William Gladstone é responsável por um dos romances mais originais editados já neste século. "Os Doze" é a obra a que me refiro. O livro narra a história de Max que, ao longo de cerca de sessenta anos da sua vida, é literalmente lançado pelo destino numa viagem à descoberta do segredo por detrás da antiga profecia Maia sobre o final dos tempos (previsto para 21 de Dezembro de 2012).
Aparentemente, esta sinopse evidencia um material narrativo susceptível de resvalar para uma série de reflexões superficiais e pseudo-filosóficas, típicas de tanta literatura esotérica (com Paulo Coelho à cabeceira). Todavia, em "Os Doze", Gladstone consegue a proeza de criar uma aventura literária invulgar, combinando elementos do thriller (sobretudo, na relação de Max com o seu irmão), do romance iniciático (há qualquer coisa em Max que tem a ver com o herói de "O Fio da Navalha", de Somerset Maugham*) e até de alguma (boa) literatura esotérica (Eckhart Tolle, por exemplo) de forma harmónica e prendendo o leitor da primeira à última página.
Além disso, há no romance em análise uma simples, mas profunda reflexão filosófica que procura, uma vez mais, dar um sentido metafísico à existência da humanidade. O segredo acaba por residir na nossa capacidade de amar o próximo, elevando finalmente cada homem e mulher a uma consciência cósmica universal.

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