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quarta-feira, 28 de julho de 2021

Blake Edwards (2) - "A Semente de Tamarindo"(1974)

Judith Farrow trabalha no Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico. De passagem pelas Caraíbas, Judith apaixona-se por um adido militar russo e o caso desperta suspeitas nos dois lados da Cortina de Ferro.

A partir de um romance de Evelyn Anthony, e filmado nas Caraíbas, em Paris, Londres e Canadá, Blake Edwards constrói um argumento com todos os sinais da década de 70 do século XX. Em boa verdade, estávamos em plena Guerra Fria e o filme reflete o clima de tensão leste-oeste. No entanto, interessa a Edwards não tanto a intriga política mas mais a história de amor entre uma funcionária pública britânica (interpretada por uma etérea Julie Andrews) e um espião russo (um sedutor Omar Sharif).

O genérico de abertura é digno de antologia. Com música assinada por John Barry, A Semente de Tamarindo evoca claramente os créditos iniciais dos filmes de James Bond. É, contudo, um filme menor na extensa filmografia de Edwards.


segunda-feira, 12 de julho de 2021

Blake Edwards (1) - "Uma voz na escuridão" (1962)

Blake Edwards, cineasta responsável por inúmeras comédias inesquecíveis (por exemplo, a série Pantera cor-de-rosa, com Peter Sellers), experimentou vários registos. Uma voz na escurdião marcou a sua incursão pelo thriller, resultando num dos maiores filmes de sempre do género.

A primeira cena introduz logo o conflito numa sequência longa (filmada quase num só grande plano) e aterradora. Uma mulher acaba de estacionar o carro na garagem de casa quando é atacada por um assassino, que a agarra pelas costas e lhe exige que roube cem mil dólares do banco onde trabalha sob pena de assassinar a sua irmã adolescente. A voz do agressor é cavernosa, denunciando que sofre de asma. Nós, os espectadores, saímos da cena com a sensação de que o chão vai desabar por baixo dos nossos pés.

Os planos de Uma voz na escuridão são desenhados com o rigor de um arquiteto; a banda sonora de Henry Mancini (habitual colaborador de Edwards) é arrepiante; Glenn Ford (no papel do agente do FBI responsável pela investigação do caso) e Lee Remick (na pele da mulher ameaçada) são soberbos na arte da contenção, nunca se sobrepondo à narrativa; e a sequência final no estádio de baseball é uma lição de realização ao nível de mestres como Hitchcock ou Brian de Palma. 

Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...