Já todos conhecem o aprendiz de feiticeiro, Harry Potter. É uma saga que já vendeu milhões de livros e foi (é) blockbuster cinematográfico, esgotando bilheteiras um pouco por todo o mundo. A primeira parte do último capítulo do atribulado percurso de Potter em direcção à adultez, traz a assinatura de David Yates nos comandos da adaptação da obra de J. K. Rowling. Mas o que mais se destaca, pelo menos aos olhos do cinéfilo português, é a fabulosa direcção de fotografia a cargo de Eduardo Serra.
Se atentarmos à carreira deste singular artesão, verificamos a importância da dimensão cromática, dos jogos de luz e sombras, enfim, um lado plástico único que caracteriza e distingue as películas em que Serra colabora. Vejamos dois exemplos: "What Dreams May Come" (1998), de Vincent Ward (neste filme, o céu e o inferno são telas em movimento); "O Protegido" (2000), de M. Night, Shyamalan (no melhor filme deste cineasta, o chiaroscuro eleva o thriller americano a um patamar estético irreplicável).
Escusado será aqui concentrarmo-nos na análise do mais recente filme de David Yates, já que nada acrescentaria ao que o espectador já sabe da épica saga infanto-juvenil. Refira-se, no entanto, que é um filme que assegura cerca de 150 minutos bem passados em família, aproximando, finalmente, o espírito das aventuras de Harry Potter à trilogia "O Senhor dos Anéis". Quero com isto dizer que "Harry Potter e os Talismãs da Morte" é uma obra mais adulta que as anteriores, facto que faz todo o sentido, uma vez que também acompanha o crescimento dos heróis e dos fãs que acompanham a série desde a infância. Para rematar tal envelhecimento, a fotografia de Eduardo Serra (que esperemos se mantenha no próximo capítulo) assume um papel insubstituível ao dar às imagens a luz e a sombra necessárias às trevas que ameaçam avançar sobre o mundo.

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