SPC ECO, o mais recente projeto do músico de culto Dean Garcia, editou esta Primavera uma obra-prima atmosférica através do EP Under My Skin. São cinco etéreas canções sob a forma de ambientalismo urbano. Escutemos a faixa-título e deixemo-nos levitar, durante a noite, sobre paisagens industriais.
Ideias, opiniões, gostos, prazeres, fruições, sensibilidades e rotinas serão aqui registadas.
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domingo, 28 de maio de 2017
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Banda sonora para a Primavera (21)
Em 2007, Gazpacho, banda norueguesa responsável por parte da revitalização e prestígio reconquistados pelo formato inclassificável do art-rock (designação que funciona como variante do rock progressivo), gravaram o seminal "Night", obra concetual dividida em cinco partes mas que na verdade constituem um opus único. Obra noturna maior, trata-se da narrativa etérea de um sonho no momento do clímax onírico (aquele que Descartes descrevia no célebre "Discurso do Método" ao referir-se à confusão que resulta na mente do sujeito quando, de repente, ao despertar de um sono profundo não distingue com clareza a passagem para o estado de vigília - estarei ainda a dormir ou já estou acordado?). "Night" foi agora regravado e reeditado numa edição de luxo, acompanhada por um lindíssimo booklet da responsabilidade do artista plástico espanhol Antonio Seijas. A música contida no CD é de uma beleza hipnótica, tornando-se viciante (não sai da minha aparelhagem há mais de duas semanas). Ainda por cima, está a muito bom preço na Amazon.
Gazpacho - "Upside Down"
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Banda sonora para a Primavera (20)
Da Polónia chega-nos um álbum apaixonante, com claras referências ao rock progressivo de uns Marillion ou Pendragon. Chamam-se Riverside e a obra concetual em tons sci-fy é "Shrine of New Generation Slaves". Pesadelo sombrio de um futuro possível, o disco regista oito temas contínuos, marcados por harmonias clássicas, mas acima de qualquer banda pop-rock mainstream. Basta ouvir "The Depth of Self-Delusion" para perceber do que estamos a falar. Absolutamente obrigatório na discoteca de qualquer melómano de bom gosto.
Riverside - "The Depth of Self-Delusion"
terça-feira, 16 de abril de 2013
Banda sonora para a Primavera (19) - Nektar, o regresso aos clássicos
Os Nektar são uma das mais amadas bandas de culto da história do rock progressivo. Com uma carreira algo errante, mas que já ultrapassa quatro décadas de edição discográfica, lançaram no final do ano passado um álbum de versões de clássicos do rock como "Sirius" (The Alan Parsons Project), "Wish You Were Here" (Pink Floyd), "Blinded By The Light" (Bruce Springsteen), "Old Man" (Neil Young), "2,000 Light Years From Home" (The Rolling Stones), "I'm Not In Love" (10 CC) e ""Africa" (Toto). Apesar de aparentemente as presentes releituras de tão grandes canções não acrescentarem muito às versões originais, trata-se - por isso mesmo - de uma humilde homenagem prestada por uma enorme banda a não menos importantes músicos seus contemporâneos. Pela mão dos Nektar, as canções ganham uma roupagem talvez mais orgânica e sem artifícios, e o álbum, "A Spoonful Of Time", consegue ser viciante. Há vários dias que não sai da minha aparelhagem. É, por isso, um disco fundamental.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Banda sonora para a Primavera (18) - The Strokes
O som único dos The Strokes já é clássico. "Is This It", o primeiro disco da banda, já tem mais de uma década. Entretanto, surgiram várias bandas de covers de Strokes; existe já um disco de tributo e até uma t-shirt usada dos tempos de "Room On Fire" na subcategoria vintage do eBay (à venda por uma pequena fortuna). O grupo acaba de lançar "Comedown Machine", um álbum com 11 canções espontâneas mas cuidadas, concebidas com a competência dos grandes compositores de rock. De qualquer forma, o destaque vai naturalmente para a terceira faixa do disco, "One Way Trigger", uma canção-ovni, objeto superlativo mas tão estranho que figurará em qualquer antologia pop do século XXI. Aleluia!
domingo, 17 de junho de 2012
Banda sonora para a Primavera (17)
Patriarcas do metal progressivo, os Dream Theater gravaram e editaram o seu mais recente disco de originais ainda em 2011. No entanto, outros álbuns se sobrepuseram na minha discoteca pessoal e a audição cuidada e atenta de "A Dramatic Turn Of Events" foi sendo adiada. Agora que a obra foi escutada repetidas vezes, aqui vai o meu verdicto: não sendo tão ousado do ponto de vista conceptual, nem tão consistente no que ao trabalho de composição musical diz respeito quanto o seu predecessor ("Black Clouds And Silver Linings"), é ainda assim um disco interessante, que expõe de forma harmoniosa todo o virtuosismo da banda. São todos excelente músicos sem se anularem mutuamente; pelo contrário, nos Dream Theater o todo não é uma mera soma de partes, o que não é um pormenor de somenos importância, tendo em conta que este é o projecto de John Petrucci, talvez o maior guitarrista da cena rock no activo. Mas o destaque evidente em "A Dramatic Turn Of Events" tem a ver naturalmente com a substituição do carismático baterista cofundador da banda, Mike Portnoy (que em 2010 decidiu dedicar-se exclusivamente aos seus inúmeros side projects), por Mike Mangini, que se revela um instrumentista exímio, não deixando os créditos por mãos alheias.
Quanto às nove canções que compõem o disco, como é habitual nos Dream Theater, escapam ao formato convencional dos standards do rock, sendo quase impossível destacar uma. De qualquer forma, as baladas "Far From Heaven" e "Beneath The Surface" são sérias candidatas a melhor banda sonora para este final de Primavera em tons outonais.
Dream Theater - "Far From Heaven"
terça-feira, 5 de junho de 2012
Banda sonora para a Primavera (16)
Edison's Children é um projecto conceptual que nasceu da inspiração de dois músicos veteranos: Pete Trewavas (baixista dos Marillion) e Eric Blackwood. Lançaram um espantoso disco de rock progressivo, "In The Last Waking Moments", que narra uma história de ficção científica embalada por melodias viciantes, plenas de luz e sombra. "A Million Miles Away" e "In The Last Waking Moments" são canções que, apesar da subtileza do todo (e o disco é mesmo para ouvir seguido, do princípio ao fim), se colam ao ouvido e nos incentivam a ouvi-las repetidamente.
Edison's Children - "In The Last Waking Moments"
domingo, 27 de maio de 2012
Ainda a opereta de Damon Albarn, "Dr. Dee"
Segue-se mais uma belíssima canção do primeiro opus do líder dos Blur e dos Gorillaz, "The Moon Exalted".
sábado, 26 de maio de 2012
Banda sonora para a Primavera (15)
Damon Albarn acaba de editar o seu primeiro trabalho a solo. Chama-se Dr. Dee e é um disco lindíssimo, inclassificável, compreendendo-se no contexto do percurso de um compositor sempre à procura de novos horizontes, mediante um intenso e rigoroso trabalho de pesquisa e experimentação. Senão vejamos: Damon Albarn foi líder dos Blur, responsável por um dos projectos musicais mais ousados da década anterior, os Gorillaz, e por entre essas aventuras tem sido incansável no trabalho de divulgação de artistas oriundos do Mali, tendo ainda assumido a liderança do projecto conceptual, The Good, the Bad and the Queen, que, além de Albarn, reúne músicos oriundos de bandas clássicas, como The Clash e The Verve.
Dr. Dee é um álbum conceptual, escrito em formato de opereta, em que se reconhecem elementos de música de câmara e erudita, do canto lírico e, sobretudo, de folk pastoral. É um disco sereno, crepuscular, paisagístico e com alguns momentos de uma beleza arrepiante. Já agora, refira-se que o "Doctor Dee" que dá nome à presente obra foi um alquimista, astrólogo, espião, conselheiro médico e científico da corte inglesa no século XVI. A ouvir com atenção!
Damon Albarn - "O Spirit Animate Us"
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Banda sonora para a primavera (14)
Leonard Cohen é um dos meus poetas de eleição. É também um dos meus cantautores recorrentes, em todas as estações do ano e estados de alma. Aos 77 anos, acaba de lançar o seu melhor disco desde "Ten New Songs" (2001). Composto por dez canções de uma harmonia e simplicidade desarmantes, "Old Ideas" é o corolário de uma obra inigualável na história da música popular. Ouça-se "Going Home", "Crazy To Love You" ou "Come Healing" e respire-se doses de poesia e melodia superlativas. Quase octogenário, Leonard Cohen continua um músico jovem, agora com a possibilidade de olhar a vida, a morte, o amor e o sexo com a maturidade própria de quem viveu o universo e caminha sabiamente para a aurora de um novo dia.
Leonard Cohen - "Come Healing"
segunda-feira, 26 de março de 2012
Banda sonora para a primavera (13)
Bruce Springsteen acaba de lançar um novo clássico. Chama-se "Wrecking Ball" e é o melhor disco do boss desde "Magic" (2007), superando assim o tiro ao lado que foi o obamaniano "Working On A Dream" (2009). Está cheio de grandes canções (quase todas), recuperando a estética e o espírito do saudoso "Tunnel Of Love" (1987) e do díptico da esperança "Human Touch" e "Lucky Town" (1992).
É estranho como as rádios nacionais parecem estar deliberadamente a passar ao lado do lançamento de "Wrecking Ball", ignorando o orelhudo single "We Take Care Or Our Own", portentoso manifesto à solidariedade, união e resiliência dos americanos. São esses, de resto, os temas centrais desta obra de Springsteen, que recorda, em canções como "Land Of Hope And Dreams" e "Rocky Ground", o espírito de sacrifício e de luta pela liberdade na promised land. No entanto, "Wrecking Ball", apesar de ser um disco sobre a esperança em momentos difíceis, é atravessado pelos efeitos da crise económica nas cidades, retomando, por isso, algumas das histórias recorrentes da discografia do músico norte-americano. Neste último contexto, destacam-se a dionisíaca (e, por isso, trágica) "Death To My Hometown" e a melancolicamente bela "This Depression".
A comprar, ouvir e guardar junto dos grandes clássicos do folk-rock.
Bruce Springsteen - "We Take Care Of Our Own"
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Banda sonora para a Primavera (12)
O novo álbum de Moby, "Destroyed", é um tratado sonoro sobre a solidão nas grandes cidades, ou como, mesmo cercados por milhões de seres humanos, os indivíduos estão condenados à solidão. Na verdade, as músicas parecem ter sido compostas sob o efeito de anti-depressivos, tal a suave melancolia que atravessa as 15 faixas do disco. Há harmonias que fazem lembrar "Play", a mais bem-sucedida obra de Moby, bem como texturas minimalistas em constante estado de levitação.
Não sendo uma obra-prima, "Destroyed" é um belo disco, coerente e coeso, onde o todo não se resume à mera soma das partes que o constituem. Ainda assim, "Be The One", "The Low Hum" e "The Day" são sérios candidatos a melhor canção do ano.
Moby - "The Day"
sábado, 14 de maio de 2011
Banda sonora para a Primavera (11)
A recente reedição de "Bridge Over Troubled Water", clássico maior dos Simon and Garfunkel, assinalando o 40º aniversário do álbum, é um dos acontecimentos culturais de 2011. Na verdade, o referido disco é um monumento da canção popular que só tem paralelo em clássicos de folk-rock de Bob Dylan, Neil Young ou Bruce Springsteen. É uma obra-prima incontornável para se perceber a evolução da música popular ao longo da segunda metade do século XX. O génio de Paul Simon (mais esquecido que os outros autores) carece de reavaliação e aqui está um bom pretexto para tal análise. Aliás, em simultâneo o cantautor acaba de editar o seu mais recente álbum a solo - "So Beautiful Or So What".
"Bridge Over Troubled Water" - Simon and Garfunkel
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Banda sonora para a Primavera (10)
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Banda sonora para a Primavera (9)
Tiago Guillul, através da sua originalíssima editora - Flor Caveira -, tem assinado um rock de inspiração cristã e lançado vários artistas que aproveita como colaboradores para a sua própria obra. Em V, Guillul apresenta uma dúzia de canções limpas e de guitarras bem afinadas, que bem mereceriam maior airplay nas ondas hertzianas cá do burgo. "São Sete Voltas Para a Muralha Cair" ou "O Meu Carcereiro" são hinos construídos com uma precisão e um sentido de harmonia superlativos, a ouvir repetidamente.
"O Meu Carcereiro" - Tiago Guillul
segunda-feira, 21 de março de 2011
Banda sonora para a Primavera (8)
Em 1993, Rodrigo Leão, acompanhado pelos Vox Ensemble, alterou o panorama da música nacional ao editar "Ave Mundi Luminar", disco conceptual, minimalista, moderno, mas sem nunca perder de vista o rigor classicista dos grandes compositores. No final de 2010, o músico reeditou o álbum em versão remasterizada e com um disco com novas gravações ("In Memoriam"). O CD é lindíssimo. Para ouvir, repetidamente, durante a Primavera que agora se anuncia.
"Ave Mundi" - Rodrigo Leão
"Ave Mundi" - Rodrigo Leão
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terça-feira, 1 de junho de 2010
Banda sonora para a Primavera (7)

Depois de "Boxer", os The National acabam de editar "High Violet", álbum mais negro e orgânico que o anterior, o que só o torna mais interessante. Trata-se de um disco pleno de ambiências cinematográficas, aproximando-se, por vezes, das imagens filmadas por David Lynch. Será, com certeza, um dos melhores registos discográficos de 2010.
"Little Faith" - The National
domingo, 23 de maio de 2010
Banda sonora para a Primavera (6)

Gravado em Julho de 1983 e lançado em 1984, "Alchemy Live" foi o primeiro álbum ao vivo dos Dire Straits, tornado-se um dos mais famosos e icónicos registos ao vivo de uma banda rock. Tratou-se de uma época em que a banda de Mark Knopfler se encontrava em estado de graça e as rádios ainda passavam canções de 7 ou 8 minutos. "Romeo and Juliet", "Tunnel Of Love" ou "Telegraph Road" são já clássicos da música popular, marcados pela subtileza dos solos de Knopfler, indiscutivelmente um dos melhores guitarristas de sempre. Que a sua já longa carreira a solo não esteja à altura da garra com que os Dire Straits atacavam as canções, só comprova a importância dos restantes elementos da banda para a espessura das composições de Mark Knopfler, que se materializava em estúdio e em palco. Isto mesmo pode ser comprovado no DVD "Alchemy Live", que acabou de ser lançado no mercado nacional, em HD, surround 5.1 e legendas no idioma de Camões. O CD tem rodado, diariamente, no meu carro.
"Romeo and Juliet (live)" - Dire Straits
sábado, 15 de maio de 2010
Banda sonora para a Primavera (5)

Lançado em Março de 1984, "Fugazi" é o segundo álbum de originais dos Marillion. É um disco que surge na continuidade das texturas sonoras de "Script For a Jester's Tear" (1983), não representando ainda as marcas de evolução conceptual que estariam presentes na obra posterior, "Misplaced Childhood". Tratou-se, no fundo, do difícil segundo álbum, após uma estreia tão auspiciosa. Mas nele estão presentes grandes canções, como "Punch and Judy", "Assassing", "She Chameleon" e "Fugazi".
"Assassing" - Marillion
terça-feira, 4 de maio de 2010
Banda sonora para a Primavera (4)

"Script For a Jester's Tear" foi lançado em Março de 1983 e constituiu a estreia dos Marillion num longa duração. O disco mostra uma banda que, apesar de claramente influenciada por bandas como Genesis (da fase Peter Gabriel), Pink Floyd e Yes, procura assumir a sua própria identidade, harmonizando a poesia introspectiva e sombria de Fish (o primeiro vocalista e letrista dos Marillion) com uma concepção musical complexa, intensa, operática e sempre subtil. Raramente um grupo de rock progressivo teve uma estreia tão ousada e instrumentalmente amadurecida. Ouça-se os seis temas que constituem o LP sem qualquer interrupção e verifique-se como rapidamente as canções se entranham na alma sem mais descolar.
"He Knows You Know" - Marillion
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