sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

"Natal Branco" - um clássico de Michael Curtiz

Natal Branco foi o 1º filme realizado para o formato VistaVision
Em 1954, Michael Curtiz já havia assinado há muito Casablanca. Também nesse ano, Bing Crosby e Danny Kaye eram já, há muito, estrelas maiores da música e do cinema. Natal Branco recuperava uma canção popularizada por Crosby muitos anos antes, consumando-se como uma obra icónica da época de ouro de Hollywood.

Repleto de coreografias inesquecíveis, de cenários como só a Hollywood do studio system conseguia pensar e executar, com uma fotografia de um rigor incomparável, incluíndo interpretações de atores completos (eram expressivos, cantavam, dançavam, moviam-se com graciosidade) e uma realização segura, que privilegiava enquadramentos e movimentos de câmara verdadeiramente antológicos, Natal Branco é uma fita exemplar de uma época - precisamente, a golden age - que jamais retornará a Hollywood.

O plano de abertura é uma autêntica declaração de intenções: em 1944, uma divisão do exército norte-americano, estacionada numa aldeia em Itália, aproveita um momento de tréguas natalícias para relembrar o Natal vivido em tempos de paz. Os cenários de guerra, com casas destruídas e um céu escurecido pelas bombas (em tempo de guerra não se vê luz), serve de homenagem perfeita aos homens que lutaram durante aquele terrífico conflito armado. E nós, espetadores passivos, na sala de cinema ou no conforto do lar, aproveitamos a cena inicial para viajar até àquele ténue momento de luz por entre as trevas e nos deixarmos deleitar com semelhante paleta estética. E - porque não? - com a voz perfeita de Bing Crosby.


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