"Tron: O Legado" recupera um filme de culto do início da década de 80, dando-lhe continuidade e, sobretudo, a energia do 3D que a película bem merecia. Joseph Kosinski assina, desta vez, a realização e fá-lo com uma energia e profundidade visual impressionantes.
Jeff Bridges desdobra-se em dois papéis, o de Flynn (agora envelhecido e assumindo uma sabedoria mística própria da idade, mas também resultante do fracasso da sua tentativa em criar uma utopia digital) e de Clu (o seu eternamente jovem e maléfico avatar). A fita procura reflectir acerca da dicotomia real/virtual, fazendo a apologia do primeiro pólo e salientando o perigo do universo digital enquanto paraíso artificial hipervalorizado. No fundo, podemos ver "Tron: O Legado" como um filme cuja problemática merece ser analisada em complemento com "Avatar" (2009), de James Cameron. Sem ter o imediatismo popular do maior êxito de bilheteira de sempre, "Tron: O Legado" é um poderoso exercício de estilo, assente em coordenadas aparentemente clássicas, mas que legam para o futuro um ensaio incontornável acerca do século XXI.
Refira-se, contudo, que o filme está ainda muito presente na minha memória, exigindo talvez mais algum tempo para que a razão reflicta acerca da experiência visual em que a obra de Kosinski, essencialmente, consiste.
Trailer de "Tron: O Legado", de Joseph Kosinski

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