Em 1989, Woody Allen assinou aquele que é, para os críticos mais exigentes, a sua obra maior - "Crimes e Escapadelas". Não alinho nessa posição, uma vez que são muitos os grandes filmes do cineasta norte-americano. No entanto, reconheço a seriedade e amargura com que Woody Allen aborda o tema da consciência moral e religiosa e a forma como cada ser humano se define nas escolhas que realiza. É talvez o filme mais assumidamente filosófico e pessimista do realizador, com referências que vão da matriz judaico-cristã ao existencialismo de Sartre e Camus, passando ainda pelo "Crime e Castigo" de Dostoievski. Quase duas décadas depois, Allen assinaria outra reflexão moral, mudando o cenário de Nova Iorque para Londres, em "Matchpoint", espécie de revisão da matéria dada, adaptando-a a um novo século.

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