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segunda-feira, 2 de agosto de 2021

"Presos no Tempo" (2021) - de M. Night Shyamalan

Olvidável retorno de Shyamalan ao cinema, Presos no Tempo é um drama patético, que não se percebe bem se é ficção científica, thriller, terror ou mistério. No fim, ficam os despojos de uma comédia tola involuntária, que, no limite, se compreenderia se o seu autor fosse Ed Wood (para quem não sabe, Ed Wood ficou conhecido por ter concebido alguns dos piores filmes da história do cinema, mas mantendo sempre a ambição "visionária" de fazer obras à altura de Citizen Kane).

Quem assistir a Presos no Tempo desconhecendo obras-primas como O Sexto Sentido (1999), O Protegido (2000), Sinais (2002) ou A Vila (2004), provavelmente pensará que foi escrito e realizado por um qualquer neófito deslumbrado pela primeira oportunidade em Hollywood. É que este pretensioso "tratado" sobre o envelhecimento e a finitude tem o potencial para destruir carreiras, pelo menos as do realizador e dos atores. Um filme que só não chega a ser dececionante por ser desastroso.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

"Glass" (2019), de M. Night Shyamalan


Culminar de uma trilogia inicada em 2000 com o noturno "Unbreakable", e retomada apenas em 2016 com o frenético "Split", "Glass" é uma inteligente resposta aos filmes produzidos pela Marvel. Só que este brinquedo perverso de Shyamalan não é para adolescentes. É antes um filme escrito e realizado com precisão geométrica, à boa maneira do cinema clássico.

domingo, 7 de maio de 2017

"Fragmentado" - novo brinquedo de M. Night Shyamalan


Depois do divertidíssimo statement sobre a estética found footage, M. Night Shyamalan regressa com mais um exercício de estilo sob a égide do thriller. Fragmentado é, em boa verdade, um brinquedo hitchockiano sobre um doente que sofre de transtorno dissociativo de identidade. Estão lá todos os ingredientes que fizeram do realizador de O Sexto Sentido um cineasta de culto: argumento minucioso, diálogos certeiros, personagens que vão revelando um pouco mais de si em cada cena, o jogo de luz e sombras, um discreto sentido de humor e grandes interpretações (neste caso, o destaque vai claramente para James McAvoy, que parece divertir-se num papel que é um tremendo desafio para um ator).

sábado, 26 de dezembro de 2015

"A Visita" - o regresso de um autor

Saúda-se o regresso de M. Night Shyamalan ao Cinema (assim mesmo, com C maiúsculo). A Visita é um clássico instantâneo: comédia de terror, o (in)esperado twist final impede A Visita de poder ser um filme para toda a família. Ainda bem, uma vez que a aparente simplicidade da narrativa e a ausência de efeitos especiais constituem marcas maiores de um autor que nos trouxe obras tão memoráveis quanto O Sexto Sentido, O Protegido, Sinais, A Vila e O Acontecimento.

Filmado com a estética found footage, A Visita supera todas as obras com esse formato. É que Shyamalan confere a alma que falta aos produtos de outros aspirantes a cineasta. A fita em análise tem personagens e verdadeiros atores (ainda que sem vedetas).

Dois irmãos adolescentes vão passar alguns dias com os avós que nunca conheceram. Apesar do carinho com que são recebidos, os netos ficam perplexos quando lhes é dito que não podem sair do quarto depois das 21h30. Decididos a desvendar a razão de tal interdição, descobrem que os avós não são os velhinhos encantadores que pareciam à primeira vista.

A história, além de apontamentos autobiográficos (a personagem de Rebecca, a irmã mais velha, é quase um alter ego de Shyamalan), mantém as referências spielbergianas (a ausência incompreendida da figura paterna) que já havíamos visto em O Sexto Sentido, e consolida a reputação de M. Night Shyamalan como esteta e autor maior.


Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...