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quinta-feira, 12 de agosto de 2021

"Veneno de Cobra" (1955) - de Michael Curtiz

Em 1955, Michael Curtiz, icónico artesão do cinema clássico norte-americano, realizou o filme de Natal menos natalício de que há memória. Trata-se de uma comédia perversa, de seu nome Veneno de Cobra (no original, We're No Angels), que tem por protagonistas Humphrey Bogart (num registo atípico, mostrando todo o seu talento como ator), Aldo Rey e Peter Ustinov, interpretando três foragidos da prisão francesa de máxima segurança da Ilha do Diabo. Os nossos (anti-)heróis planeiam assaltar uma honesta família de comerciantes e escapar num barco, mas acabam por se enternecer com os problemas financeiros e dramas românticos da simpática família, resolvendo (no mínimo, de forma moralmente questionável) os seus problemas, precisamente na noite de Natal.

Um filme simples, com diálogos inteligentes e hilariantes, desenhado com o rigor formal a que Curtiz sempre nos habituou (e deslumbrou).

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

"Natal Branco" - um clássico de Michael Curtiz

Natal Branco foi o 1º filme realizado para o formato VistaVision
Em 1954, Michael Curtiz já havia assinado há muito Casablanca. Também nesse ano, Bing Crosby e Danny Kaye eram já, há muito, estrelas maiores da música e do cinema. Natal Branco recuperava uma canção popularizada por Crosby muitos anos antes, consumando-se como uma obra icónica da época de ouro de Hollywood.

Repleto de coreografias inesquecíveis, de cenários como só a Hollywood do studio system conseguia pensar e executar, com uma fotografia de um rigor incomparável, incluíndo interpretações de atores completos (eram expressivos, cantavam, dançavam, moviam-se com graciosidade) e uma realização segura, que privilegiava enquadramentos e movimentos de câmara verdadeiramente antológicos, Natal Branco é uma fita exemplar de uma época - precisamente, a golden age - que jamais retornará a Hollywood.

O plano de abertura é uma autêntica declaração de intenções: em 1944, uma divisão do exército norte-americano, estacionada numa aldeia em Itália, aproveita um momento de tréguas natalícias para relembrar o Natal vivido em tempos de paz. Os cenários de guerra, com casas destruídas e um céu escurecido pelas bombas (em tempo de guerra não se vê luz), serve de homenagem perfeita aos homens que lutaram durante aquele terrífico conflito armado. E nós, espetadores passivos, na sala de cinema ou no conforto do lar, aproveitamos a cena inicial para viajar até àquele ténue momento de luz por entre as trevas e nos deixarmos deleitar com semelhante paleta estética. E - porque não? - com a voz perfeita de Bing Crosby.


Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...