Em 2015, Nick Cave perdeu um filho. Chamava-se Arthur, tinha 15 anos e morreu num brutal e inesperado acidente (caiu de uma ravina). Skeleton Tree foi composto e gravado durante o processo de luto, um luto sempre inacabado para pais que perderam um filho. A música que resulta desse período é uma viagem ao reino de Jesus Cristo, que tem como ponto de partida o inferno. Poemas metafísicos, pautas celestiais e voz sofrida. É como se o artista australiano vestisse a pele de Orfeu e embarcasse numa viagem sónica rumo às profundezas do Hades, não para resgatar Eurídice mas para salvar o filho - projeto inacabado de si próprio.
Cave imagina quem o filho poderia ter sido se chegasse à velhice ou voltasse a nascer. Renasce Lázaro. Regressa Arthur.

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