terça-feira, 28 de julho de 2015

So long, Ornette Coleman!

Ornette Coleman faleceu no dia 11 de junho, em Nova Iorque, aos 85 anos, de paragem cardíaca. A grande maioria dos obituários que lhe foram dedicados na imprensa americana não lhe chamou músico de jazz, preferindo nomes mais ousados, como "inovador", "disruptor", "revolucionário" ou "mestre". Isto porque, se a música é uma linguagem com uma gramática própria, Ornette Coleman quebrou de forma vívida e convicta algumas regras dessa gramática, construíndo, ao longo da carreira, novas estéticas no jazz. 

Em 2001, esteve no Barbican Centre, em Londres, para um espetáculo, levando consigo um elenco de rappers, bailarinos, cantores de ópera e músicos tradicionais chineses. Mas ninguém estranhou. Bem pelo contrário! Coleman, que nasceu em 1930, lutara a vida inteira por passar a ideia de que não há fronteiras na música, desde que seja boa. Era a sua marca pessoal.

Este singular saxofonista estabeleceu-se em Los Angeles e conseguiu editar vários discos desrespeitando as regras clássicas de harmonia e ritmo do jazz. Destacam-se os álbuns The Shape of Jazz to Come, Change of the Century e Free Jazz. John Coltrane afirmou em 1961 que os apenas 12 minutos em que tinha estado em palco a tocar com Coleman constituíram "o momento mais intenso" da sua vida. Eclético, Ornette Coleman chegou a gravar com músicos tão díspares como Lou Reed, Yoko Ono e Pat Metheny. Em 2007, recebeu o Prémio Pulitzer com o histórico álbum Sound Grammar e um Grammy pela carreira.


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