Giuseppe Tornatore é um dos maiores cineastas contemporâneos. Ponto. Tem sido injustamente tratado por críticos de cinema que insistem em comparar todos os seus filmes com a obra-prima que assinou em 1988, "Cinema Paraíso". Veja-se, por exemplo, "A Desaparecida", película de 2006 e a última a ter estreado em salas nacionais. Trata-se de um exercício de suspense filmado com uma mestria só comparável a cineastas como Hitchcock e De Palma. Ao mesmo tempo, funciona como retrato cruel do tráfico e escravatura sexual de mulheres oriundas da Europa de Leste.
"A Desaparecida" narra a história de Irena, uma emigrante ucraniana que se aproxima de uma família italiana rica, de modo a recuperar a sua filha. No entanto, o seu passado como prostituta continua a persegui-la e a amaeaçar a sua (nova) vida. O filme está construído como se de peças de um puzzle se tratasse, com um ritmo feérico e vertiginoso, funcionando como um soberbo exercício de estilo. Não é a repetição de "Cinema Paraíso" - e ainda bem! É antes o crescimento natural de um grande film maker italiano que procura permanentemente inovar e experimentar um registo diferente.
Uma nota final para a electrizante banda sonora do sempre sublime Ennio Morricone.
Trailer de "A Desconhecida", de Giuseppe Tornatore

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