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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Prolegómenos para uma educação futura

Talvez seja importante relembrar agora as palavras do educador, escritor, teólogo, professor e filósofo, recentemente falecido, Rubem Alves:

"Há escolas que são gaiolas, há escolas que dão asas. Educar não é ensinar Matemática, Português... Isso pode aprender-se nos livros. Educar é ensinar a ver."

Rubem Alves queria ser recordado como um defensor das crianças e daquilo que elas deveriam aprender na escola. Na sua tese Teologia da Esperança Humana questionava: "Até onde conseguimos ir quando o caminho exige valorizar coisas tão esquecidas como a arte e a capacidade de aprender com olhos de criança?".

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O Estado da Educação Num Estado Intervencionado

De acordo com o Observatório de Políticas de Educação da Universidade Lusófona, depois de três anos de intervenção da troika, "os professores perderam cerca de 30 mil postos de trabalho. É a 2ª profissão com maior nível de desemprego, facto que se deve ao aumento do número de alunos por turma e a um empobrecimento das disciplinas - mais Matemática e Português, menos formação global".

Segundo o mesmo relatório, "a meritocracia -  e não a Escola para Todos, mas apenas para os que a merecem - revela-se numa escolaridade posta ao serviço do mercado de trabalho, desvalorizando a formação integral de crianças e jovens. (...) De uma escola pública com indicadores de qualidade, quer este Governo criar uma escola para a elite e uma outra para a dos outros. Voltaram os exames de todos os ciclos. Investir em educação hoje, século XXI, deveria ser - e não é! - a promoção e a colaboração de todos e não a reedição de ensinar a muitos como se fosse um só".

Um verdadeiro quadro negro para o ensino no século XXI. Em Portugal.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Educação cultural - in aefetivamente.blogspot.pt

Está a tornar-se cada vez mais difícil lecionar conteúdos culturais aos alunos. Muito mais do que  as dificuldades linguísticas de alguns, e da falta de jeito para a língua estrangeira, é o total desconhecimento de história, geografia, cinema, cultura em geral que é tremendamente assustador e desmotivante. 
Naturalmente que há um fosso geracional que se vai acentuando com a passagem do tempo, cá do meu lado. Eles continuam na mesma faixa etária de sempre e eu não. A nível da música isso é notoriamente percetível. Falam de coisas que desconheço, ainda que o meu fator idade não explique tudo. Podia ter à mesma os anos que tenho e saber tudo acerca das novidades musicais. 
Mas numa era em que a tudo têm acesso, nomeadamente através deste mundo fascinante que é a internet, tem vindo a agravar-se o desconhecimento generalizado sobre aspetos culturais, nacionais e ainda mais mundiais. O seu mundo é pequeno, cada vez mais pequeno, diria. Porque há um desinteresse total por saber mais e mais, mesmo que sejam apenas curiosidades ou conhecimentos extra aquilo que é necessário para terem boas notas e especializarem-se na sua área.
Todos nós temos lacunas várias e podemos sempre saber mais acerca de determinado assunto ou esfera. Há quem saiba muito de pintura mas não de cinema, por exemplo. Ou que saiba de ciências e nada de literatura. Ou muito de escultura e nada de geografia. E por aí adiante. Mas há um conhecimento geral, de nomes, figuras, lugares, acontecimentos, que é ou pode ser acessível à maior parte de nós. Com os condicionalismos vários do nosso quotidiano ou meio, educação e percurso profissional. 
Aquilo que angustia é que estes condicionalismos hoje estão mais esbatidos com um simples toque no rato do computador. Está lá praticamente tudo e tempo não parece ser algo que falte aos miúdos, comparativamente com os adultos e as responsabilidades do dia a dia. O desinvestimento nos conhecimentos culturais é enorme, e a falta de curiosidade também. Muitas vezes dizem não sei nada disso, ao que respondo não tem mal, hoje vais ficar a saber. Menos mal. Pior é quando dizem não me interessa nada disso. Porque é verdade.
Há também um aspeto que salta à vista da minha experiência pessoal. As raparigas perdem, se compararmos os dois géneros em termos de conhecimentos de cinema, geografia, política, sociedade, cultura geral. Porque será? Porque a coquetterie pessoal, os namoricos e os media de fraca qualidade levam avante? Os media, nomeadamente a televisão e alguma televisão privada, têm arrasado as gerações mais novas culturalmente. E isto serve para ambos os sexos, certamente. Apenas me dá a ideia que as miúdas se distraem com outras coisas mais  e são várias.
Não querendo generalizar muito, porque posso errar, a minha experiência é a que, de facto, tive sempre mais rapazes a partilhar e a mostrar curiosidade em aprender do que meninas, com muita pena minha. Há exceções, felizmente, mas tem sido assim. Por outro lado, uns e outros cada vez sabem menos, e parece-me que será transversal a muitas escolas, muitas mesmo. Ora isto é uma realidade dos diabos. Porque a angústia e a preocupação não se confinam a uma sala de aula, elas estendem-se a toda uma sociedade futura.

(Sempre defendi a ideia de haver uma disciplina de cultura geral obrigatória, uma vez por semana, com avaliação e tudo. Nunca a pude apresentar em lado nenhum, claro.)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Os Professores - por valter hugo mãe


Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em
livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não
guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns
professores como se fossem família ou amores proibidos. Tivem uma professora
tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao
menos entre os meus treze e os quinze anos de idade. A escola, como mundo
completo, podia ser esse lugar perfeito
... Ver mais de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada
indivíduo se vota a encontrar no seu mais genuíno, honesto, caminho. Os
professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se
o caminho das pedras na porcaria de mundo em que o mundo se tem vindo a
tornar. Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos
breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que
tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na
passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que
estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a
tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei
perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão
um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há
quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como
criar de novo aquele que os recebe. Os alunos nascem diante dos
professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do
entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores
versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante.
Punha-me a caminho de casa como se tivesse crescido um palmo inteiro
durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um
orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por
merecer que alguém os discutisse comigo. Houve um dia, numa aula de
história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga.
Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava
contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às
figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo.
Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela
solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes
do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a
minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na
verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha.
Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes.
Profundamente felizes. Talvez estas coisas só tenham uma importância
nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em
Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no
sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se estivesse a cumprir
uma sedução antiga, um amor que começara
muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem
dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos
oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível. Dá -me isto agora
porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio
povo. E porque me parece que perseguir e tomar os
professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores
são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum
miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da
maravilha que é a meninice dos nossos miúdos. É como pedir que abdiquem de
melhorar os nossos miúdos, que é pior do
que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do
que comer apenas sopa todos os dias. Estragar os nossos miúdos é o fim do
mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para
melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a
esperança toda de que, um dia, o mundo seja um
condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas
esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade,
disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista
para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de
afeto. As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os
professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é
indiferente ensinar
vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da
maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus
cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é
um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de
educar, não serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Carta aberta ao reitor da Universidade Lusófona - por João Miguel Tavares

Exmo. Reitor,

Foi com grande satisfação que soube que a Universidade Lusófona conferiu uma licenciatura em Ciência Política ao Dr. Miguel Relvas em apenas 14 meses, reconhecendo dessa forma a sua elevada estatura intelectual. Sempre sonhei com o alargamento das Novas Oportunidades ao Ensino Superior e fiquei muito feliz por terem dado o devido valor à cadeira de Direito que o senhor ministro fez há 27 anos com nota 10. Depois, naturalmente, o processo foi "encurtado por equivalências reconhecidas" (palavras do Dr. Relvas), após análise do seu magnífico currículo profissional.

É dentro desse mesmo espírito que vinha agora solicitar igual tratamento para a minha pessoa. Embora seja licenciado pela Universidade Nova com uns simpáticos 17 valores, a verdade é que o curso levou-me quatro anos a concluir e o Jornalismo anda pela hora da morte. Nesse sentido, e após análise da oferta disponível no site da universidade, venho por este meio requerer a atribuição do grau de licenciado em: Animação Digital (tenho visto muitos desenhos animados com os meus filhos), Ciência das Religiões (às vezes vou à missa), Ciências Aeronáuticas (já viajei muito de avião), Ciências da Nutrição (como imensa fruta), Direito (fui duas vezes processado), Economia (sustento uma família numerosa), Fotografia (tiro sempre nas férias) e Turismo (visitei 15 países). Já agora, se a Universidade Lusófona vier a ministrar Medicina, não se esqueça de mim. A minha mulher é médica, e tendo em conta que eu durmo com ela há mais de dez anos, estou certo de que em seis meses posso perfeitamente ser doutor.
Respeitosamente,
João Miguel Tavares
in Correio da Manhã, 06/07/12

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sobre a Reforma Educativa [ARTES]


Desde os alvores deste século que se tem procedido a um desmembramento da formação artística ao nível do ensino secundário; a formação dos alunos foi desossada da muito útil disciplina de Teoria do Design ou M.T.E.P. (Materiais e Técnicas de Expressão Plástica) e História das Artes foi transformada numa espécie de compacto de superêxitos culturais, onde quase tudo pode sair em exame e nada se fica a conhecer.

Nos últimos anos temos assistido à demolição do que resta da formação artística,  graças à biodiversidade ministerial e fazendo eco da indiferença do pacóvio indígena. Vamos ser honestos, o “tuga” só reconhece o valor das artes como adorno social ou panaceia para a gastrite existencial; a arte é uma sarna à qual é suposto aderir convenientemente e sem compromisso. Os poderes instituidos mais não fazem que replicar esta realidade que, no tempo presente, parece desembocar na prioridade em saber escrevinhar e contar salazarenta. Quanto ao ensino artístico...



Não temos tido massa crítica capaz de impor um travão à amputação que se tem vindo a afirmar. As agremiações de professores de Educação Visual, de artistas, de designers, arquitectos (etc.), têm-se recolhido na sua insignificância, mesquinhez corporativa ou simples inoperância, validando a situação presente. Mais do que estas, a maior parte dos “s’tores” não está para se chatear e reza em surdina para não ser atingido por estes desmandos, até ser tarde demais.
Quanto aos alunos que almejam uma formação artística decente, resta-lhes a sorte, a pobre sorte de, aqui ou ali, encontrarem professores que remendem o imenso buraco para onde são despejados.
A revisão na calha não deixará de espelhar uma sociedade civil predominantemente apática, parola e mal formada, que considera a educação artística uma coisa engraçada, sem lhe reconhecer o seu efectivo valor na formação dos indivíduos e ignorando o papel que a criatividade e a imaginação tem no progresso material das nações.
                                                                           in http://aprendiz-de-desenho.blogspot.com/2011/12/sobre-reforma.html

domingo, 4 de dezembro de 2011

Prolegómenos a toda a educação futura (2) - brilhante discurso de Amanda Gurgel

Eis um discurso de uma professora brasileira que põe realmente o dedo na ferida. Não há nem vozes isoladas, nem dirigentes sindicais cá no burgo, que revelem tamanha coragem e frontalidade. Para ouvir e refletir, obrigatoriamente!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Prolegómenos a toda a educação futura - Dia Mundial do Professor


Hoje relembra-se a importância dos professores enquanto mestres capazes de inspirar a nossa vida e ajudar-nos a construir a identidade pessoal e comunitária. Esta é, simultaneamente, uma das classes profissionais mais mal tratadas pelo poder político e pela opinião pública, mas unanimemente considerada a mais importante e insubstituível na construção de uma sociedade e de um futuro melhor.
Deixo aqui dois famosos aforismos, também eles inspiradores:
"O professor medíocre conta. O bom professor explica. O professor superior demonstra. O grande professor inspira." (William Arthur Ward)
"Um professor afeta a eternidade; é impossível dizer até onde vai sua influência." (Henry Adams)

domingo, 29 de maio de 2011

"Pensar o nosso país: O que fazer da Educação Portuguesa?"

Eis uma simples mas interessante reflexão publicada no site do semanário "Expresso" (no dia 25 de Maio de 2011), por João Monteiro Silva, estudante da Universidade do Porto no Curso de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

"É uma pergunta de difícil solução. Como resolver o nosso problema de falta de qualificação sem massificarmos administrativamente as competências e esbarrar-nos sistematicamente com indivíduos que mal sabendo ler ou escrever se outorgam a si próprios um diploma do 12º ano. Não é fácil mas tem solução.
O país deve perceber que as pessoas não se medem pelo número de anos que andam na escola nem as competências são proporcionais ao tamanho dos canudos universitários. Um terço das competências adquiridas na Universidade poderiam facilmente ser adquiridas no Ensino Profissional e outro terço não servem os interesses dos próprios estudantes, o que equivale a dizer que correspondem a cursos que só servem as Universidades e os interesses dos seus Reitores que recebem tanto mais dinheiro quanto mais alunos estiverem inscritos.
Em Portugal cometemos um erro terrível que passou por adotar um sistema educativo nórdico a uma população latina. Fiasco. Os nórdicos e anglo-saxónicos são por natureza metódicos, rigorosos e, sobretudo, competitivos. Já os latinos são naturalmente pouco rigorosos e laxistas na forma de encarar a vida e os problemas. Temos várias qualidades mas temos esses terríveis defeitos. Daí precisarmos muitas vezes de um verdadeiro estímulo e objetivo para trabalhar melhor. E quando nos dizem que estudando ou fazendo sorna o resultado passa sempre por passar de ano, então está-nos na massa do sangue fazer sorna. Os nórdicos e americanos, pelo contrário, esfolar-se-ão a trabalhar na esperança de que os outros trabalhem menos para assim serem mais ricos do que eles.
Daí a responsabilidade do Estado nesta matéria. O Estado, como garante primário da educação, deve ser rigoroso, metódico, exigente porque só dessa forma, num país latino, as pessoas também o serão. É um raciocínio linear, que pode funcionar mal na sociedade, mas a verdade é que os raciocínios simples são sempre os mais verdadeiros. Como em tudo, na vida, na educação ou na política, quando começamos a complicar, perdemo-nos.
Parta-se deste princípio e seremos todos melhores. Uns melhores agricultores e juízes, outros melhores operários fabris ou médicos. Porque cada um poderá desenvolver os seus talentos e não ser forçado a desenvolver aqueles que nunca teve ou terá.
E viveremos mais felizes, num mundo mais real e seremos, porventura, todos muito mais ricos."

quarta-feira, 16 de março de 2011

Ministério da "Inducasão" (10)

Isabel Alçada e seus cúmplices decidiram não atribuir o Prémio Nacional de Professores e o Prémio Mérito Integração, iniciativas promovidas em 2007 pela sua antecessora na pasta da educação. Sendo assim, o júri decidiu que nenhum candidato a professor do ano cumpria os requisitos de melhor docente, uma vez que, segundo o Ministério da Educação, "o objectivo desta iniciativa é reconhecer e galardoar os docentes que contribuam de forma excepcional para a qualidade do sistema de ensino". Ou seja, este ano das duas uma: ou todos os professores são bons; ou todos os professores são maus. Na verdade, com esta decisão, os cofres do Estado poupam 25 mil euros e... em tempos de crise... o que era importante há 4 anos atrás deixa de ter relevância.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Ministério da "Inducasão" (9)

O distrito de Viseu deverá ser o mais afectado na nova vaga de encerramento de mais escolas do primeiro ciclo, e alguns estabelecimentos de ensino receberam já ordem para não efectuar matrículas para o 1º ano. O Governo tinha previsto encerrar 400 escolas (sim, 400!), mas de acordo com as contas das autarquias são mais 254 a fechar portas. 

Que futuro espera um País que não cria incentivos à natalidade? Que anos serão esses, os que se avizinham, em que os jovens adultos não sentem que têm condições para se autonomizarem e construírem uma família? Que projectos de vida estarão a ser edificados? Que importância dá o Ministério da Educação à educação para a identidade? Que plano teleológico orienta o Governo de quem insiste em nos (des)governar?

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Pode alguém ser quem não é? - por José Matias Alves

Pode alguém ser quem não é? Pode um professor ser tudo? Um ser que instrui, cuida, socializa, e estimula? Que guarda e toma conta? Que é amigo, irmão, pai e mãe? Psicólogo, sociólogo, assistente social? Pode alguém ser quem não é?

Evidentemente que não. O professor não pode ser tudo o que se lhe está a exigir. Porque não sabe. Porque não pode. Porque neste excesso impossível de ser, corre o risco de não ser o essencial: ser professor.

E ser professor é ensinar, isto é, instruir, socializar e estimular. Ou, para sermos mais precisos e explícitos, fazer aprender os alunos. Diagnosticando as inteligências, os talentos e as vontades. Percebendo as resistências e os entraves às aprendizagens. E ensaiando as chaves capazes de abrir as portas da vontade, condição primeira do sucesso. Porque o verbo aprender não suporta o imperativo, o professor tem de se concentrar nessa tarefa essencial de despertar a sede de aprender. E quando o consegue, grande parte da sua missão de ensinar está cumprida.

E é também por isto, por esta muito difícil exigência, que o professor se tem de concentrar no que é: esse ser atento e frágil que muda o destino dos outros através do conhecimento e da exigência.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ministério da "Inducasão" (8)

De acordo com a edição do Jornal de Notícias de ontem, "todos os projectos desenvolvidos nas escolas - do desporto escolar aos clubes, planos de acção e tutorias - podem desaparecer. A suspensão consta da proposta de despacho de organização do ano lectivo que o Ministério da Educação enviou a associações e sindicatos.

"Qualquer atribuição de horas a agrupamentos ou escolas não agrupadas para dinamização de projectos, ainda que aprovados por serviços do Ministério da Educação, extingue-se com a entrada em vigor do presente despacho, carecendo de nova autorização do membro do Governo responsável pela área da Educação", lê-se na proposta de despacho de organização do ano lectivo (2011/2012) que o ME enviou a sindicatos e associações.

Mesmo sem a intenção declarada de suspensão, o diploma reduz "brutalmente" (alegam os professores) o crédito de horas das escolas e a redução da componente lectiva dos docentes pelo exercício de muitos cargos intermédios, o que já inviabiliza, por si, a continuidade dos projectos, garantem ao JN dirigentes sindicais e de associações de directores.
Se a proposta de despacho for aprovada em Conselho de Ministros sem alterações, a partir de Setembro, garantem directores e dirigentes sindicais ao JN, as escolas tornam-se estruturas "ingovernáveis" e regidas estritamente "por uma visão economicista em vez de pedagógica".
O Conselho de Escolas - órgão consultivo do ME - aprovou um parecer contra a proposta, por unanimidade. Os directores defendem que a proposta do Governo "desrespeita" princípios da Lei de Bases do Sistema Educativo, ao impedir as escolas, por redução de recursos humanos e dos créditos horários, de assegurarem projectos e apoios aos alunos.
"As propostas ora apresentadas comprometem o apoio educativo, a escola a tempo inteiro, as actividades (aulas) de substituição, o desporto escolar, o desenvolvimento de projectos educativos, o cumprimento das Metas de Aprendizagem, os objectivos a atingir até 2015 e, ainda, dificultam sobremaneira a gestão e administração da Escola Pública" - lê-se no parecer, aprovado dia 7."

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Em prol de uma melhor Educação (2)

"Aprender será, sempre, reconhecer. Reconhecer no sentido de reaprender as pequenas diferenças que nunca se tinham vislumbrado em tudo o que sabemos (tornando cada conhecimento mais simples, mais útil e mais humano).
É reconhecer como sinónimo de gratidão para com aqueles que tenham percebido que a tarefa preponderante de um educador não é fornecer conhecimentos mas não deixar que se apague o nosso desejo de aprender."
Eduardo Sá, Textos com Educação

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Uma aventura no Ministério (2)

Isabel Alçada acaba de protagonizar um vídeo fabuloso, onde surge num inesperado registo de humor, diria, britânico, caso não estivéssemos neste pacífico rectângulo à beira-mar plantado. Os Gato Fedorento que se cuidem, uma vez que finalmente encontraram uma equipa de produção à altura - a EDU TV PORTUGAL, precisamente.

Mensagem de Ano Novo da Sra. Ministra da Educação a alunos, pais e professores

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ministério da "Inducasão" (7)


A aventura de Isabel Alçada no Ministério da Educação continua, mas ainda sem a ajuda das gémeas Teresa e Luísa, Pedro, Chico e João. Resta-lhe o apoio de Sócrates (não, não é nenhum dos cães da famosa série de livros co-assinados pela actual ME, se bem que o Caracol assenta que nem uma luva ao praticante de jogging que também é PM nas horas livres) e a inspiração da anterior ministra e do actual Secretário de Estado do Emprego (estes dois dariam excelentes vilões para uma nova aventura literária de Alçada).

Desta vez, após 49 dias de atraso sobre o prazo prometido a professores, pais e autarquias, o Ministério da Educação publicou a lista das 689 escolas primárias que em Setembro terão as portas definitivamente trancadas. Um caso paradigmático e bem ilustrativo da falta de visão que grassa no dito ministério é o encerramento de uma escola de Lamego, que em 2009 foi considerada pela Microsoft uma das mais inovadoras do mundo. Porventura haverá aqui uma espécie de teleologia educativa que não consigo desvendar? Ou será que, com tantos desempregados no país, o real propósito seja delegar a educação integral dos petizes aos milhares de encarregados de educação a viver à sombra do rendimento mínimo?

Mesmo assim, talvez contagiada por Sócrates, o humorista (ler post de 21 de Julho de 2010), Isabel Alçada insiste em inflamar o país de optimismo com a seguinte pérola, digna das melhores piadas dos Gato Fedorento: "Posso assegurar que o ministério tomou medidas para que o início do ano lectivo se faça com alegria".

domingo, 22 de agosto de 2010

Ministério da "Inducasão" (6)


O jornal i noticiou que por 400 euros se pode comprar online um portefólio que dá acesso ao diploma do 12º ano das Novas Oportunidades. A Agência Nacional de Qualificação detectou o caso e apresentou queixa ao Ministério Público, admitindo a existência de alunos certificados com trabalhos "retirados integralmente da internet, e com base nos quais é feita a validação e certificação de competências".

Deve ter sido esse o fundamento que subjaz ao statement do Sr. Engenheiro José Sócrates, formado na excelentíssima e saudosa Universidade Independente, firmado em Dezembro do ano transacto: "O Programa Novas Oportunidades realizou os objectivos que tínhamos em mente". Ele bem sabe quanto lhe custou acabar o curso...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ministério da "Inducasão" (5)


A ministra da Educação pretendia acabar com os chumbos escolares, mas a sua proposta foi rejeitada por todo o espectro partidário. Seguindo o exemplo do primeiro-ministro e dos seus boys, Isabel Alçada objectivou assim as reais intenções do (des)governo socialista, a saber: criar uma cultura de desincentivo do esforço e do mérito. A ideia pressupõe que o sistema educacional português se assemelhe ao dos países nórdicos; no entanto, a mentalidade e o nível de literacia das famílias portuguesas está a anos-luz de distância dos povos do norte da Europa. Ou não fossemos nós o país do rendimento mínimo.

Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...