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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

TIME (6) - personalidade do ano: o manifestante

A Primavera Árabe resultou da indignação e do inconformismo, e a luta pela democracia, em que se traduziu, teve o apoio dos países ocidentais, porque só a democracia promove o respeito pelos Direitos Humanos. Mas estarão as democracias ocidentais, hoje, com as suas políticas e a financeirização da economia que sustentam, a promover os Direitos do Homem? Os desempregados jovens, cada vez mais qualificados, materializam as estatísticas de forma arrepiante, por estarem não apenas à nossa porta mas dentro de casa, à espera, à espera. Todavia, são muitos aqueles que não se conformam com a falta de oportunidades e com o horizonte de esperança que os governantes das democracias históricas e consolidadas teimam em, progressivamente, encurtar. 

Este ano, um pouco por todo o mundo, milhões de indignados foram para a rua em ações de protesto (mais ou menos) organizadas - e prometem não desistir. Por isso, a revista TIME considerou que a figura do ano 2011 foi, precisamente, the protester.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

TIME (4) - a ascensão de Rick Perry e a rentrée cultural

Na edição de 26 de Setembro, a TIME traz dois artigos de leitura obrigatória, a saber: 

- uma longa reportagem sobre a ascensão do governador do Texas no interior do Partido Republicano. Para alguns, Rick Perry representa a natural alternativa às políticas de esquerda de Barack Obama (cujo estado de graça junto da opinião pública parece já ter terminado), bem intencionadas, é certo, mas, por enquanto, infrutíferas; para outros, a subida de Perry nos indíces de popularidade é produto do movimento ultraconsevador Tea Party e, em pleno século XXI, a atração das massas por abordagens ideologicamente ortodoxas e até fundamentalistas provavelmente sinaliza um radical retrocesso em relação a princípios basilares conquistados pelos ideólogos das Nações Unidas e mesmo em relação ao american dream. Não nos esqueçamos que Perry e os seus sequazes fazem das campanhas eleitorais prayer rallies, não levam a sério temas quentes como o aquecimento global e escarnecem da teoria da evolução;

- o segundo artigo, "The Culture", faz a antevisão da rentrée cultural, destacando os melhores filmes, livros e discos a serem editados neste outono. Entre os novos filmes de Jim Sheridan, Pedro Almodóvar, Lars Von Trier e Clint Eastwood, obras de Haruki Murakami e Stephen King, discos de Wilco, Feist e Ryan Adams, aguarda-nos um outono de exceção.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Time (3) - retratos de resiliência (11 de setembro, 10 anos depois)

A revista TIME dedicou a edição desta semana à análise da América do pós-9/11. É um número de colecionador que ficará para a História enquanto documento incontornável para quem, no futuro, quiser compreender o modo como o ataque ao World Trade Center alterou o curso da História, a política geo-estratégica, as alianças e conflitos entre Ocidente e Médio Oriente; mas, sobretudo, esta edição especial da TIME preocupa-se em destacar as pessoas que foram diretamente afetadas por aquela tragédia, os indivíduos, os seres únicos, cada um com as suas histórias e experiências pessoais em torno do ataque terrorista às torres gémeas.

É precisamente neste último ponto que o último número da revista é brilhante: nas entrevistas a diversas pessoas que sobreviveram ao atentado, ou perderam familiares nesse dia em Nova Iorque, ou foram vítimas de bombardeamentos da Força Aérea norte-americana no Iraque, ou ainda àqueles que foram presos injustamente, vítimas da xenofobia que despertou na consciência de muitos americanos a pretexto do fundamentalismo islâmico que esteve na base da missão suicida e assassina da al-qaeda. Vítimas, agressores, cidadãos anónimos, bombeiros, militares, políticos, todos são relevados neste fabuloso e, repito, histórico número da TIME. 

Há que destacar também o belíssimo trabalho de fotografia de Marco Grob, responsável pelo portfolio que acompanha os artigos e entrevistas. As fotografias de rostos conhecidos e desconhecidos são arrepiantes no seu humanismo cru e sem efeitos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Time (2) - para acabar de vez com as dietas

A TIME, na edição desta semana, faz capa com um artigo de fundo assinado pelo popular Dr. Mehmet Oz, que se propõe refutar todos os mitos sobre os alimentos e, em especial, as dietas milagrosas. A prosa é esclarecedora e prendeu-me à sua leitura da primeira à última linha - isto vindo de uma escriba que nunca ligou patavina a semelhantes peças jornalísticas (sim, a TIME só publica textos de grande jornalismo). No final, chegamos à conclusão de que as nossas mães é que tinham razão: deve-se comer de tudo um pouco. O segredo está na moderação.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

TIME (1) - a Somália também somos nós (2)


A melhor revista do mundo, a TIME, traz na edição desta semana uma reportagem profunda sobra a tragédia que milhares de seres humanos estão a viver na Somália. Com o título Collateral Crisis, o artigo é assinado por Alex Perry e analisa todas as causas (políticas, sociais, étnicas, geográficas, ecológicas) do drama humanitário, ao qual, estranhamente (sinal dos tempos?), a imprensa portuguesa não tem, salvo raras excepções, dado o ênfase que o acontecimento naturalmente merece. 

A premissa do texto de Perry é a seguinte: de que forma uma bem sucedida campanha para encurralar terroristas islâmicos na Somália contribuiu para uma fome catastrófica que poderá matar milhares de pessoas? São dez páginas de informação e imagens absolutamente esclarecedoras e aterradoras. A ler, obrigatoriamente, porque num mundo globalizado a Somália bem pode ser já aqui ao lado.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Mário Bettencourt Resendes (1952-2010) - símbolo do jornalismo ético


Mário Bettencourt Resendes foi um jornalista exigente, movido por opiniões firmes, mas sempre ao serviço de critérios éticos e de rigor profissional. Foi director do Diário de Notícias, jornal que deixei de comprar quando, em 2003, Bettencourt Resendes abandonou o cargo.

Mário, manda notícias do paraíso!

Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...