator: Genesys" - um reboot por Alan Taylor

Dois Schwarzeneggers em menos de um mês é dose! Na verdade, pai sofre quando tem um filho adolescente que, na infância, viu alguns Schwarzies fundamentais, nomeadamente: Conan e os bárbaros, de John Milius (1982), Predador e O último grande herói, ambos de John McTiernan (1988 e 1993, respetivamente), e os três primeiros filmes da saga Terminator (as duas obras-primas de James Cameron, assinadas em 1984 e em 1991, e o filme assinado por Jonathan Mostow em 2003) - mea culpa, que lhe dei a conhecer essas fitas.

Sinal dos tempos, a movimentada película de Alan Taylor excede-se em caricaturas e ausenta-se de personagens. Há linhas temporais alternativas (mas nada que o saudoso Regresso ao futuro II, de Robert Zemeckis (1989), não tivesse explorado com melhores resultados), interpretações mais ou menos livres da teoria da relatividade (sem o rigor do excelente Interstellar, de Christopher Nolan (2014)) e o inevitável happy end esquemático, que ignora o desfecho apocalíptico da trilogia inicial. Aliás, convém referir que Terminator: Genesys é um reboot da série, o que significa que, em boa verdade, se trata de uma inflexão da história original, alterando o curso dos acontecimentos e características das personagens conhecidas.

Não sendo tão mau quanto Terminator Salvation, realizado pelo inane McG em 2009, o melhor do filme de Alan Taylor é mesmo o T-800 envelhecido, cheio de artroses e bem humorado de Schwarzie.

domingo, 23 de agosto de 2015

"Maggie" - Schwarzie por Henry Hobson

Construa-se um guião às três pancadas, sob o pretexto de contar uma história de zombies em tom de drama familiar, ético e intimista. Peça-se a Arnold Shwarzenegger que deixe crescer a barba, que esconda os músculos e que chore. Assim nasce Maggie, um filme em surdina, aparentemente delicado e com uma estética indie, que coloca a câmara sempre próxima dos atores, de modo a lembrar o espetador que se trata de um filme de personagens - e não um filme de ação - e para disfarçar a precariedade dos meios necessários para dar credibilidade a uma fita de ficção científica que se pretende séria, dramática e avessa a ironia, humor ou cinismo. Em boa verdade, o argumento limita-se a encher chouriços para disfarçar a ausência de ideias. Há até cenas que roçam o ridículo (o romance entre os dois adolescentes em fase de lenta transformação em zombies é confrangedor). De resto, nada que a série televisiva The Walking Dead já não tenha feito com melhores resultados.

Não há uma única ideia de cinema por aqui, nem basta humanizar Schwarzie para fazer dele um ator (ele que até já demonstrou maior versatilidade em obras de Reitman e McTiernan). Tivesse Maggie a mão sábia de Clint Eastwood e poderíamos ter ficado com um melodrama ético, comovente e profundo.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

"Spy" - lixo cinematográfico de Paul Feig

A comédia é um dos géneros fundadores da narrativa cinematográfica tal como a conhecemos. Género popular por excelência, deu ao mundo obras-primas assinadas por autores maiores: Charles Chaplin, Buster Keaton, Preston Sturges, Billy Wilder, Ernst Lubitsch, Blake Edwards, John Landis. E ficamos por aí. Os grandes autores de comédia desapareceram há décadas. 

Paul Feig foi responsável pela comédia "A Melhor Despedida de Solteira", película que cumpria os seus propósitos graças a uma atriz secundária. A mesma que agora protagoniza "Spy".

Lixo cinematográfico. Filme-veículo para a comediante norte-americana do momento, Melissa McCarthy. Enquanto der para capitalizar a sua popularidade continuará a fazer filmes que não deixarão rasto e, provavelmente, em menos de uma década a atriz será esquecida.

[Sugere-se a revisão de "48 horas", de Walter Hill, "Os Ricos e os Pobres", "Um Princípe em Nova Iorque", ambos de John Landis, e "Os Reis da Noite", de Eddie Murphy, para entender a razão por que Eddie Murphy ainda não foi esquecido.]


quinta-feira, 18 de junho de 2015

"Mad Max: Estrada da Fúria" - o regresso de George Miller

O novo capítulo da saga pós-apocalíptica Mad Max é um extraordinário delírio visionário de um cineasta que, aos 70 anos, assina um filme de ação movido a energia adolescente e savoir faire de autor veterano.

Na verdade, George Miller parece ter sentido saudades do cinema instintivo da trilogia protagonizada por Mel Gibson há 30 anos atrás. Como se trata de uma prequela do capítulo produzido em 1985, Tom Hardy assume com competência o lugar do ator australiano ladeado por uma insólita companheira de luta de olhar intenso e alma ferida (Charlize Theron como nunca a tinhamos visto).

O futuro segundo Miller é assim: um lugar inóspito, abrasador, desértico, quase irrespirável, mutante, em tumorização, pós-anarquista, pós-darwinista, onde a força bruta garante o poder, que é o mesmo que dizer água e gasolina.

"Mad Max: Estrada da Fúria" é o melhor e mais ousado filme de ação desde o irrepetível "Streets Of Fire", orquestrado por Walter Hill em 1984.


Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...