A reinvenção das aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos nos idos da década de 10 do século XX, na Cova da Iria, serve de pretexto para uma, por vezes esotérica, reflexão de José Luís Peixoto em torno da maternidade. Todavia, fica a sensação de que tal meditação serve mais para compensar as parcas ideias do autor (talvez na tentativa de ser mais fiel aos factos, não os deturpando) do que um claro propósito de servir a história. Que não pense o leitor que não tem em mãos um livro bem escrito. Claro que há harmonia nas palavras, simplesmente parece tudo mais forçado e menos solto que as obras anteriores.
Percebo que este devia ser um projeto antigo do autor, porventura uma resposta a Morreste-me (obra dedicada ao pai), mas enquanto que esta obra era indubitavelmente um exercício de luto e catarse, Em Teu Ventre transparece procura racional da(s) palavra(s) certa(s), pelo que é um livro menos apaixonado e espontâneo.

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