"Bully", o controverso documentário de Lee Hirsch a Alicia Dwyer, vai chegar às salas norte-americanas sem classificação etária. É um braço de ferro travado entre Harvey Weinstein (produtor do filme) e elementos da Classification and Ratings Administration (uma espécie de IGAC made in USA), uma vez que o prestigiado produtor de Hollywood pretende que "Bully" possa ser visto por todos os adolescentes, nos cinemas e nas escolas. No entanto, a decisão de Weinstein - recorde-se: trata-se de poder exibir o filme sem classificação etária - pode conduzir à catástrofe comercial da película, uma vez que desse modo não pode ser vista por menores de 17 anos sem a companhia de adultos. O problema reside no uso da palavra "fuck", que viola as regras sobre linguagem para filmes com classificação PG-13 (qualquer coisa como: interdito a menores de 13 anos).
É impressionante como a indústria de Hollywood parece alimentar-se da e alimentar a violência e a indústria de armamento, já que são tantos os filmes que vivem da fotogenia da violência, a maioria deles dirigidos ao público adolescente. No fundo, basta, como em muitas fitas de ação de super-heróis, suprimir a palavra "fuck" para termos uma classificação etária que permite a crianças e adolescentes entrar na sala de cinema sem a companhia dos pais, mas quando se trata de usar a polémica palavra num contexto vivencial, tristemente real para muitos menores, tal ocorrência torna-se uma ofensa à moral e aos bons costumes.
É impressionante como os membros das agências que regulam a classificação etária de produtos culturais conseguem analisar qualquer obra com a mesma frieza e distanciamento das pessoas e dos problemas reais que os inspetores das finanças. O problema do bullying nas escolas é - já o sabemos há muitos anos - global, bem grave e a sua análise é de elevado interesse sociológico. E não se resolve a olhar para o lado.
Trailer de "Bully", de Lee Hirsch e Alicia Dwyer

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