Porto, 14 de Junho de 2009
Decidi hoje - e apenas hoje - render-me à blogosfera.
Resisti durante muito tempo àquilo que me parecia ser a satisfação do egocentrismo de muitas mentes vazias que, à força de quererem ser ouvidas, chamavam aqui a atenção do mundo para a sua existência. O velho, antiguinho, diário que guardávamos a sete chaves com medo que alguém lesse era agora substituído pela transparência electrónica, numa espécie de "big brother" auto-inflingido. Claro que muitos bloggers escondem-se em falsas identidades, permitindo-se assim a liberdade de ajuízar, assertar, criticar quem e o que bem lhes aprouver. Mas o desejo - muitas vezes inconfessado - de ser lido pelo mundo, quase sempre, impera.
Passando agora às evidentes vantagens deste poderosíssimo meio de comunicação, reconheço a revolução da blogosfera, talvez uma das maiores mudanças introduzidas pela internet no mundo. Expressar livremente a nossa opinião. A defesa genuína de ideias. A profusão desagrilhoada de pontos de vista e filosofias, em Portugal ou no Japão, transmutou as relações interpessoais, sociais, culturais, políticas, enfim internacionais. A bloggosfera tornou-se também um verdadeiro veículo de informação, em muitos casos mais importante que a imprensa, a televisão e a rádio, pois que liberta de constrangimentos, lobbys e pressões do poder político, religioso e/ou económico.
E, pronto! Caí no mesmo erro que criticara no início desta prosa. Veicular opiniões já mais vistas e revistas por tantos seres pensantes, como se algo de novo estivesse eu a comunicar.
Mas aqui vai o motivo principal da minha recente e tardia rendição a este universo: o prazer da partilha. Ideias, opiniões, gostos, prazeres, fruições, sensibilidades, rotinas serão aqui registadas. Para quem quiser... Ponto final parágrafo.
Boas!
ResponderEliminarAntes de mais, gostava de dizer que o nome escolhido para o blog está realmente muito bom!
Indo ao que interessa, o prefácio está excelente e nao podia ter começado de melhor maneira. De facto, toda uma imensidade de conteúdo na internet remete-nos para "abrir e fechar páginas" ou "apreciar a estetica das mesmas". Por outras palavras, observamos a capa e encostamos para o lado e isto porque " o egocentrismo de muitas mentes vazias que, à força de quererem ser ouvidas" sentiram "o desejo - muitas vezes inconfessado - de ser lido pelo mundo". Os blogs, evidentemente, são uma fonte deste mundo virtual onde esta realidade "protagonista" nao foge. É neste sentido que é necessário promover a criação dos mesmos, aplicando as vantagens que ele nos dá e revelar ao mundo, as mais variadas coisas que, extensas em conteúdo, trazem "Ideias, opiniões, gostos, prazeres, fruições, sensibilidades", "Para quem quiser..." mantendo assim o principal motivo da criação do blog vivo, ou seja, a partilha!
Força com o blog!
Um abraço,
Hugo
Caríssimo,
ResponderEliminarFico contente por teres ultrapassado a hesitação inicial - tu és um excelente comunicador, muito me apraz ouvir, e agora ler, as tuas reflexões. Sendo verdade que há imensos veículos de transmissão de informações, talvez nunca sejam demais os espaços de discussão e partilha de ideias. E já que o nosso dia a dia não nos permite reservar muitos tempos de conversa "ao vivo e a cores", porque não aproveitar os blogs numa perspectiva tertuliana?
Força!
Bjs,
Daniela Cunha