Há um disco que não sai da minha aparelhagem há já duas semanas: chama-se "Liquid Spirit" e traz a assinatura de Gregory Porter, talvez a mais profunda voz do jazz surgida no século XXI. Descobri este artista num concerto transmitido no canal Mezzo. Fiquei imediatamente hipnotizado pelo canto natural e pela simpatia de Porter. De grande porte, mas com pose elegante, o músico destaca-se pelo timbre e fraseado singular, por uma voz simultaneamente suave e poderosa, que evoca toda uma tradição de cantores norte-americanos de jazz e soul.
Gregory Porter cresceu na Califórnia mas foi do lado Atlântico do continente americano que nasceu, verdadeiramente, para a música. Na verdade, foi já a viver em Brooklyn que lançou, em 2010, o seu disco de estreia, Water, seguido em 2012 pela obra-prima Be Good. Agora, aos 41 anos, assinou contrato com a editora Blue Note para a edição do terceiro álbum, o espiritual Liquid Spirit. Que não restem dúvidas: Liquid Spirit é mesmo um disco para polir a sensibilidade e elevar a alma. Quem não ouviu ainda Gregory Porter que o faça imediatamente, pois arrisca-se a passar ao lado do futuro do jazz e - mais importante ainda - poderá nunca vir a perceber por que razão a música também pode ser uma experiência religiosa.
Gregory Porter dará esta semana dois concertos em Portugal: dia 9 no CCB e dia 11 na Casa da Música. Que fizemos nós para merecer isto?

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