Acabei de ver o clássico "Peeping Tom", de Micahel Powell, fita de uma modernidade impressionante. Na verdade, a ousadia formal do grande cineasta britânico enfia no bolso qualquer thriller contemporâneo. Trata-se de um exercício de estilo assumidamente freudiano sobre o medo e a repressão do desejo sexual, raramente replicado na história do cinema. De facto, poucos foram os cineastas que aprenderam bem a lição de Powell (Scorsese, De Palma e Jonathan Demme contam-se entre os poucos film makers genuinamente herdeiros de "Peeping Tom"). Tristes tempos estes, em que os grandes estúdios não toleram a presença de artistas. Parece que voltámos ao tempo das cavernas. Veja-se a fita e perceba-se porquê.

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