Woody Allen está para a Sétima Arte como Hergé para a Nona. Daí que qualquer novo filme do realizador norte-americano, ainda que menor comparativamente aos seus grandes clássicos (com "Annie Hall" à cabeceira), seja sempre um acontecimento cultural merecedor de figurar nas capas de diários ou revistas mais exigentes. Os seus livros são também bem conhecidos, relembrando-se aqui a edição da sua "Prosa Completa" pela Gradiva, livro que reúne as suas 3 bíblias do humor - "Sem Penas", "Para Acabar de Vez Com a Cultura" e "Efeitos Secundários". Li-os aos 17 anos de uma assentada e, de quando em vez, revisito-os para me lembrar que não devemos levar a História, a Arte, a Ciência, a evolução, os artistas (e a nós próprios) demasiado a sério.
Vem esta prosa a propósito de três peças de teatro assinadas por Allen reunidas num só livro e publicadas entre nós pela Relógio D'Água. Trata-se de três comédias hilariantes, com um ritmo, cadência, fluidez e naturalidade (ou, se quiserem, espontaneidade) como não encontramos em qualquer outro dramaturgo contemporâneo. Em Portugal, torna-se urgente um autor assim, no cinema e no teatro, capaz de despretensiosamente, mas com classe, inteligência e bom gosto, fazer rir o espectador ao sabor do absurdo existencial vivido por personagens, afinal tão parecidas com cada um de nós.

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