A morte é um tema recorrente na extensa filmografia de Eastwood como realizador. Desde o cantor country de "A Última Canção", passando pelo precocemente envelhecido Charlie Parker de "Bird - O Fim do Sonho", até ao confronto do caçador com a presa em "Caçador Branco, Coração Negro", não esquecendo a omnipresença da morte no vingador de "Imperdoável" e nos amantes adúlteros de "As Pontes de Maddison County", o enigma de sempre da humanidade tem sido o objecto de reflexão das películas daquele mestre. Mesmo no thriller "Dívida de Sangue" ou nos dramas "Mystic River", "A Troca" e "Gran Torino" a luta do amor contra a morte (no sentido, de ela ser o pretexto para o esquecimento daqueles que amamos) é o tema central das narrativas e a força motriz dos seus anti-heróis.
Na verdade, poucos são os realizadores cuja obra é protagonizada por heróis trágicos. Luz-sombra, felicidade-tristeza, saúde-doença, paz-guerra, amor-morte constituem a essência dos filmes, certamente eternos e nunca datados, de um film-maker singular, que tem em "Hereafter" uma das suas obras maiores.

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