domingo, 23 de agosto de 2015

"Maggie" - Schwarzie por Henry Hobson

Construa-se um guião às três pancadas, sob o pretexto de contar uma história de zombies em tom de drama familiar, ético e intimista. Peça-se a Arnold Shwarzenegger que deixe crescer a barba, que esconda os músculos e que chore. Assim nasce Maggie, um filme em surdina, aparentemente delicado e com uma estética indie, que coloca a câmara sempre próxima dos atores, de modo a lembrar o espetador que se trata de um filme de personagens - e não um filme de ação - e para disfarçar a precariedade dos meios necessários para dar credibilidade a uma fita de ficção científica que se pretende séria, dramática e avessa a ironia, humor ou cinismo. Em boa verdade, o argumento limita-se a encher chouriços para disfarçar a ausência de ideias. Há até cenas que roçam o ridículo (o romance entre os dois adolescentes em fase de lenta transformação em zombies é confrangedor). De resto, nada que a série televisiva The Walking Dead já não tenha feito com melhores resultados.

Não há uma única ideia de cinema por aqui, nem basta humanizar Schwarzie para fazer dele um ator (ele que até já demonstrou maior versatilidade em obras de Reitman e McTiernan). Tivesse Maggie a mão sábia de Clint Eastwood e poderíamos ter ficado com um melodrama ético, comovente e profundo.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...