E foi agosto
Por entre a espuma dos dias
Embalado pelas ondas do entardecer
E agasalhado pelo sorriso de uma criança
Galga as rochas
Atira o pequeno seixo ao mar
Fá-lo saltar sobre a água salgada
E, assim, enche-te de maresia
Por agora foi agosto
Que regressará, retornará um dia,
No próximo verão, tenho a certeza,
O teu rosto será ainda mais exultante!
E foi agosto
Em teus olhos.
Sabes, eles são o Sol
Que em ti se faz a aurora de um novo dia.
Ideias, opiniões, gostos, prazeres, fruições, sensibilidades e rotinas serão aqui registadas.
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
domingo, 23 de julho de 2017
[em julho, pela manhã]
gotículas de orvalho
rompem a luz matinal
em plena alvorada de estio.
declinam, inocentes
no seu propósito de servir
a natureza em seu delicado afazer.
sesmadas, deixam-se amparar
por terra seca carente de assossego
outoniço na sua essência
em busca incessante pela renovação.
no fundo, o verão quer ser outono
sendo ele próprio perecimento do ser.
a folha quer-se brilhante,
em tons dourados
e anseia pela aproximação à terra
cansada do semestre de afastamento
e a sonhar com o regresso ao seu imo
onde a alma se faz carne.
desejo, por isso, a superfície interior
na descoberta do sentido
à frente dos meus olhos.
Ele está junto a mim
na mão que desliza
delicada e ternamente
sobre o meu braço
no livro ao colo da passageira
à minha frente
no desassossego da criança que passa
no rosto trémulo de quem se aproxima da morte
na consciência da finitude
no mar que se espraia em sonho diurno
no renascer ilusório de cada ano que principia
no transcendente que emana de cada quadro de Van Gogh
no piano do Bill Evans
na voz de Bing Crosby
em partituras de Chopin
em canhenhos de Norman Mailer
em fotografias de Sebastião Salgado
nos filmes do John Ford (em todos!)
nos esquissos de Da Vinci
no pregão da peixeira à procura de freguês
no gesto seguro do engraxador
no cachimbo de Bertrand Russell
na criança que foi Rabindranath Tagore
e no colo de sua mãe,
no meu filho.
Regresso à gotícula de orvalho
em manhã cinzenta, em julho ameno,
não pela sua indiferença
mas pela complexa simplicidade da sua necessidade.
rompem a luz matinal
em plena alvorada de estio.
declinam, inocentes
no seu propósito de servir
a natureza em seu delicado afazer.
sesmadas, deixam-se amparar
por terra seca carente de assossego
outoniço na sua essência
em busca incessante pela renovação.
no fundo, o verão quer ser outono
sendo ele próprio perecimento do ser.
a folha quer-se brilhante,
em tons dourados
e anseia pela aproximação à terra
cansada do semestre de afastamento
e a sonhar com o regresso ao seu imo
onde a alma se faz carne.
desejo, por isso, a superfície interior
na descoberta do sentido
à frente dos meus olhos.
Ele está junto a mim
na mão que desliza
delicada e ternamente
sobre o meu braço
no livro ao colo da passageira
à minha frente
no desassossego da criança que passa
no rosto trémulo de quem se aproxima da morte
na consciência da finitude
no mar que se espraia em sonho diurno
no renascer ilusório de cada ano que principia
no transcendente que emana de cada quadro de Van Gogh
no piano do Bill Evans
na voz de Bing Crosby
em partituras de Chopin
em canhenhos de Norman Mailer
em fotografias de Sebastião Salgado
nos filmes do John Ford (em todos!)
nos esquissos de Da Vinci
no pregão da peixeira à procura de freguês
no gesto seguro do engraxador
no cachimbo de Bertrand Russell
na criança que foi Rabindranath Tagore
e no colo de sua mãe,
no meu filho.
Regresso à gotícula de orvalho
em manhã cinzenta, em julho ameno,
não pela sua indiferença
mas pela complexa simplicidade da sua necessidade.
quinta-feira, 21 de julho de 2016
[estio]
cálido verão
deixa-se levar
pelas margens
de uma solidão
encantada
com a possibilidade
de existir
sem contrário,
qual profilaxia da vontade.
"ousa saber!" - diria Kant
no verão frio de Königsberg
agasalhado em diurnas leituras,
porventura, já avassalado pela gota,
único atraso numa vida pontual.
desejo essa assiduidade
ambiciono tal solarenga presença
desolada
com a possibilidade
(feita certeza)
de o impulso
ser contrário à moral
efeito secundário
da estival atração
que se transfigura
por entre as margens
da idade madura.
deixa-se levar
pelas margens
de uma solidão
encantada
com a possibilidade
de existir
sem contrário,
qual profilaxia da vontade.
"ousa saber!" - diria Kant
no verão frio de Königsberg
agasalhado em diurnas leituras,
porventura, já avassalado pela gota,
único atraso numa vida pontual.
desejo essa assiduidade
ambiciono tal solarenga presença
desolada
com a possibilidade
(feita certeza)
de o impulso
ser contrário à moral
efeito secundário
da estival atração
que se transfigura
por entre as margens
da idade madura.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
[Natividade]
nasce, Menino
agasalhado nos braços de tua Mãe
embalado em afetos
no calor luminoso da Estrela Polar.
nasce, Menino
faz-te ser de Amor
que tudo inclui
envoltório de Paz no Mundo.
nasce, Menino
que o estábulo se transforme em Lar
superfície plana do Pão
que alimenta a Humanidade.
agasalhado nos braços de tua Mãe
embalado em afetos
no calor luminoso da Estrela Polar.
nasce, Menino
faz-te ser de Amor
que tudo inclui
envoltório de Paz no Mundo.
nasce, Menino
que o estábulo se transforme em Lar
superfície plana do Pão
que alimenta a Humanidade.
Rui Louro Mendes
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
[outoniço]
folha que cai
rejuvenescida por saber
que viveu uma época fugaz
que dá origem a outra
vida que se perpetua
entre as margens do ser
porque cair assim,
com dignidade,
é erguer com solenidade
a essência em si.
corpo que cai
alma que apruma tudo
aquilo que aprendeu.
devemos aprender com a folha
e, pelo menos, soerguer
o espírito de vez em quando
deixar a matéria interromper-se
desabando o gesto leviano
para erigir a sensibilidade
outoniça.
Rui Louro Mendes
quinta-feira, 16 de julho de 2015
[formas de viver]
quantos refugiados há por esse mundo!
gente sem país, carente de pertença
descalços sobre terra quente e deserto abrasador
temem pelo futuro dos seus filhos
desejam-lhes uma vida melhor.
quantos refugiados há por esse mundo!
gente com língua mas sem pátria
amontoados em botes, embarcações sem bússola ou capitão
em campos sem fronteiras
aceitam tendas como casas, hospitais e escolas.
quantos de nós se sentem como eles?
quantos de nós também se sentem refugiados?
casas, carros, férias, hotéis, hipotecas,
workshops, formação contínua,
melhores salários, crise económica,
euro, dólar, capitalismo, democracia,
o colega competente, o colega incompetente,
a nota abaixo da média.
- aqueles refugiados também somos nós.
Rui Louro Mendes
gente sem país, carente de pertença
descalços sobre terra quente e deserto abrasador
temem pelo futuro dos seus filhos
desejam-lhes uma vida melhor.
quantos refugiados há por esse mundo!
gente com língua mas sem pátria
amontoados em botes, embarcações sem bússola ou capitão
em campos sem fronteiras
aceitam tendas como casas, hospitais e escolas.
quantos de nós se sentem como eles?
quantos de nós também se sentem refugiados?
casas, carros, férias, hotéis, hipotecas,
workshops, formação contínua,
melhores salários, crise económica,
euro, dólar, capitalismo, democracia,
o colega competente, o colega incompetente,
a nota abaixo da média.
- aqueles refugiados também somos nós.
Rui Louro Mendes
sexta-feira, 10 de julho de 2015
[sinestesia]
a José Tolentino Mendonça
desvios locais
não são formas
não são sinais
fontes de perigo
em perpétuos romances
de líbido renascida.
perfumes, odores vários,
perfumes, odores vários,
perversa sinestesia,
tempo de mármore
petrificado
em esculturas de desarmonia.
desvios locais,
cuidado com os animais!
presos ao seu instinto
em cruel desatino
tontos de obsessão
deixam suas crias em desamparo
vão à caça
guiados pelo olfato
primária vocação
de quem à natureza se entrega.
Rui Louro Mendes
sábado, 1 de setembro de 2012
E foi agosto...
E foi agosto
Por entre a espuma dos dias
Embalado pelas ondas do entardecer
E agasalhado pelo sorriso de uma criança
Galga as rochas
Atira o pequeno seixo ao mar
Fá-lo saltar sobre a água salgada
E, assim, enche-te de maresia
Por agora foi agosto
Que regressará, retornará um dia,
No próximo verão, tenho a certeza,
O teu rosto será ainda mais exultante!
E foi agosto
Em teus olhos.
Sabes, eles são o Sol
Que em ti se faz a aurora de um novo dia.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Em dia de Portugal-Espanha, nada melhor que o velho Afonso Lopes Vieira para nos recordar que ainda vale a pena ser português
|
domingo, 6 de maio de 2012
MÃE
O universo começou
contigo
A Natureza inclina-se
à tua passagem
Em ti encontro o meu
porto de abrigo
É um privilégio ter
sido feito à tua imagem.
Gosto de adormecer com
o som meigo da tua voz
E o toque suave das
tuas mãos no meu rosto
Aprendi contigo a
importância de sermos “nós”
No Amor e na Paz – é a
Família, tal como é suposto.
domingo, 2 de maio de 2010
Mãe

"No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...
Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal..."
Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas..."
Eugénio de Andrade, 2 de Maio
Dia da Mãe
domingo, 14 de fevereiro de 2010
São Valentim em 2010

Foi São Valentim
Padre, herói, cavaleiro do Amor
Que secretamente casou
Jovens que se comprometiam a amar
Desejemos ser
Dois desses jovens
Amantes no eterno
Que só o Amor permite
Vamos ser dois amantes
Que fazem juras de Amor
Num jardim, na praia ou junto a um altar
E, assim, sermos abençoados por São Valentim.
Para L.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
"No Profundo da Alma Lusitana"

Rui Fonseca nasceu em Vila Nova de Foz-Côa, no ano de 1957. Licenciado em Filosofia, em 1996 publicou "Desejos de Amar o Porto" (obra poética que surge como uma belíssima homenagem à cidade invicta), seguido dos visionários ensaios histórico-filosóficos "Portugal e o Quinto Império por Cumprir" (2006) e "O Primado da Reencarnação" (2008). Hoje, pelas 21h30 no Auditório da Junta de Freguesia do Bonfim, este autor apresentará a sua nova obra poética - "No Profundo da Alma Lusitana", sessão na qual terei o prazer e o privilégio de declamar três dos seus poemas. Trata-se de um projecto conceptual que retoma os temas de eleição do poeta e filósofo, a saber: a reinterpretação da história de Portugal e a urgência do renascer da verdadeira alma lusitana.
O livro encontra-se dividido em três partes (Do passado profundo, Do presente da história, De um futuro em breve), passando pela Fundação de Portugal, os Descobrimentos, Alcácer-Quibir, a Implantação da República, o Salazarismo, o 25 de Abril e o desejo de um Portugal por cumprir. Rui Fonseca presta ainda uma justa homenagem aos autores e pensadores que mais o inspiram - Camões, Pessoa, Manuel Alegre e Agostinho da Silva.
Um autor a descobrir e que, com certeza, encontrará nesse futuro desejável um lugar de referência entre os maiores vultos da poesia lusa.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Junho

Fazendo um balanço do mês de Junho que agora cessa, recordo com carinho um trabalho de casa do meu filho que exigia a colaboração dos pais, a saber: construir um poema sobre a criança, a propósito, precisamente, do Dia Mundial da Criança.
Um sorriso no rosto
Um brilho no olhar
Um gesto expressivo
É uma criança a brincar.
Dois homens discutem
Como se estivessem num espaço vazio
Eles ignoram a vida
De uma criança, ali perto, com frio.
Da janela aberta do meu quarto
Descubro uma nova ideia a criar
É um mundo cheio de esperança
Onde não haja criança sem lar.
Então aí, saio de casa
Para correr, saltar, jogar
Porque neste novo mundo
Quero para sempre com todas as crianças brincar.
Aproveito para deixar aqui registada uma belíssima canção-poema sobre todas as infâncias.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão
Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...



