Reshma Begum, 18 anos, foi salva ao fim de 17 dias sob os escombros do edifício Rana Plaza, onde trabalhava como costureira por 1 euro ao dia. O prédio ruiu no dia 24 de abril, em Savar, na periferia de Daca, capital do Bangladesh, e causou a morte a mais de 1.100 pessoas. O proprietário, Mohammed Sohel Rana, foi preso quando tentava fugir, acusado da má construção do edifício, onde funcionava a sua fábrica têxtil que trabalhava para a empresa irlandesa Primark. Quando já não havia esperança de encontrar sobreviventes (o último fora descoberto quatro dias depois da tragédia), as equipas de salvamento ouviram gritos sob o entulho: eram de Reshma. Esta jovem torna-se tristemente o rosto universal da perpetuação de novas formas de escravatura, aquelas que Marx sinalizava como exploração do homem pelo homem. E nós, continuamos cegos na febre do consumismo urbano a deliciarmo-nos com farrapos que, por serem baratos, compramos desafogadamente para pendurarmos no armário.

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