Facto: Phil Joanou foi um dos realizadores-sensação surgidos no final da década de 80 do século XX. A corroborá-lo estão aí, para a posteridade, os filmes U2: Rattle And Hum (1988), Anjos Caídos (1990) e Desejos Finais (1992). O primeiro é uma brilhante lição sobre como o documentário pode ser grande cinema; o segundo é um policial como todos os policiais deveriam ser; o último é um thriller psicanalítico digno da ousadia estética de Hitchcock.
Todavia, a partir daí, Joanou, apesar de continuar a assinar filmes, eclipsou-se, transformando-se num tarefeiro de terceira categoria.
O seu último filme, A Seita (2016), pretende ser uma película de terror e, em boa verdade, parte de uma premissa interessante e que daria o mote para uma obra digna do melhor daquele género: em 1984, uma seita religiosa liderada por um psicopata, que se afirma extraterrestre, comete suicídio coletivo; 30 anos mais tarde, uma equipa de documentaristas regressa ao local do crime, acompanhada pela única sobrevivente. Contudo, este ponto de partida é completamente desperdiçado pelo vazio de ideias, quer do argumento quer da realização televisiva até à medula. Sobra, portanto, um filme inútil.

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