Craig Zobel constrói uma parábola futurista centrada na relação entre dois sobreviventes de uma catástrofe nuclear. A aparente paz e vontade de recomeçar e reedificar por parte desta reatualização do mito de Adão e Eva em Éden pós-apocalíptico vai ser perturbada pela chegada de um estranho, que desperta o desejo na mulher e o ciúme e sentido de posse no homem. A partir deste jogo de ambiguidades, onde o que se expõe é muito menos do que aquilo que se esconde, somos conduzidos ao inevitável pecado original e à reposição da normalidade pelo crime.
Qual eterno retorno, a história repete-se: o desejo sexual, a propriedade privada, a desconfiança, a inveja, o egoísmo e o ciúme são confundidos com a proteção do que se ama. Sim. Não de quem se ama, mas das coisas que se amam, daquilo que se ama. Instinto, impulso, pulsão, líbido, desejo, corpo, matéria das paixões, mesmo após a catástrofe da destruição da natureza.

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