Mostrar mensagens com a etiqueta Cinema 2010. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cinema 2010. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 11 de abril de 2011

"Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme" - de Oliver Stone

Nos tempos da minha cinefilia adolescente, Oliver Stone era o símbolo do cineasta politicamente comprometido com os ideais fundadores da esquerda norte-americana, lutando activamente pela denúncia dos crimes de guerra cometidos por políticos republicanos corruptos, pela CIA, pelo Pentágono e por corporações empresariais que mandariam efectivamente na grande nação americana e, por consequência, no mundo. Assim, qualquer nova película deste realizador constituía um dos acontecimentos cinematográficos do ano. A década de 80 foi, aliás, a mais prolífica de Stone. Senão vejamos: "Salvador", "Platoon", "Talk Radio", "Wall Street" e "Nascido a 4 de Julho", são cinco obras-primas assinadas por aquele autor. E a verve criativa não acabaria aí - a década seguinte seria também marcada por outras obras de referência de Stone: "The Doors", "Entre o Céu e a Terra", "JFK", "Assassinos Natos", "Nixon" e "Sem Retorno", são a continuidade natural da reflexão do cineasta sobre a história recente dos Estados Unidos da América.

Curiosamente, a personagem mais mítica filmada por Oliver Stone acabou por ser o maior dos vilões da sua obra: Gordon Gekko (magistralmente interpretado por um Michael Douglas inspiradíssimo). A recente crise financeira internacional acabou por motivar o realizador a regressar a "Wall Street", constatando que, afinal, o mundo da alta finança - o capitalismo - não mudou: os tubarões da banca continuam a mandar no mundo, ditando a agenda e as decisões políticas; o dinheiro é o meio e o fim orientador da civilização; a ecologia não é, na verdade, encarada como um sério (e talvez o único) problema filosófico por quem compra, gere e vende empresas; num mundo dominado pela moeda, o ser humano só tem valor enquanto for capaz de produzir e gerar dinheiro.

Não sendo a obra-prima que foi o filme homónimo dos anos 80, "Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme" é a continuação possível, mais de vinte anos depois. Os espectadores mais jovens são diferentes daqueles que viram a fita original, daí talvez a suavidade (diria até, o tom um pouco meloso) da última incursão de Stone pelo universo da bolsa de Nova Iorque. Ainda haverá yuppies?

Uma última nota para a fabulosa banda-sonora composta por Craig Armstrong e com canções originais de David Byrne e Brian Eno - um must para os melómanos.

sábado, 19 de março de 2011

"A Rede Social" - tese sociológica de David Fincher

David Fincher é um cineasta cuja linha autorística se aproxima da corrente estética iniciada por Stanley Kubrick ("Nascido Para Matar" ou "De Olhos Bem Fechados") e prosseguida por Christopher Nolan ("Memento" ou "A Origem"). Na verdade, desde "Seven", passando por "Clube de Combate" e "Zodiac", David Fincher tem construído um cinema hermético, cerebral, filosófico e, sobretudo, de elevado interesse sociológico. Ora, é essencialmente enquanto tratado sociológico que "A Rede Social" deve ser analisado. De facto, trata-se de um filme elaborado com precisão geométrica que, partindo de um argumento depurado e rigoroso, entra pelos personagens adentro sem qualquer floreado ou comiseração. São os paradigmas da geração da primeira década do século XX que protagonizam esta história baseada na criação do Facebook (com Mark Zuckerberg à cabeceira). Gente criativa, mas pragmática, com critérios morais ambíguos e indiferentes a causas nobres ou valores éticos. No fundo, são uma espécie de renascimento da geração yuppie que marcou os anos 80 do século passado e que tão bem retratada foi nas obras de Brest Easton Ellis. 

Apesar das excelentes interpretações dos actores (sobretudo de Jesse Eisenberg) e de uma montagem prodigiosa (o fantasma do "Citizen Kane" de Orson Welles também passa por aqui), não estamos perante a obra-prima que grande parte da crítica elevou, mas antes perante um objecto cinematográfico singular a que o tempo permitirá uma leitura mais objectiva.

domingo, 9 de janeiro de 2011

"Harry Potter e os Talismãs da Morte" (1ª parte) - um filme com direcção de fotografia de Eduardo Serra

Já todos conhecem o aprendiz de feiticeiro, Harry Potter. É uma saga que já vendeu milhões de livros e foi (é) blockbuster cinematográfico, esgotando bilheteiras um pouco por todo o mundo. A primeira parte do último capítulo do atribulado percurso de Potter em direcção à adultez, traz a assinatura de David Yates nos comandos da adaptação da obra de J. K. Rowling. Mas o que mais se destaca, pelo menos aos olhos do cinéfilo português, é a fabulosa direcção de fotografia a cargo de Eduardo Serra. 

Se atentarmos à carreira deste singular artesão, verificamos a importância da dimensão cromática, dos jogos de luz e sombras, enfim, um lado plástico único que caracteriza e distingue as películas em que Serra colabora. Vejamos dois exemplos: "What Dreams May Come" (1998), de Vincent Ward (neste filme, o céu e o inferno são telas em movimento); "O Protegido" (2000), de M. Night, Shyamalan (no melhor filme deste cineasta, o chiaroscuro eleva o thriller americano a um patamar estético irreplicável). 

Escusado será aqui concentrarmo-nos na análise do mais recente filme de David Yates, já que nada acrescentaria ao que o espectador já sabe da épica saga infanto-juvenil. Refira-se, no entanto, que é um filme que assegura cerca de 150 minutos bem passados em família, aproximando, finalmente, o espírito das aventuras de Harry Potter à trilogia "O Senhor dos Anéis". Quero com isto dizer que "Harry Potter e os Talismãs da Morte" é uma obra mais adulta que as anteriores, facto que faz todo o sentido, uma vez que também acompanha o crescimento dos heróis e dos fãs que acompanham a série desde a infância. Para rematar tal envelhecimento, a fotografia de Eduardo Serra (que esperemos se mantenha no próximo capítulo) assume um papel insubstituível ao dar às imagens a luz e a sombra necessárias às trevas que ameaçam avançar sobre o mundo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

"A Origem" - o cinema mental de Christopher Nolan

Christopher Nolan tem, desde o soberbo "Memento", alicerçado uma carreira de autor, que se arrisca a ficar na História da Sétima Arte como o melhor realizador da sua geração. Faltava, aliás, insuflar novo sangue numa hollywood empalidecida desde a década de noventa (Tarantino foi uma das raríssimas excepções). O seu último filme, "A Origem", leva ao extremo as premissas das películas anteriores (sobretudo, "Insomnia" e "The Prestige"), penetrando nas profundezas da mente humana e aprofundando a sua pessoal reflexão em torno da ilusão.

Em "A Origem" instalamo-nos, enquanto espectadores, numa espécie de alegoria da caverna platónica, questionano-se, permanentemente, o que é o real. Neste sentido, o filme pode ser entendido como uma densa indagação ontológica, metaforizando também o cinema, simultaneamente, como arte de sombras e arquétipos do real.

"A Origem" é uma obra visualmente fascinante, mas que, tendo em conta a complexidade do argumento, exige, ao cinéfilo, plena concentração, o que faz deste um filme com sentido de ousadia e risco. Uma excelente forma de começar o ano!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"Vencer" - teatro trágico

Marco Bellocchio é um cineasta genial (talvez o mais interessante cineasta italiano no activo) e, em tempos de crise também no cinema europeu, ele é um dos poucos sobreviventes do que se convencionou chamar de cinema de autor. "Vencer", a sua última e multipremiada obra, é um ensaio operático visionário que toma Mussolini como pretexto para uma profunda parábola sobre a megalomania política. 

O ponto de partida de "Vencer" é a relação amorosa do egocêntrico ditador italiano com Ilda Dalser, mãe do primeiro e renegado filho de Mussolini, que vendeu todos os seus bens em prol da ascensão do homem que amava obsessivamente. Separados à força, Ida Dalser e o seu filho, viveram os últimos anos num manicómio sob uma violenta clausura. 

O filme de Bellochio assume-se também como reflexão sobre a forma como o poder corrompe o amor. A montagem, os planos, a luz, são soberbos, transmitindo ao espectador uma sensação de asfixia, tal a densidade e aproximação da câmara à loucura e paranóia esquizofrénica do par romântico da obra.

Trailer de "Vencer", obra de Marco Bellochio

domingo, 5 de dezembro de 2010

(Re)Visões sobre a 2ª Guerra Mundial (3) - estrangeiros na Resistência francesa

"O Exército do Crime", de Robert Guédiguian, aborda a colaboração de imigrantes judeus, polacos, húngaros, romenos, italianos, espanhóis e arménios com a Resistência francesa. Um episódio significativo, pelo seu simbolismo, da 2ª Guerra Mundial que, apesar da sua importância e potencial dramático, nunca tinha sido reconstruído em celulóide. Guédiguian faz justiça a esses heróis num filme trágico de recorte clássico, à altura das melhores obras deste género cinematográfico.

Na Paris ocupada pelo exército Alemão, o poeta e operário Missak Manouchian lidera um grupo de jovens imigrantes de segunda geração determinados a lutar pela liberdade do país que amam, França, o berço dos Direitos do Homem. O grupo, que ficou conhecido pela propaganda nazi como "exército do crime", foi condenado à morte por fuzilamento em Fevereiro de 1944. 

A ver urgentemente, quanto mais não seja para relembrar que nestes tempos de crise a ameaça de novas ditaduras torna-se perigosamente iminente.

Trailer de "O Exército do Crime", de Robert Guédiguian

domingo, 26 de setembro de 2010

Dois livros, dois filmes (2) - "Visto do Céu"

"Visto do Céu" adapta o romance impressionista "The Lovely Bones", de Alice Sebold. Peter Jackson assume a arriscada tarefa de transpor a obra literária para o grande ecrã. Isto porque, por um lado, trata-se de um best seller calorosamente recebido pela crítica e, por outro lado, é um livro labiríntico, com a aura de inadaptável. Que fique claro: em minha opinião, trata-se de um filme que agradará a quem não leu o livro, mas que dificilmente entusiasmará os leitores de Sebold. É que são muitas as alterações em relação à história original, ficando-se por uma espécie de versão compactada da história original.

Uma nota positiva para o fabuloso trabalho de fotografia, a prestação dos actores (sobretudo, a perturbadora interpretação de Stanley Tucci), apesar de ficar a sensação de que Peter Jackson seria capaz de assinar um filme bem superior a este (não nos esqueçamos de que foi ele o responsável pela adapatção da ainda mais difícil trilogia de Tolkien, "O Senhor dos Anéis").

Trailer de "Visto do Céu", de Peter Jackson



terça-feira, 27 de julho de 2010

"O Escritor Fantasma" - um thriller de Polanski


Roman Polanski regressa aos grandes filmes e, sobretudo, ao género a que melhor se adapta - o thriller. Estamos perante um policial de artesanato, tal a depuração formal e o despojamento de efeitos visuais modernos. Aquilo que interessa ao cineasta é a história e a forma - soberba, diga-se - clássica de a filmar. Importam os actores, que aqui apresentam uma segurança e uma encarnação dos personagens como raramente vimos na filmografia de Ewan McGregor e Pierce Brosnan. De facto, "O Escritor Fantasma" podia ter sido realizado há 20 ou 30 anos atrás, o que só demonstra que a presente obra será, com certeza, um clássico do cinema daqui a duas ou três décadas.

"The Ghost Writer" adapta uma obra de Thomas Harris, partindo de um dispositivo narrativo deveras interessante: um antigo primeiro-ministro britânico (a persona política de Tony Blair serve de inspiração) contrata um escritor fantasma (magnífico Ewan McGregor) para escrever a sua biografia. O escriba rapidamente se vê envolvido numa conspiração política que envolve o governo inglês, a indústria de armamento e a CIA.

Com "O Escritor Fantasma", Polanski lega-nos um interessante documento para se perceber a política ocidental da primeira década do século XXI. Obrigatório!

Trailer de "O Escritor Fantasma", de Roman Polanski

sábado, 17 de julho de 2010

"Golpe de Artistas" - uma comédia inteligente


"Golpe de Artistas" é, sobretudo, um filme de actores, onde Christopher Walken, Morgan Freeman e William H. Macy mostram, uma vez mais, todo o seu talento de comediantes. A história é simples:

- três seguranças de um museu de Nova Iorque combinam um plano para roubar as peças de arte pelas quais vivem obcecados, uma vez que elas estão prestes a ser enviadas para um museu na Dinamarca. O golpe é perfeito, mas pelo meio acontecem uma série de peripécias que divertem o espectador do primeiro ao último minuto.

A realização de Peter Hewitt é segura, conseguindo alguns momentos verdadeiramente criativos (por exemplo, toda sequência em que, servindo-se de uma maqueta do interior do museu, o grupo planeia o assalto). Um bom filme de Verão.

Trailer de "Golpe de Artistas", de Peter Hewitt

domingo, 11 de julho de 2010

"Um Homem Sério" - a teoria do caos pelos irmãos Coen


O mais recente filme dos irmãos Coen é (mais) uma bizarra comédia niilista, herdeira de obras como "O Grande Lebowsky" e "Destruir Depois de Ler".

"Um Homem Sério" acompanha algumas semanas na vida de um honesto professor universitário que encontra na Matemática a possibilidade da certeza. No entanto, uma série de problemas familiares levam-no a procurar refúgio na religião, nomeadamente em três rabis que, afinal, nada mais sabem da vida do que ele próprio. O rigor ético da sua conduta profissional e afectiva parece ser um imenso nada face ao reinado da hipocrisia social em que se vê subitamente imerso. No final, só a Natureza tem razão...

Obrigatório!

Trailer do filme "Um Homem Sério", de Ethan e Joel Coen

sábado, 3 de julho de 2010

"O Lobisomem" - a versão de Joe Johnston


Ao contrário da versão que Ridley Scott recentemente assinou do lendário Robin Hood - confirmando a força inigualável do clássico de Michael Curtiz -, Joe Johnston comprova que é possível recriar uma personagem adaptada um sem-número de vezes ao cinema e, ainda assim, superar em intensidade dramática e qualidade estética a obra na qual se inspira, a saber: "O Homem Lobo", realizado por George Waggner, em 1941.

Lawrence Talbot regressa a casa para investigar as circunstâncias misteriosas que envolveram a morte do seu irmão. Numa noite de lua cheia, junto a um acampamento cigano, é atacado por uma estranha criatura: precisamente, um homem lobo. A partir desse momento, Talbot passa a sofrer de uma maldição que parece assolar a sua família. Mais não revelo, uma vez que o filme de Johnston promete uma série de novidades em relação ao clássico de Waggner, que contribuem para dar mais espessura e sentido dramático à película.

A realização é irrepreensível (Johnston não filmava assim desde "Parque Jurássico III"), a fotografia deslumbrante reforça o ambiente pleno de romantismo, o argumento não deixa pontas soltas e as interpretações são superlativas (com destaque para Anthony Hopkins no papel do patriarca demoníaco). A película acaba de ser editada em DVD e recomenda-se.

Trailer de "O Lobisomem", de Joe Johnston

domingo, 20 de junho de 2010

"Robin Hood" - a versão de Ridley Scott


Robin Hood é um daqueles heróis da mitologia medieval que faz parte da nossa memória colectiva, povoando o terreno fértil do imaginário infantil. Que adulto não brincou na sua meninice ao "Robin dos Bosques" ou nem sequer sonhou vestir no Carnaval os trajes do heróico arqueiro, fiel a Ricardo, Coração de Leão?

Grande parte desta nossa memorabilia afectiva deve-se ao clássico maior da sétima arte, "As Aventuras de Robin dos Bosques", assinado pelo grande Michael Curtiz em 1938 e protagonizado com estilo por Errol Flynn. Esqueçam-se as versões realizadas por Kevin Reynolds (1991) e por Ridley Scott (2010) e reveja-se a película de Curtiz que, de resto, acabou de sair em DVD numa cópia restaurada do filme original.

Ridley Scott é inegavelmente um bom cineasta, capaz de se mover com segurança nos mais diversos géneros cinematográficos, mas demasiado irregular na qualidade dos argumentos que escolhe filmar. Se "O Duelo" (1977), "Alien" (1979), "Blade Runner" (1982), "Thelma e Louise" (1992), "Gladiador" (2000) e "Cercados" (2001) são obras incontornáveis em qualquer enciclopédia de cinema, já "1492" (1992), "G.I. Jane" (1997), "Reino dos Céus" (2005) ou o último "Robin Hood" são autênticos tiros ao lado (muito ao lado!...) do que seria de esperar de um artesão tão experiente (já leva mais de 4 décadas a fazer cinema) e competente ("Blade Runner" é, ainda hoje, considerado o melhor filme de ficção científica de sempre). Scott é um cineasta demasiado sério e pretensioso para assinar um filme sobre uma figura lendária com o estatuto de Robin Hood, optando pela desnecessária tentativa de contar a história do homem real por detrás do mito. A este propósito, refira-se a curiosa versão assinada em 1991 por John Irvin, com Patrick Bergin no papel do aventureiro, filme bem mais convincente que o de Ridley Scott. Robin Hood não foi um rei, presidente ou messias, foi/é um herói que, com o recurso ao seu arco e flecha e sorriso galanteador, roubava aos ricos para dar aos pobres. Ponto!

Trailer de "Robin Hood", de Ridley Scott

terça-feira, 18 de maio de 2010

"Um Cidadão Exemplar" - a vingança de um homem justo


A história do cinema está repleta de filmes que reflectem sobre o sistema judicial, sobretudo em sociedades democráticas, que teriam à partida todas as condições para fazerem cumprir as leis com justiça e equidade. O dispositivo de "Um Cidadão Exemplar" é semelhante a muitos outros thrillers americanos, com a diferença crucial de que nesta fita o (anti)herói está preso. Vejamos:

Clyde Shelton é um cidadão exemplar que vê a sua mulher e filha serem brutalmente assassinadas. Dez anos depois, o principal responsável pelos homicídios é encontrado morto e Shelton admite friamente que é o culpado. Mas faz um aviso ao advogado que há uma década atrás não o defendeu como devia: ou contribui para compor o sistema de justiça que falhou em relação aos assassinos da sua família, ou as pessoas importantes ligadas ao seu processo morrerão.

O filme joga de forma interessante com o estatuto de ambiguidade do protagonista, ao colocar um homem injustiçado como o vilão da história, procurando deixar o espectador numa corda bamba emocional (quem deveremos apoiar: o "cidadão exemplar" do título ou o advogado que não o defendeu como devia?). F. Gary Gray realiza aqui uma película competente, recuperando o talento de artesão ao serviço da indústria cinematográfica de Hollywood que havia revelado com "O Negociador" (1998). Não é um filme tão intenso e bigger than life quanto "...E Justiça Para Todos", de Norman Jewison (até porque Gerard Butler e Jamie Foxx estão longe da classe de Al Pacino), mas - e o termo parece repetir-se nos últimos filmes aqui analisados - entretém. Nos dias que correm, isso já não é mau!

Trailer de "Um Cidadão Exemplar", de F. Gary Gray

terça-feira, 11 de maio de 2010

"Morte no Deserto" - nova incursão pelo universo de Stephen King


Jeff Beesley assina esta nova adaptação para cinema de uma short story de Stephen King, o mais prolífico escritor norte-americano da actualidade.

A história anda em torno de uma jovem professora que testemunha uma horrenda execução em pleno deserto do Nevada, tornando-se testemunha sob protecção do FBI. No entanto, acaba por ser assassinada por mafiosos liderados pelo sinistro Jimmy Dolan, responsável por uma rede de tráfico de mulheres. É então que o marido da testemunha assassinada decide encetar um plano para vingar a morte da mulher.

"Morte no Deserto" não tem o fulgor dramático nem o rigor estético de anteriores adaptações da obra de King (sobretudo, de "Conta Comigo" e "Misery", ambos realizados por Rob Reiner), limitando-se a entreter o espectador durante cerca de 90 minutos. Do seu visionamento fica, aliás, a sensação de termos estado a assistir a um filme que daria uma excelente curta-metragem, mas pelos vistos Jeff Beesley gosta de encher chouriços.

Trailer de "Morte no Deserto", de Jeff Beesley

Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...