quarta-feira, 30 de maio de 2012

Manual do parolo que finge estar realmente preocupado com o estado da nação (1)

"Se o Governo puser em causa o Serviço Nacional de Saúde, estou disponível para ir para a rua na frente de uma manifestação."
António José Seguro, TVI, 10/05/12

domingo, 27 de maio de 2012

sábado, 26 de maio de 2012

Banda sonora para a Primavera (15)

Damon Albarn acaba de editar o seu primeiro trabalho a solo. Chama-se Dr. Dee e é um disco lindíssimo, inclassificável, compreendendo-se no contexto do percurso de um compositor sempre à procura de novos horizontes, mediante um intenso e rigoroso trabalho de pesquisa e experimentação. Senão vejamos: Damon Albarn foi líder dos Blur, responsável por um dos projectos musicais mais ousados da década anterior, os Gorillaz, e por entre essas aventuras tem sido incansável no trabalho de divulgação de artistas oriundos do Mali, tendo ainda assumido a liderança do projecto conceptual, The Good, the Bad and the Queen, que, além de Albarn, reúne músicos oriundos de bandas clássicas, como The Clash e The Verve.

Dr. Dee é um álbum conceptual, escrito em formato de opereta, em que se reconhecem elementos de música de câmara e erudita, do canto lírico e, sobretudo, de folk pastoral. É um disco sereno, crepuscular, paisagístico e com alguns momentos de uma beleza arrepiante. Já agora, refira-se que o "Doctor Dee" que dá nome à presente obra foi um alquimista, astrólogo, espião, conselheiro médico e científico da corte inglesa no século XVI. A ouvir com atenção!

Damon Albarn - "O Spirit Animate Us"

quinta-feira, 24 de maio de 2012

"Nunca te deixei partir"




Foi um prazer indescritível construir um trabalho tão intenso e emocionante com os meus alunos, no grupo de teatro que dirijo no Colégio D. Dinis, o GAEDE. Na verdade, o espectáculo "Nunca te deixei partir" foi um sucesso a todos os níveis: de público, pois tivemos três noites com sala cheia no Pequeno Auditório do Rivoli Teatro Municipal, com reacções calorosas e comovidas da plateia, artigos na Visão, Público, Jornal de Notícias e inúmeros sites e rádios locais e nacionais, e com o autor do texto, José Luís Peixoto, a pedir-nos para repor o espectáculo, tendo em conta as solicitações de tantos leitores que não puderam vir ao Porto nos dias 17, 18 e 19 de Maio (estes dois últimos dias tivemos lotação esgotada). Tal sucesso foi possível com muito trabalho, empenho, persistência e dedicação da parte de todos os que se envolveram neste projecto.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

"Nunca te deixei partir" - dias 17, 18 e 19 de Maio no Rivoli, às 21h45


Nos dias 17, 18 e 19 de Maio, às 21h45, o GAEDE apresentará o espetáculo “Nunca te deixei partir”, encenado por mim a partir da obra “Morreste-me” de José Luís Peixoto, no Pequeno Auditório do Teatro Rivoli.
“Nunca te deixei partir” é já o 7º espetáculo do GAEDE. Trata-se do relato comovente e avassalador da morte de quem mais amamos, a descrição do luto e, ao mesmo tempo, uma homenagem sob a forma de memória redentora. Em palco, 17 atores descrevem a dor sentida pelo filho perante a doença e morte do pai. Formalmente, trata-se de um texto contínuo, aqui repartido por vários monólogos e pequenos diálogos. Procura-se celebrar a vida, o amor entre pais e filhos, os laços afetivos mais puros, sólidos e incondicionais.
O elenco da peça é composto por jovens que se dedicam a este projeto em regime de complemento curricular, mas com a entrega dos melhores profissionais aliada à motivação e prazer genuíno de um artista amador.

Bilhetes à venda na bilheteira do Rivoli, em bilheteiraonline.pt, nas lojas FNAC e CTT.
Reserva de bilhetes: 22 339 22 01.



segunda-feira, 14 de maio de 2012

"A Minha Semana Com Marilyn" - um filme perfeito

Nem sempre os biopics resultam cinematograficamente. Quase sempre degeneram em pastelões académicos desprovidos de alma. Simon Curtis conseguiu a proeza de criar uma película com classe, digna de figurar em qualquer lista dos melhores filmes de 2012. 

O filme adapta as memórias de Colin Clark, que em 1956, com apenas 23 anos, trabalhou como terceiro assistente de realização de Lawrence Olivier, durante a atribulada rodagem do clássico "O Príncipe e a Corista". Aquele jovem acaba por criar uma relação de intimidade com Marilyn Monroe, a maior estrela de cinema de sempre que, afinal, só queria ser reconhecida como atriz maior. 

A realização, já aqui se disse, é soberba, mas o principal trunfo encontra-se, sobretudo, nas fabulosas interpretações de Michelle Williams, que aqui encarna uma Marilyn de carne e osso (fugindo à mera figuração do ícone), e Kenneth Branagh, num hilariante e desmitificado Sir Lawrence Olivier (e há quanto tempo não o víamos assim, num papel maior que a vida?).

Trailer de "A Minha Semana Com Marilyn"

terça-feira, 8 de maio de 2012

"O Diário a Rum" - homenagem a Hunter S. Thompson

Hunter S. Thompson (1937-2005) foi um dos mais influentes e originais jornalistas e escritores norte-americanos. Escreveu o romance "O Diário a Rum" quando tinha apenas 22 anos, tornando-se rapidamente um livro de culto. Johnny Depp era seu amigo e, em 1998, já tinha protagonizado uma adaptação para celulóide de um livro de Thompson ("Delírio em Las Vegas", de Terry Gilliam). No ano passado, Bruce Robinson assinou uma sentida homenagem a Thompson, adaptando "O Diário a Rum" ao grande ecrã. Neste filme, Depp é novamente o alter-ego do escritor, agora numa representação bem mais contida e sóbria do que na película realizada por Gilliam. O filme diverte e prende o espectador a este conto moral situado no cenário paradisíaco de Porto Rico e movido a álcool, gasolina e drogas. Não sendo um filme obrigatório, o seu visionamento recomenda-se a cinéfilos e fãs do malogrado autor!

Trailer de "O Diário a Rum"

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Banda sonora para a primavera (14)

Leonard Cohen é um dos meus poetas de eleição. É também um dos meus cantautores recorrentes, em todas as estações do ano e estados de alma. Aos 77 anos, acaba de lançar o seu melhor disco desde "Ten New Songs" (2001). Composto por dez canções de uma harmonia e simplicidade desarmantes, "Old Ideas" é o corolário de uma obra inigualável na história da música popular. Ouça-se "Going Home", "Crazy To Love You" ou "Come Healing" e respire-se doses de poesia e melodia superlativas. Quase octogenário, Leonard Cohen continua um músico jovem, agora com a possibilidade de olhar a vida, a morte, o amor e o sexo com a maturidade própria de quem viveu o universo e caminha sabiamente para a aurora de um novo dia.

Leonard Cohen - "Come Healing"


domingo, 6 de maio de 2012

MÃE



O universo começou contigo
A Natureza inclina-se à tua passagem
Em ti encontro o meu porto de abrigo
É um privilégio ter sido feito à tua imagem.

Gosto de adormecer com o som meigo da tua voz
E o toque suave das tuas mãos no meu rosto
Aprendi contigo a importância de sermos “nós”
No Amor e na Paz – é a Família, tal como é suposto.

domingo, 29 de abril de 2012

Legendar o silêncio icónico (17) - Primavera Árabe, outra vez

A Praça Tahrir, motor da Primavera Árabe, encheu-se outra vez de milhares de egípcios nas suas orações muçulmanas. Os fiéis aproveitaram para exigir que o poder passe para os civis e que membros do regime de Mubarak sejam impedidos de se candidatarem. É caso para perguntar: devemos temer mais os caciques de Mubarak ou um Egito governado por religiosos islâmicos?

quinta-feira, 19 de abril de 2012

"A Guerra dos Tronos"

George R. R. Martin é responsável por uma impressionante e majestosa saga épica construída em mais de uma dezena de livros, agora adaptados ao formato de uma fabulosa série televisiva que já vai na segunda temporada. Combinando com sageza elementos históricos medievais com a criação de uma geografia e uma cosmogonia alternativas, o tom é sombrio, mais denso, imprevisível e adulto que a maioria das histórias de fantasia. A primeira temporada já está disponível numa interessante edição em DVD. Obrigatório!

Trailer de "A Guerra dos Tronos" (1ª Temporada)

sábado, 7 de abril de 2012

O "mercador da morte" foi condenado - uma boa má notícia

O comerciante de armas sem escrúpulos que inspirou o personagem de Nicolas Cage no filme "O Senhor da Guerra", realizado por Andrew Niccol em 2005, foi condenado a 25 anos de prisão por um tribunal de Nova Iorque. É uma boa notícia, porque o facínora não poderá andar em liberdade nas próximas duas décadas e meia, mas, por outro lado, é uma pena demasiado leve para quem colaborou com assassinos como Charles Taylor, o antigo Presidente da Libéria que está a ser julgado no Tribunal Penal Internacional. Os governantes russos é que não estão nada contentes, já que o agora condenado, também conhecido como o "mercador da morte", é um antigo agente soviético que terá começado o seu próspero negócio de armas usando aviões militares deixados ao abandono nas pistas de aeroportos do velho império da URSS.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Legendar o silêncio icónico (16) - indiferença

26 de Março de 2012: Durante a visita de Hu Jintao a Nova Deli, um jovem tibetano pegou fogo às roupas em protesto contra a ocupação do seu país pela China. Para além da dor estampada no rosto da vítima, fere-nos constatar a indiferença daqueles por quem ela passa. Há até quem tire fotografias para mais tarde recordar...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

"Bully" - documentário obrigatório sobre vítimas de bullying

"Bully", o controverso documentário de Lee Hirsch a Alicia Dwyer, vai chegar às salas norte-americanas sem classificação etária. É um braço de ferro travado entre Harvey Weinstein (produtor do filme) e elementos da Classification and Ratings Administration (uma espécie de IGAC made in USA), uma vez que o prestigiado produtor de Hollywood pretende que "Bully" possa ser visto por todos os adolescentes, nos cinemas e nas escolas. No entanto, a decisão de Weinstein - recorde-se: trata-se de poder exibir o filme sem classificação etária - pode conduzir à catástrofe comercial da película, uma vez que desse modo não pode ser vista por menores de 17 anos sem a companhia de adultos. O problema reside no uso da palavra "fuck", que viola as regras sobre linguagem para filmes com classificação PG-13 (qualquer coisa como: interdito a menores de 13 anos). 

É impressionante como a indústria de Hollywood parece alimentar-se da e alimentar a violência e a indústria de armamento, já que são tantos os filmes que vivem da fotogenia da violência, a maioria deles dirigidos ao público adolescente. No fundo, basta, como em muitas fitas de ação de super-heróis, suprimir a palavra "fuck" para termos uma classificação etária que permite a crianças e adolescentes entrar na sala de cinema sem a companhia dos pais, mas quando se trata de usar a polémica palavra num contexto vivencial, tristemente real para muitos menores, tal ocorrência torna-se uma ofensa à moral e aos bons costumes. 

É impressionante como os membros das agências que regulam a classificação etária de produtos culturais conseguem analisar qualquer obra com a mesma frieza e distanciamento das pessoas e dos problemas reais que os inspetores das finanças. O problema do bullying nas escolas é - já o sabemos há muitos anos - global, bem grave e a sua análise é de elevado interesse sociológico. E não se resolve a olhar para o lado.

Trailer de "Bully", de Lee Hirsch e Alicia Dwyer

sexta-feira, 30 de março de 2012

"Os Descendentes" - a família, segundo Alexander Payne

"Os Descendentes", película assinada por Alexander Payne, é mais uma incursão deste realizador pelo universo dos afetos, acrescentando à sua interessante filmografia humanista uma espécie de tratado sobre a família e as diferenças geracionais.

A ação do filme decorre na insólita paisagem hawaiana, raramente associada à geografia emocional mas aqui a fazer um interessante contraponto trágico-cómico ao drama vivido por uma homem de meia-idade que, devido à mulher se encontrar em coma e às portas da morte, se vê subitamente na necessidade de se reaproximar das filhas.

Alexander Payne consegue sabiamente evitar os lugares-comuns e as armadilhas do melodrama delicodoce, encontrando um registo que não deixando de se aproximar dos personagens dá-lhes a liberdade suficiente para se moverem no território imprevisível que é, afinal, a vida. Dos protagonistas e da nossa!

Uma breve nota para a subtil interpretação de George Clooney, que aqui se revela, cada vez mais, um ator de corpo inteiro.

Trailer de "Os Descendentes", de Alexander Payne

Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...