sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Estado da Nação - Era uma vez um governo que se habituou a chamar idiota a um povo inteiro...

O Orçamento de Estado recentemente apresentado pela troika, perdão, pela atual Ministra das Finanças é um documento vergonhoso, que privilegia os grandes interesses - a banca e as elétricas - em detrimento dos pobres e remediados, que são todos os funcionários públicos com um salário de 600 euros ilíquidos. Um Orçamento que aumenta os gastos de funcionamento do próprio governo em níveis vergonhosos (os gabinetes vão gastar mais 3,3 milhões de euros que em 2012, época em que o primeiro-ministro anunciava que a austeridade começava dentro de portas), enquanto aniquila as pensões de reforma daqueles que nasceram noutros anos de chumbo e se esforçaram por nos entregar um país mais decente - e que agora sustentam os filhos desempregados por causa de uma política económica cega que trava o crescimento, a procura interna e a criação de emprego. O que está em curso é o desmantelamento do país tal como o conhecemos, a reboque de uma experimentação económica comandada por pessoas que não elegemos (embora boa parte do governo em funções se identifique com tal tentativa de implosão, na certeza, claro está, que do alto dos seus cargos - e futuros cargos em grandes empresas - nunca terão de se confrontar com as dificuldades do cidadão comum).
Já se sabia que o pretenso novo ciclo era um embuste retórico, uma vez que havia um compromisso prévio de corte de 4 mil milhões de euros. Afirmar, como os dois líderes dos partidos da coligação no poder, que isto "não é um novo pacote de austeridade", é chamar idiota a um povo inteiro.

1 comentário:

  1. É mais uma machadada governativa da coligação fascista PSD-CDS.

    Depois das eleições em que a direita foi amplamente derrotada e nem lhes valeu o Penta do partido dos submarinos, continuamos a assistir à destruição do Estado Social. Desta vez, o governo de Pol Pot ( desculpem Paulo Portas e Coelho) insiste num estado mínimo e agora nem aqueles que durante anos trabalharam e efetuaram descontos para a segurança social ou caixa geral de aposentações têm direito a receber as pensões de sobrevivência. Esquecem-se que para além destes que são diretamente atingidos, muitos durante os anos que trabalharam recebiam o seu salário sem qualquer comprovativo de que a entidade patronal efetuava realmente os descontos e, neste sentido, muita gente nos dias de hoje, consegue sobreviver precisamente porque alguém lá em casa teve a possibilidade de receber a sua pensão.

    Mais uma vez o governo mentiu e agiu de má fé. Paulo Portas disse que a TSU tinha caído e caiu mesmo, só que agora vão roubar o que os mais necessitados têm direito e que durante anos descontaram, esperando um dia ter a oportunidade de ter uma velhice condigna. É caso para perguntar se daqui por 10 ou 20 anos, teremos ainda estado social, se não iremos ver mais idosos na rua a dormir nas entradas dos estabelecimentos ou nos hospitais esperando que alguém lhes dê uma malga de sopa. Para além disto estes fascios que já deixaram o país na maior miséria possível, esquecem-se que muitos destes pensionistas ainda ajudam os seus familiares mais próximos (filhos, netos, entre outros) pois são vitimas de um desemprego que não poupa ninguém.

    Desta forma, o aumento da miséria e das más condições sociais é por demais evidente e estamos assim num retrocesso social com implicações diretas nas famílias e gerações futuras, pois é certo que os que ainda podem gabar-se de ter emprego, não terão qualquer direito a uma reforma a não ser que façam descontos para o setor privado.

    Como forma de evitar este corte, Paulo Portas e o seu governo poderia vender os submarinos que comprou em tempos e desta feita recuperaria o dinheiro investido, evitando assim ter de ir ao bolso dos pensionistas.

    No entanto, existe algo que me deixa preocupado enquanto "assistente" do que se vai passando no país, que é a falta de fibra do povo português em sair para a rua e protestar, reclamar, partir, queimar ou fazer sei lá mais o quê, para que estes energúmenos vejam que não tem de ser o povo a pagar a fatura das más governações desde o 25 de Abril.

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