Christopher Nolan tem, desde o soberbo "Memento", alicerçado uma carreira de autor, que se arrisca a ficar na História da Sétima Arte como o melhor realizador da sua geração. Faltava, aliás, insuflar novo sangue numa hollywood empalidecida desde a década de noventa (Tarantino foi uma das raríssimas excepções). O seu último filme, "A Origem", leva ao extremo as premissas das películas anteriores (sobretudo, "Insomnia" e "The Prestige"), penetrando nas profundezas da mente humana e aprofundando a sua pessoal reflexão em torno da ilusão.
Em "A Origem" instalamo-nos, enquanto espectadores, numa espécie de alegoria da caverna platónica, questionano-se, permanentemente, o que é o real. Neste sentido, o filme pode ser entendido como uma densa indagação ontológica, metaforizando também o cinema, simultaneamente, como arte de sombras e arquétipos do real.
"A Origem" é uma obra visualmente fascinante, mas que, tendo em conta a complexidade do argumento, exige, ao cinéfilo, plena concentração, o que faz deste um filme com sentido de ousadia e risco. Uma excelente forma de começar o ano!

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