
A história do cinema está repleta de filmes que reflectem sobre o sistema judicial, sobretudo em sociedades democráticas, que teriam à partida todas as condições para fazerem cumprir as leis com justiça e equidade. O dispositivo de "Um Cidadão Exemplar" é semelhante a muitos outros thrillers americanos, com a diferença crucial de que nesta fita o (anti)herói está preso. Vejamos:
Clyde Shelton é um cidadão exemplar que vê a sua mulher e filha serem brutalmente assassinadas. Dez anos depois, o principal responsável pelos homicídios é encontrado morto e Shelton admite friamente que é o culpado. Mas faz um aviso ao advogado que há uma década atrás não o defendeu como devia: ou contribui para compor o sistema de justiça que falhou em relação aos assassinos da sua família, ou as pessoas importantes ligadas ao seu processo morrerão.
O filme joga de forma interessante com o estatuto de ambiguidade do protagonista, ao colocar um homem injustiçado como o vilão da história, procurando deixar o espectador numa corda bamba emocional (quem deveremos apoiar: o "cidadão exemplar" do título ou o advogado que não o defendeu como devia?). F. Gary Gray realiza aqui uma película competente, recuperando o talento de artesão ao serviço da indústria cinematográfica de Hollywood que havia revelado com "O Negociador" (1998). Não é um filme tão intenso e bigger than life quanto "...E Justiça Para Todos", de Norman Jewison (até porque Gerard Butler e Jamie Foxx estão longe da classe de Al Pacino), mas - e o termo parece repetir-se nos últimos filmes aqui analisados - entretém. Nos dias que correm, isso já não é mau!
Trailer de "Um Cidadão Exemplar", de F. Gary Gray
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