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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão


Em O Rapaz da Montanha, Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumidamente autobiográfica. O disco convoca memórias da infância e juventude num país ainda marcado pela ditadura, mas projeta igualmente as conquistas e virtudes da democracia nascida após o 25 de Abril de 1974. A música, fiel à identidade do compositor, mantém-se melancólica, nostálgica e orquestral, explorando paisagens sonoras que oscilam entre a intimidade pessoal e a memória coletiva. Ao mesmo tempo evocativo e reflexivo, o álbum confirma a singularidade de Rodrigo Leão enquanto narrador musical da experiência portuguesa, capaz de transformar recordações em emoção partilhada e em obra de grande densidade artística.
Um disco bem apropriado para nos acompanhar nestes dias pré-outonais.



terça-feira, 12 de maio de 2020

Banda sonora para tempos de pandemia (2) - Moon Halo: "Chroma"


Para os puristas do pop-rock certeiro, com pinceladas de rock progressivo, que há muito esperavam por um disco essencial sem canções a mais, aí está (em boa verdade, desde o início do ano) uma pérola que marcará, de modo indelével, as edições discográficas de 2020.

"Chroma", do projeto Moon Halo, liderado por Iain Jennings (dos Mostly Autumn) e Marc Atkinson (dos Riversea), está cheio de (apenas) boas canções. Ouça-se "Seize the day", "What's your name"ou "Rise up" e perceba-se porque é que este é um álbum viciante.

sábado, 11 de abril de 2020

Banda sonora para tempos de pandemia (1) - Epic Tantrum: "Abandoned in the stranger's room"


Em tempos de confinamento e isolamento social, recolhemos às nossas casas, tornando-as, literalmente, o mundo. O nosso mundo.

Sob a égide deste novo paradigma existencial, continuamos a precisar de arte (quase) como de pão para a boca. É talvez na arte (e na religião) que encontramos e (re)criamos o paraíso perdido, ainda que (sempre) com a perspetiva do inferno. 

Tais cenários (pre)ocupam e (pre)enchem o primeiro disco (premonitório) dos nova-iorquinos Epic Tantrum. 

Da fabulosa capa às letras e à mescla de rock progressivo, com funk, soul e heavy-metal, "Abandoned in the stranger's room" é música para ensandecer em delírios catárticos que podem bem ser o antídoto para quem ainda acredita que o mundo vai voltar a ser como na era pré-COVID-19.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Banda sonora para o inverno (18)

Lou Reed já não tem nada a provar ao mundo; os Metallica, provavelmente, também não; talvez por isso tenham procurado seguir novos caminhos, explorando outras sonoridades, trabalhando com dinâmicas não testadas anteriormante, no sentido da pesquisa musical e da experimentação poética. 

Lulu foi anunciado como uma fusão entre o ambiente noir do álbum Berlin (do músico nova-iorquino) e o peso de Master of Puppets (daquela banda de heavy metal). No entanto, em boa verdade, as dez canções, divididas em dois discos, que constituem Lulu não são de fácil assimilação, exigindo ao ouvido audições repetidas para se irem entranhando na alma. Baseado em textos do expressionista alemão Frank Wedekind, tem um ambiente negro, sórdido e de pendor psicanalítico. Há quem considere que a presente obra nada acrescenta ao que estes músicos fizeram no auge das respetivas carreiras. De qualquer modo, canções como "Brandenburg Gate", "Little Dog", "Dragon" e "Junior Dad", de construção mais experimental e menos heavy, merecem audição atenta e justificam a compra do disco.

Lançado no último outono, Lulu é, sobretudo, um disco de inverno.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Fabuloso editorial de Miguel Francisco Cadete, diretor da revista Blitz, na edição de outubro. No artigo de opinião, confronta-se o universo discográfico de 1991 (ano de discos como "Use Your Illusion" dos Guns'N'Roses, "Ten" dos Pear Jam, "Blood Sugar Sex Magik" dos Red Hot Chili Peppers, "Achtung Baby" dos U2, "Out Of Time" dos REM, e "Nevermind" dos Nirvana) com o mundo das edições de música de 2011. De facto, muita coisa mudou desde esse ano dourado (talvez o último) do rock. 

1991 foi, também em Portugal, um ano de clássicos como "Rock in Rio Douro" dos GNR, "Tinta Permanente" de Sérgio Godinho, e "O Fogo" dos Sétima Legião. "Entretanto, aconteceu a massificação da internet. Ganhámos a livre circulação de música - que se tornou fluida e sobretudo grátis - e perdemos, não há maneira de não reconhecer esta verdade, toda a aura, mistério e estatuto a que um maníaco por música acedia quando comprava um daqueles discos. Isso não existe mais, graças ao download gratuito. (...)

Cá, como lá, essa foi também a última época de ouro da indústria discográfica que, ainda hoje, não sabe como reagir à evolução que a tecnologia impôs. Um dia destes, valerá a pena fazer as contas entre o que ganhámos e o que perdemos", escreve Miguel Francisco Cadete.

sábado, 25 de junho de 2011

Clarence Clemons (1942-2011) - So long, Big Man

Clarence Clemons, icónico saxofonista da E Street Band de Bruce Springsteen, partiu para outras paragens, quiçá cósmicas, onde outros seres, quiçá superiores, terão o privilégio de se elevar ao som da sua música.

Como muitos outros adolescentes da década de 80, cresci a ouvir os teus solos em "Born To Run", "Jungleland" e "Bobby Jean". Contigo, dancei no meu quarto. Agora, dança no escuro, Clarence. O teu saxofone dar-lhe-á luz.

"Jungleland"

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Templários do Rock

Acabo de ter o privilégio de ouvir um novo projecto musical que - espero - venha a ser alvo da atenção dos media e do público que, indiscutivelmente, merece. Num novo século que, em Portugal, começou muito mal em termos políticos (com um péssimo governo que se perpetua absurdamente há tantos anos, é difícil classificar esta como uma época conturbada), as bandas de rock nacionais têm demonstrado uma estranha indiferença a este desgoverno que ousa conduzir a embarcação sem bússola e sem sequer saber olhar o universo e ler as estrelas. Longe vão os tempos de um pop-rock interventivo e com vontade de agitar as consciências. Aguarde-se, então,  o disco a que me refiro e retenha-se, por enquanto, o nome: Templários do Rock. É rock'n'roll puro, crítico e directo ao osso. 

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

"A Mãe" - a música celestial de Rodrigo Leão

"A Mãe", último disco de originais de Rodrigo Leão & Cinema Ensemble é uma verdadeira obra-prima de um autor singular, que tem construído autênticas bandas sonoras povoadas de cinefilia e abstraccionismo. "A Mãe" reúne um conjunto de canções e instrumentais belíssimos compostos com uma sensibilidade intemporal. "Vida Tão Estranha", "This Light Holds So Many Colours", "Cathy" e "Sleepless Heart" são quatro dos temas que, há medida que se vão ouvindo uma e outra vez, dão asas à imaginação do ouvinte e elevam a alma. São trabalhos como este que nos permitem perceber quão perfeita foi a obra de Deus ao criar o Homem: dotar-nos de sentidos capazes de apreciar a Beleza e fazer Arte.


"Cathy" - Rodrigo Leão & Cinema Ensemble (voz de Neil Hannon)
 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

" A Mãe" - disco de Rodrigo Leão

A reputada revista francesa Les Inrockuptibles colocou o último disco de originais de Rodrigo Leão, "A Mãe", no quinto lugar da lista dos vinte melhores álbuns de 2010 na categoria World/Jazz. Motivo mais que justificado para, amanhã, repor o texto crítico que aqui postei em Agosto de 2009, a propósito do mesmo CD.

sábado, 12 de setembro de 2009

Banda sonora para o Verão (8)


Um dos melhores álbuns lançados na estação estival foi "Monuments and Melodies", dos Incubus. Trata-se de uma colectânea para (re)descobrir uma das melhores bandas rock das duas últimas décadas. Está lá tudo: "Black Heart Inertia", "Drive", "Anna Molly", "Wish You Were Here", "Nice To Know You", "Neither Of Us Can See", entre muitos outros monumentos e melodias. Uma obra-prima!
"Anna Molly" - Incubus

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Hmm!... Que deliciosa excepção!


Já tinhamos saudades de ver Carla Bruni a cantar, de viola na mão, em cima de um palco.

Aconteceu em Nova Iorque, na celebração do 91º aniversário do grande Nelson Mandela.

Depois de ter dito que nunca mais iria actuar em palco, a primeira-dama francesa cantou e tocou acompanhada por Dave Stewart (músico que formou com Annie Lennox os míticos Eurythmics). De fato preto, Bruni cantou uma versão arrepiante de "Blowing In The Wind", de Bob Dylan.

Esperemos que mais excepções como esta aconteçam. Quanto mais não seja, no 92º aniversário de Mandela.

Carla Bruni e Dave Stewart no 91º aniversário de Nelson Mandela


domingo, 19 de julho de 2009

Vinil (2)


O i publicou um excelente artigo sobre o vinil, nas páginas 34 e 35 da edição de 7 de Julho.

À semelhança do texto que postei aqui no dia 18 de Junho, podemos agora confirmar que a paixão pelos LP está novamente a crescer: em 2008 as vendas de discos de vinil cresceram 54 por cento. Segundo a Associação Fonográfica Portuguesa, os pedidos de álbuns no formato referido, das lojas às editoras, passaram de quatro, em 2007, para 2174 no ano seguinte.

Aproveito para deixar aqui o endereço do blogue de Júlio Marques, coleccionador e melómano aficionado do vinil: http://cultovinil.blogspot.com. Para quem gosta apaixonadamente de música.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

King of Pop



Michael Jackson, autor do álbum mais vendido de sempre, Thriller, faleceu ontem aos 50 anos de idade.

Quando ainda era uma criança, ao lado dos irmãos nos Jackson Five, e através da editora Motown, gravou vários discos de enorme sucesso, de onde sairam singles que se tornaram paradigmas da soul ("I Want You Back", "ABC", entre outros). Mas é a solo, com a colaboração imprescindível do maestro Quincy Jones, que, em 1979, Michael Jackson inicia uma carreira fulgurante inigualável e de um imenso valor artístico com o magnético Off The Wall. A este álbum seguiu-se o vibrante Thriller, de 1982, que ainda hoje permanece como o disco mais vendido de sempre (qualquer coisa como 106 milhões de discos). Cinco anos mais tarde, Bad confirma o seu estatuto de "Rei da Pop", com temas de um perfeccionismo notável e raramente alcançado por qualquer outro artista. Em 1991, Dangerous marca a entrada do artista na última década do século XX (seguir-se-ia o menor HIStory) e numa era marcada já pela proeminência do compact disc, pelo que o disco refelecte a tendência dos anos 90 ao incluir um número excessivo de canções que acaba por desequilibrar o todo, mesmo que temas como "Black or White" ou "Will You Be There" sejam autênticas pérolas da melomania. No primeiro ano do século XXI, editou ainda mais um cd de originais, Invincible, disco onde toca praticamente todos os instrumentos e que, em minha opinião, constitui uma obra-prima absoluta. Reconhecê-lo, exige que o ouvinte se abstraia dos fait-divers que ensombraram a vida privada deste brilhante músico e se concentre no essencial da sua obra, precisamente a música.

Não tenho qualquer pudor em afirmar a minha admiração por este artista completo: músico, cantor, actor e bailarino de excelência. Basta ouvir atentamente os seus discos para constatar o detalhe, cuidado e delicadeza colocados em todos as melodias. Nenhuma canção foi por ele construída e gravada a martelo, coisa rara num artista pop, cuja carreira atravessou quatro décadas. O seu estatuto de ícone maior da cultura popular é, claramente, inquestionável. Analisar a história da cultura do século XX, implica passar, de modo profundo e incontornável, pela obra e influência de Michael Jackson no mundo. Bastaria a sua música, mas não é apenas por ela. Também os seus videoclips tiveram a assinatura de cineastas maiores, como John Landis ("Thriller", "Black or White") e Martin Scorsese ("Bad"), afirmando-se hoje como paradigmas da imagética popular contemporânea.

Vi o filme "Moonwalker", realizado por Jerry Kramer, Jim Blashfield e Colin Chilvers, numa sala de cinema já extinta, em Matosinhos. Trata-se de um exercício de estilo autobiográfico e iconográfico que, melhor do que qualquer documentário ou biografia (não) autorizada, ajuda a compreender a complexidade do ícone pop que agora desapareceu. Na altura, quando saí do escuro da sala de cinema, fiquei com uma certeza: Michael Jackson queria ser (re)conhecido e apreciado pela sua música, não pelos rumores mais ou menos escandalosos em torno da sua vida privada. O videoclip da canção "Leave Me Alone" (extraído do filme) é transparente quanto a esta vontade do cantor.

Umas vezes hedonista ("Don't Stop 'Till You Get Enough"), outras com profunda mensagem moral ("Heal The World"), ou ainda rocker duro e agressivo ("Dirty Diana"), por vezes intensamente romântico ("I Just Can't Stop Loving You") e frenético ("Beat It"), o rei da pop encarnou sempre com alma cada uma das suas personas. Além disso, foi o primeiro cantor afro-americano com temas regularmente exibidos na MTV, cujos espectadores eram, nos anos 80, sobretudo adolescentes brancos.

Este ano, Michael Jackson tinha prometido uma última tournée - "This is it" -, uma espécie de despedida final para os fãs que teria início no próximo mês na capital inglesa.

A pop ficou orfã do seu rei.

Michael Jackson - Leave Me alone (excerto de "Moonwalker")



quinta-feira, 18 de junho de 2009

Vinil


Por alturas da Páscoa, no passado mês de Abril, explorei a considerável secção de discos de vinil numa loja fnac. Irromperam-me na memória recordações de infância e adolescência em que o prazer de receber ou comprar um disco só era comparável aos serões de Verão com os amigos que moravam na mesma rua que eu.

Desde muito pequeno (3/4 anos de idade) que, quando me pergutavam o que queria como prenda de aniversário, pedia um disco, acrescentando sempre o artista ou banda correspondente, de acordo com as minhas preferências. Ah! E quão agradável era começar por explorar a capa e a contra-capa do 45 ou 33 rotações, ler atentamente o título das canções e a respectiva ficha técnica! Depois, retirar cuidadosamente o disco, pousá-lo no gira-discos, colocar a agulha e ouvir os "piquinhos" desta a roçar no vinil e a precederem os primeiros acordes da canção. Para quem se limita a ouvir música avulso, sem se preocupar em conhecer o(s) artista(s), o conceito que preside ao disco, a discografia do(s) músico(s), enfim, sem querer perceber o contexto em que a obra surge, dificilmente compreenderá a sensação de autêntico deleite que procurei descrever anteriormente.

Nesse dia de Abril, evoquei também os intervalos na escola em que tomava conhecimento das novidades discográficas que o meu amigo João Paulo acrescentara à sua, já então, extensa e digníssima colecção. Combinávamos levar, no dia seguinte, cada um o seu disco para os trocarmos. Ou, noutras alturas, em que só um tinha alguma novidade, era esse que levava orgulhosamente um LP debaixo do braço. Aí, havia que comprar uma cassete virgem para gravar as canções. E com que prazer escrevia o nome das mesmas na etiqueta que identificava a cassete!
As recordações estão, normalmente, associadas a odores. A memória olfactiva é, juntamente com as memórias icónica e ecóioca, de suma importância, condição de registo e recuperação da informação armazenada algures na memória a longo prazo. Ora, o odor dos discos de vinil - que não consigo descrever, mas tão somente sentir - estará, para mim, sempre associado às lojas de discos que costumava frequentar em Leça da Palmeira, Matosinhos e Porto. La vie en rose, Electromar, Tubitek, Bimotor, Roma Megastore, entre outras, foram lojas que encerraram ou simplesmente deixaram de vender discos.

Nesta era de tão fácil acesso à música, em que se tem vindo a perder o conceito de álbum, preferindo-se a procura de colectâneas, quase sempre desprovidas de critério unificador ou que dê sentido às escolhas, é bom constatar o surgimento de nichos de resistentes que optam pela qualidade, cultores da estética, melómanos convictos. Daí que já haja quem aponte no vinil a salvação da indústria discográfica.
Quanto a mim, não embarco em profecias fáceis. Os LP de vinil talvez sejam a solução para a sobrevivência de algumas editoras, sobretudo as que se dedicam a géneros específicos como o jazz ou o heavy-metal. Mas não mais que isso.

Apreciar a música, sorvendo-a a partir da sua fonte original, no modo como os discos foram gravados e pensados para serem escutados, trata-se, antes de mais nada, de privilegiar a fruição sobre o mero consumo, o deleite esteta e a procura do sublime na arte em detrimento da mera diversão hedonista e/ou inconsequente.

"Vulture Culture", dos Alan Parsons Project; "Emergency", dos Kool and the Gang; "Kiss me Kiss me Kiss me", dos The Cure; "The Unforgetable Fire", dos U2; o disco homónimo dos Go West; "Please", dos Pet Shop Boys; "Brotherhood", dos New Order; o "Rattlesnakes", de Lloyd Cole and The Commotions; "Notorious", dos Duran Duran; "O Despertar dos Alquimistas", do Fausto; o "Sete Mares", da Sétima Legião; "Libertação" dos Delfins; o álbum homónimo e injustamente esquecido do músico australiano Tim Finn; o "Born To Run" do Bruce "the boss" Springsteen, entre tantos outros, foram discos que orgulhosamente transportei debaixo do braço.

Redescobri alguns destes discos em casa dos meus pais. Desempoeirei-os e levei-os para minha casa. Um ou dois dias depois fui à Worten comprar um gira-discos. Experimentem fazer o mesmo. Como está escrito no autocolante colado ao plástico que reveste alguns dos vinis à venda na fnac, "listen to the sound the artist wanted you to hear when he recorded this album".
Fica lançada a sugestão.

Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...