Paul Schrader é, sobretudo, reconhecido como argumentista de alguns dos filmes mais icónicos de Martin Scorsese (Taxi Driver, O Touro Enraivecido, A Última Tentação de Cristo e Por Um Fio), embora, em boa verdade, tenha mantido uma das carreiras mais regulares (e singulares!) do cinema independente norte-americano dos últimos 40 anos. Para citar apenas dois exemplos, foi ele quem realizou American Gigolo (1980) e A Felina (1982).
Como Cães Selvagens é o seu penúltimo filme (até à data) e nele volta a trabalhar com dois dos seus atores-fetiche: Nicolas Cage e Willem Dafoe, que aqui desempenham os papéis de Troy e Mad Dog, dois ex-presidiários que, unindo esforços com um terceiro compincha, de nome Diesel (um fabuloso Christopher Matthew Cook), decidem aceitar um último contrato de um mafioso (interpretado pelo próprio Schrader), esperando desse modo mudar as suas vidas e abandonar o mundo do crime. Mas nada corre da forma esperada e a tragédia abate-se sobre os três criminosos. Ou não fosse esta uma obra de Schrader.
Como Cães Selvagens é uma comédia nigérrima, que adapta uma novela de Edward Bunker (ele próprio com um historial de crimes e prisões) e que se assume como uma divertida homenagem ao grande Humphrey Bogart, ator clássico que, no seu tempo, também desempenhou papéis de pequenos criminosos caídos em desgraça.
Não é um dos melhores filmes de Paul Schrader, mas regista, ainda assim, as suas principais marcas autorais. O que significa que quem escolher ver esta fita sem saber ao que vai (por exemplo, achando que é mais um filme de ação com Nicolas Cage) ficará desorientado e dececionado. Salvo as devidas diferenças, é como assistir, por acaso, a películas de David Lynch ou Terry Gilliam.

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