Hoje, pelas 22h, o GAEDE apresentará um excerto de "Civilização", o seu novo espectáculo. Não será ainda a versão definitiva do trabalho, tal como o apresentaremos nos dias 1 e 2 de Abril no Rivoli, mas será uma boa amostra da peça que estamos a ultimar.
O CALE-se 5 é um Festival Internacional de Teatro que decorre na Associação Recreativa de Canidelo (Rua do Meiral, 51 - junto ao Cruzamento dos 4 Caminhos), em Vila Nova de Gaia.
"Civilização" é uma parábola política que reflecte sobre a dialéctica ditadura - revolução - democracia.
Num circo chamado “Civilização”, um palhaço apresenta o maior espectáculo do mundo. Os artistas são pessoas comuns, que lutam pela sobrevivência numa existência marcada pela rotina de um quotidiano absurdo e alienante. Caminham na passarela da vida, assumindo a pose de manequins falsos que caminham altivamente.
O sorriso vazio cessa ao grito de ordem do general em movimentos rígidos e coordenados. Um Messias é elevado, e logo pousado, antevendo-se o ciclo que se segue. Rotina – movimentos repetitivos, indiferença, alienação, tristeza, angústia, prisão. Os guardas controlam todos os movimentos e nada escapa ao grande olho do big brother. A criança, ainda colorida, destaca-se do ciclo e observa os fios esquecidos da marioneta messiânica. Brinca com ela, espicaça-a e, por fim, abre-lhe a consciência. O despertado sente a sua existência e verifica que vive agrilhoado, por trás de um muro. Ergue a sua voz e a sua força contra ele, tenta em vão destruí-lo, perante os olhares perplexos dos outros seres, apáticos, adormecidos. A guarda é chamada a actuar. O Messias é crucificado. Mas outros o seguirão, e o corpo crucificado do mártir desperta mais consciências, que formam um motim. O Messias é libertado. Dois anjos descem para o envolver em carícias, calor materno, útero renovado. A criança desperta-o novamente. As pessoas aproximam-se, prostram-se à sua imagem renascida. O déspota destituído vem oferecer oficialmente o seu lugar. Com relutância, o Messias vestiu a farda de líder. É elevado, é reconhecido. A criança adormeceu também, o grande chefe procura os seus fios. Dançam livres, ou puxados? A farda tomou a pele do Messias. Ele é agora um grande ditador: “Dispersem, trabalhem!”. Vida quotidiana. Cansaço ao extremo, desistência, desfalecem as almas. Mas eis que das cinzas do quotidiano se ergue novamente a criança que, agora renascida, segura cuidadosamente nas mãos uma flor e, com ela, desperta a humanidade e reconstrói a ideia de civilização.
Apareçam!

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