Liu Xiaobo foi, este ano, o vencedor do Prémio Nobel da Paz. Ao ler a notícia, fui transportado para o ano de 1989, mais precisamente para um dia do início do mês de Junho em que combinei com alguns colegas de escola vestirmo-nos de preto em memória e homenagem aos corajosos estudantes chineses que, na Praça de Tiananmen, enfrentaram os tanques do exército vermelho. Começou aí a minha aversão pela incoerência e hipocrisia dos partidos políticos que, à semelhança do que fez na altura o PCP, ignoraram e negaram o massacre em nome de ideais cegos ou das boas relações diplomáticas com a emergente e perigosa potência asiática.
Mas o que interessa agora é contentarmo-nos com a atribuição do Nobel da Paz a Liu Xiaobo, dissidente do regime comunista chinês que cumpre a injusta pena de 11 anos e que já dedicou o prémio às vítimas da Praça de Tiananmen. Nenhum órgão de comunicação social da China mencionou a distinção do seu concidadão e as autoridades de Pequim já se encarregaram de colocar a mulher do laureado em prisão domiciliária.
Onde estão as vozes de Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã? Que posição assumem em relação à forma como o governo chinês respondeu ao anúncio da Academia Sueca?

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