Entrou no café, pensativo. Não fosse o estabelecimento chamar-se O Pensador e José Lucas sentir-se-ia um estranho. Estrangeiro. Alienado. Estranho estrangeiro alienado. Em boa verdade, também ali ninguém ousava pensar.
(Até n' O Pensador!)
Sentou-se. Pediu um café. Acendeu um cigarro. Na televisão um par de apresentadores, histéricos, discutiam com um psicólogo os motivos de um crime passional ocorrido no Seixal. O empregado serviu-lhe o café.
(Pode levar o pacote de açucar.)
Com a pequena colher, mexeu o café, hábito que adquirira dos tempos em que costumava pôr um pouco de açucar.
Lá fora, começou a chover.
Lá fora, começou a chover.

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