sábado, 19 de março de 2011

"A Rede Social" - tese sociológica de David Fincher

David Fincher é um cineasta cuja linha autorística se aproxima da corrente estética iniciada por Stanley Kubrick ("Nascido Para Matar" ou "De Olhos Bem Fechados") e prosseguida por Christopher Nolan ("Memento" ou "A Origem"). Na verdade, desde "Seven", passando por "Clube de Combate" e "Zodiac", David Fincher tem construído um cinema hermético, cerebral, filosófico e, sobretudo, de elevado interesse sociológico. Ora, é essencialmente enquanto tratado sociológico que "A Rede Social" deve ser analisado. De facto, trata-se de um filme elaborado com precisão geométrica que, partindo de um argumento depurado e rigoroso, entra pelos personagens adentro sem qualquer floreado ou comiseração. São os paradigmas da geração da primeira década do século XX que protagonizam esta história baseada na criação do Facebook (com Mark Zuckerberg à cabeceira). Gente criativa, mas pragmática, com critérios morais ambíguos e indiferentes a causas nobres ou valores éticos. No fundo, são uma espécie de renascimento da geração yuppie que marcou os anos 80 do século passado e que tão bem retratada foi nas obras de Brest Easton Ellis. 

Apesar das excelentes interpretações dos actores (sobretudo de Jesse Eisenberg) e de uma montagem prodigiosa (o fantasma do "Citizen Kane" de Orson Welles também passa por aqui), não estamos perante a obra-prima que grande parte da crítica elevou, mas antes perante um objecto cinematográfico singular a que o tempo permitirá uma leitura mais objectiva.

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