Em A História de Souleymane, Boris Lojkine constrói um retrato cru e profundamente humano de um jovem imigrante da Guiné que vive em Paris como estafeta de entregas. O filme aposta num realismo direto, despojado de artifícios, em que a câmara acompanha de perto as dificuldades, a precariedade e a dignidade de quem luta por um lugar no mundo. A narrativa, simples na sua forma, revela-se exemplar na sua capacidade de dar voz a uma realidade tantas vezes invisível, erguendo-se ao serviço das personagens e, em última instância, da humanidade. Com ressonâncias do cinema verité e ecos de mestres como Vittorio De Sica, Ken Loach ou os irmãos Dardenne, A História de Souleymane impõe-se como uma das grandes obras do ano: contida, comovente e politicamente necessária.

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