Confesso que tenho como guilty pleasure de eleição o gosto pela leitura ávida de alguma literatura mais comercial, invariavelmente romances policiais que, todos os anos, surgem como best seller do verão. Livros nem sempre brandos para tardes solarengas de estio, portanto.
A Rapariga no Comboio é um desses livros que vendem milhares de exemplares e que se anunciam como "o êxito de vendas mais rápido de sempre". A premissa é sedutora: durante as suas viagens de comboio, uma mulher fantasia acerca da vida de um jovem casal que vive próximo de um apeadeiro; ela observa a sua rotina matinal no pequeno terraço da casa onde vivem, até que assiste a uma alteração nessa repetição, que a inquieta: em vez do marido julga ver um amante da jovem. A notícia do desaparecimento da última mulher, leva a protagonista (de espírito cínico, agora caída em desgraça) a tentar deslindar o mistério.
Há no livro sinais do clássico Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock, e do romance Em Parte Incerta, de Gillyan Lynn, mas, no fim, fica a sensação de que Paula Hawkins desperdiçou uma boa história, tal é o vazio de ideias e a pobreza literária do romance. Hitchcock ou Brian de Palma talvez conseguissem transformar A Rapariga no Comboio num bom thriller.

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