Alguém morre e deixa uma pensão de 1000 euros. Desse montante, o cônjuge recebe 60%, ou seja, 600 euros. Um dia, um vice-primeiro-ministro e uma ministra das finanças anunciam que, dada a situação dramática do país, o sobrevivo passa a receber 54%. "Ou seja, estão a dizer-me que vou perder 6%, isto é, 60 euros", pensam os viúvos. Conformados, aceitam. Preparam-se para deixar de comprar o remédio para as varizes, cortam no pão, nas bolachas de água e sal e no café. Chega a pensão no mês seguinte e lá está a verba. Acham que está certa, mas, na verdade, não está. Foram iludidos. Isto porque a conta real é a seguinte: o novo montante da pensão, ou seja, 540 euros, é a base sobre a qual devem ser feitas as contas e significam, na realidade, um corte de 10% no rendimento disponível, que anteriormente era de 600 euros. Se calhar, é ilusionismo retórico. Baralha e volta a dar! A democracia é cara, mas quem disse que a trafulhice é a essência da democracia?

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