Para assinalar 50 anos de carreira, os históricos Jethro Tull, do flautista mais icónico do rock, Ian Anderson, acabam de editar 50 for 50, uma retrospetiva de cinco décadas de carreira. Não substitui os álbuns originais onde cada uma das 50 partes deste acervo se inclui e adquire o seu primordial sentido, claro, mas é ainda assim uma tremenda coletânea e uma possibilidade de (re)descoberta para os mais esquecidos ou desatentos.
Ideias, opiniões, gostos, prazeres, fruições, sensibilidades e rotinas serão aqui registadas.
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quinta-feira, 26 de julho de 2018
terça-feira, 19 de setembro de 2017
Banda sonora para o verão (45) - Lana Del Rey: "Lust For Life"
O percurso de Lana Del Rey tem sido o da afirmação crescente de uma maturidade artística rara na pop do século XXI. Lust For Life é já o seu 4º álbum concetual, e faz prova da coerência estética e do talento narrativo da cantora e compositora norte-americana. A sua música evoca paisagens californianas, a memória de verões passados, romances de Kerouac, Hemingway, Pynchon e Mailer, retalhos do cinema noir clássico e de uma certa atmosfera lynchiana. Além disso, Lust For Life contém 13 Beaches, a melhor canção deste verão.
sábado, 9 de setembro de 2017
Banda sonora para o verão (44) - Roger Waters: "Is This The Life We Really Want?"
O novo álbum de originais de Roger Waters, maestro dos álbuns mais inspirados e inspiradores dos históricos Pink Floyd, é apenas o 4º LP a solo num percurso iniciado já há 33 anos com The Pros and Cons of Hitch Hiking. Compreende-se porquê. Waters é um perfecionista, criador de discos operáticos, concetuais, políticos, pensados ao milímetro, e precisa do apelo do real para justificar a urgência de um novo disco. Este conturbado início de século e, mormente, a eleição de Donald Trump constituíram razões mais do que suficientes para o músico reunir um conjunto de composições que foi criando a partir de poemas que escreveu nos últimos 20 anos.
Déjà Vu, The Most Beautiful Girl, Wait For Her, Part of Me Died ou o tema-título são canções delicadas que figurarão, indubitavelmente, no melhor cancioneiro que viu a luz do dia no ano da graça de 2017.
domingo, 3 de setembro de 2017
Banda sonora para o verão (44) - "Purple Rain", obra seminal de Prince
Candidato a reedição do ano, o disco Purple Rain do saudoso Prince inaugura a tão aguardada série de reposições da obra do malogrado génio de Minneapolis, pretexto para a reorganização do impressionante acervo sonoro legado pelo compositor.
Para além da redescoberta de um LP gravado numa época - os anos 80 do século XX - em que os álbuns eram pensados ao milímetro e com princípio, meio e fim, a nova edição de Purple Rain vai ao baú de Prince para democratizar canções que não foram incluídas no disco de 1984. Entre elas, o destaque recai em Our Destiny/Roadhouse Garden e 17 Days.
Soul, funk, r'n'b e rock progressivo misturados pela visão criativa de Prince, Purple Rain é tudo isso e muito mais.
terça-feira, 8 de agosto de 2017
Banda sonora para o verão (43) - Uriah Heep: "Demons and Wizards"
A obra-prima dos Uriah Heep. Álbum constituído por 9 canções que poderiam ter resultado em 9 singles. Impossível e injusto, portanto, destacar alguma faixa, sob pena de desrespeitar o todo. É certo que não há aqui nenhuma July Morning, mas há um disco despudorada e assumidamente rock and roll. É 1972 em 2017.
segunda-feira, 7 de agosto de 2017
Banda sonora para o verão (42) - Uriah Heep (2): "The Magician's Birthday"
The Magician's Bithday é um álbum fabuloso, reeditado este ano. Contém clássicos intemporais como Spider Woman (canção destrambelhada, puramente hedonista), Blind Eye (lição de harmonias fundadoras do melhor rock progressivo), Rain (balada exemplar) ou Sweet Lorraine (a reedição contém a versão single desta canção).
domingo, 6 de agosto de 2017
Banda sonora para o verão (41) - Uriah Heep (1): "Look At Yourself"
De entre as quatro maiores bandas britânicas da década de 70 do século passado (Deep Purple, Led Zeppelin, Black Sabbath) os Uriah Heep terão sido aqueles que, fazendo o percurso mais discreto, melhor sobreviveram ao tempo. Não porque tenham construído uma carreira mais duradoura (os Deep Purple ainda estão aí para as curvas), mas porque as suas canções (mormente as dos três álbuns que agora se reeditam) bem podiam ter sido gravadas em 2017, empalidecendo tantos outros grupos que se esforçam por recuperar neste século o rock clássico mais desgarrado e encorpado dos Uriah Heep.
Look At Yourself foi o primeiro tomo de uma trilogia editada num período de 13 meses (entre novembro de 1971 e o Natal de 1972). Aqui encontramos a power ballad July Morning (consta-se que é o hino rock mais popular na Bulgária) e o tema-título, Look At Yourself, intensificados pela portentosa voz de David Byron.
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Banda sonora para o verão (40) - "The Comedian": banda sonora de Terence Blanchard
Enquanto The Comedian, película de Taylor Hackford, não tem honras de estreia por cá, temos o privilégio de poder desfrutar de um dos melhores discos do ano que vai já a meio. É jazz do melhor composto por um dos mais respeitados trompetistas das últimas três décadas, Terence Blanchard, que aqui toca na companhia de outros músicos de eleição: Ravi Coltrane, Kenny Barrow, Carl Allen, David Pulphus e Khari Allen Lee.
terça-feira, 11 de julho de 2017
Banda sonora para o verão (39) - Big Big Train: "Grimspound"
Apenas um ano depois do lançamento de Folklore, a banda mais inglesa dos últimos 20 anos está de regresso com um disco mais complexo e difícil: Grimspound.
Inspirado na vida de um piloto inglês da I Guerra Mundial, o novo álbum reúne um conjunto de canções que exigem audições atentas e sucessivas, mas que, progressivamente, se vão entranhando.
A canção de abertura, Brave Captain, é uma engenhosa tapeçaria de harmonias que figurarão, decerto, na memorabília dos clássicos mais refinados do rock progressivo. No entanto, destaquemos aqui a canção mais curta, pastoral e delicada do disco: Meadowland.
domingo, 9 de julho de 2017
Banda sonora para o verão (38) - "The Big Dream": o 2º tomo da trilogia Lonely Robot
John Mitchell é um artista responsável por muitos projetos musicais (It Bites, Arena e Frost, por exemplo), todos dignos de nota e tendo em comum o lado concetual de álbuns pensados e compostos com razão e emoção em doses equilibradas. The Big Dream é a segunda parte do seu projeto mais pessoal até à data, Lonely Robot.
The Big Dream é, então, o digno sucessor de Please Come Home (álbum que contou com preciosas colaborações de Peter Cox e Nik Kershaw). É um disco riquíssimo em melodias prog-rock, que dão continuidade à história de ficção científica inciada no CD anterior. Desta vez, o astronauta desperta de um sono criogénico para descobrir que, aparentemente, já não está no espaço, mas sim num bosque e rodeado por pessoas com cabeças de animal. E mais não é preciso desvendar. Agora é ver (o singular design gráfico), ler (o livreto) e, sobretudo, ouvir canções memoráveis, como In Floral Green e The Divine Art of Being.
sexta-feira, 7 de julho de 2017
Banda sonora para o verão (37) - "Confessions from the south", de Sandy Kilpatrick and The Origins Band
Confessions from the south é uma obra intensa, quase religiosa, assinada por um músico escocês a viver em Portugal há mais de uma década.
Estamos perante um sentido ato de amor a Portugal (ilhas incluídas), país onde o pássaro da democracia voa num perpétuo abraço fraterno à liberdade. Ora, é esta encantada e encantatória ideia de liberdade que motiva Sandy Kilpatrick a compor canções emocionais (quase litúrgicas!) como Whispering wind, The delphic oracle e Stand united with your brothers.
O verão começa aqui, num CD (e num país) que é um autêntico oásis de felicidade.
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
Banda sonora para o verão (36) - Gong: "The Radio Gnome Trilogy"
A reedição dos álbuns Flying Teapot, Angel's Egg (ambos de 1973) e You (de 1974), naquela que ficou conhecida como The Radio Gnome Trilogy, dos Gong, marcará, com certeza, o ano discográfico.
É cacofonia musical sob a forma de opereta rock de ficção científica, ou não fosse a banda de Daevid Allen (1938-2015) uma ilustre representante da música sem fronteiras e sem formatos. Em boa verdade, não é justo chamar-lhe rock, jazz, fusão ou música experimental, é tudo isso e, simultaneamente, outra coisa - é música inclassificável. É Arte. Como eles, só os Soft Machine (também fundados por Allen), Weather Report e King Crimson.
Memória gloriosa dos anos 70, uma década de rock progressivo e experimentação. Se Bowie era um extraterrestre, o seu planeta de origem era, provavelmente, governado por Allen.
terça-feira, 9 de agosto de 2016
Banda sonora para o verão (35) - "Malibu", de Anderson .Paak
"If i can balance between the old and the new, I'll obtain my satisfaction." São de Anderson .Paak estas palavras, rezam no fim da penúltima faixa de Malibu, Celebrate. O disco celebra a diversidade ao misturar subtilmente soul, funk, hip-hop e até R&B. Sempre com equilíbrio e harmonia.
The bird, Heart don´t stand a chance ou The dreamer revelam-se verdadeiros testamentos musicais que acompanharão, com certeza, os melhores momentos vividos por estes dias cálidos.
terça-feira, 30 de junho de 2015
Banda sonora para o Verão - Steven Wilson: "Hand. Cannot. Erase."
Aviso à navegação: o novo álbum de Steven Wilson é uma obra de arte. Concetual, como convém na obra do rocker britânico, Hand. Cannot. Erase. é uma peça única na história da música popular. Inspirado na história verídica de uma mulher que terá estado morta durante três anos no seu apartamento, numa cidade do interior de Inglaterra, sem que ninguém tivesse dado pela sua falta, o disco tem a alma de um ser maior. Conselho a quem não está familiarizado com o universo dos LP concetuais: comece por ouvir Perfect Life, Happy Returns e a canção-título. Esta era de música enlatada e de canções soltas dificulta o treino da sensibilidade. Mas, como diria Pavlov, o exercício apura o gosto estético. Para os mais exigentes, aconselha-se a compra da edição em vinil.
domingo, 21 de junho de 2015
Banda sonora para o Verão - A Secret River: "Colours of Solitude"
Segredo bem guardado no sul da Suécia, A Secret River é música composta com todos os sentidos. Fazendo (novo) uso de harmonias clássicas do rock progressivo mais melodioso, a banda nórdica assina Colours of Solitude, um disco onde o todo é mais do que a soma das partes. É música para sonhos bucólicos com a luz de um fim de tarde de verão.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Banda sonora para o verão (32): Modernos - "#1"
Projeto paralelo dos Capitão Fausto, os Modernos acabam de lançar o EP de estreia, convenientemente intitulado #1. Com claras semelhanças à banda de origem, os Modernos apresentam, todavia, um som mais cru e direto ao osso. São quatro canções despidas de grandes ornamentos, que devem mais ao punk do que ao rock progressivo. A ouvir.
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Banda sonora para o verão (31): Ceuzany - "Nha Vida"
Ceuzany é um dos talentos emergentes de Cabo Verde. O seu álbum de estreia, Nha Vida, é uma excelente banda sonora para aquecer um verão ameno. São 11 revigorantes faixas cantadas em crioulo que redirecionaram alguns ouvidos para a música que se faz em Cabo Verde. "Ultimo Chance", "Na Ondas Di Bô Corpo" ou "Se Amor" são canções quentes que merecem ser ouvidas repetidamente.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Banda sonora para o verão (30): James - "La Petite Mort"
A segunda vida dos James (após o interregno entre 2002 e 2007) consegue ser ainda mais interessante que a encarnação anterior. De 2008 até 2014 a banda de Manchester gravou três LPs que, mantendo a linha melódica que constitui a imagem de marca de Tim Booth e companhia, são de um vigor descaradamente pop. É verdade que La Petite Mort está uns furos abaixo de The Morning After, álbum de 2010, pois naquilo que este tinha de ousadia formal e profundidade poética aquele oscila entre canções assumidamente despretensiosas ("Curse Curse" e "Frozen Britain", por exemplo) e o statement filosófico (a belíssima "Walk Like You" e a amarga "Quicken The Dead"). La Petite Mort, todavia, é um disco capaz de fazer corar de vergonha a maior parte das bandas jovens, tal é a força, a garra e a convicção com que os James defendem as suas canções.
Talvez o melhor disco pop deste verão.
domingo, 15 de setembro de 2013
Banda sonora para o verão: Lloyd Cole - "Standards"
Lloyd Cole regressa aos grandes discos com "Standards". Ao contrário do que o título poderia sugerir, o novo opus do músico nova-iorquino é constituído por onze canções originais inspiradas na renovada energia de Bob Dylan em "Tempest" (disco alvo de recensão crítica, há cerca de um ano atrás, neste blogue). Com a preciosa colaboração de Joan as Police Woman (piano metronómico), Fred Maher (bateria), Matthew Sweet (baixo), Blair Cowan (teclista dos Commotions) e do seu filho Will Cole (guitarra), o autor de "Rattlesnakes" gravou um sereno disco de rock, conseguindo momentos de elevação poética só comparáveis a Leonard Cohen, Lou Reed e, claro está, Bob Dylan. "Period Piece", "Myrtle and Rose", "No Truck" e "Kids Today" são canções da mais fina estampa a anunciar a iminência do outono.
Lloyd Cole - "Period Piece"
sábado, 24 de agosto de 2013
Banda sonora para o verão: Unitopia - "Covered Mirror Vol. 1"
Unitopia é uma banda australiana com uma carreira discreta, mas marcada por uma coerência estética impressionante. Há alguns meses editaram um disco de homenagem às bandas e aos artistas que os inspiraram na construção de álbuns concetuais próximos do neo-prog iniciado nos anos 80 por bandas como Marillion, Pendragon, It Bites e IQ. "Covered Mirror Vol. 1" (com o subtítulo "Smooth As Silk") é uma obra sublime na forma como os Unitopia transfiguram clássicos dos Yes, Genesis, Klaatu, Marillion, entre outros, e os tornam seus. Dito de outro modo: apesar da grandiosidade das canções originais, as versões do grupo australiano ganham vida própria, com pleno direito de coexistirem com as anteriores. Trata-se, portanto, de um LP obrigatório.
Unitopia - "Easter"
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