sábado, 24 de setembro de 2011

"Millenium 2 - A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo" - um filme dececionante

Infelizmente, o segundo romance da série "MIllenium", criada pelo malogrado Stieg Larsson, não teve uma adaptação cinematográfica à altura. Na verdade, ao contrário do que aconteceu com "Os homens que odeiam as mulheres" (ler post de 25 de Setembro de 2010), "A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo" parece não ter encontrado um realizador capaz de adaptar a obra sem esquecer os milhares de leitores que leram e ficaram fascinados com as cerca de 700 páginas do livro. 

Sabemos que seria tarefa árdua construir um filme coeso a partir do segundo tomo, já que este é mais difícil que o primeiro, tendo em conta que, ao contrário do anterior, não há simplesmente um mistério por desvendar, cujo desenlace o leitor só descobre lá mais para o fim da obra. A narrativa de "Millenium 2" (ler post de 21 de Janeiro de 2010) tem um estilo mais jornalístico e denso, repleto de personagens complexos e uma narrativa que viaja por um sem-número de problemas do mundo contemporâneo (entre eles, o poder de manipulação dos mass media, o tráfico de mulheres na Europa, o vazio retórico das democracias ocidentais, o discurso, por vezes perigoso, das ciências comportamentais, o modo como a tecnologia alterou a nossa perceção do real), que o cineasta Daniel Alfredson está longe de ter conseguido transpor para o grande ecrã. 

Uma triste deceção!

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