Nicholas Ray, Sergio Leone, Alfred Hitchcock e Agatha Christie parecem reunir-se no oitavo filme de Quentin Tarantino. Em boa verdade, Os Oito Odiados constitui a oitava homenagem deste autor às suas influências estéticas e identitárias, depois de já ter feito o mesmo a Scorsese, aos blaxploitation movies, à pulp fiction, aos filmes de guerra, aos westerns e ao cinema de Hong Kong.
Há uma vontade de fazer cinema de recorte clássico, tanto na escolha da película (70mm), como na decisão de estender o filme por três horas com longos planos fixos e dando primazia aos diálogos (à semelhança das outras obras que assinou), bem como na banda sonora de Ennio Morricone (justamente premiada com um Óscar). Depois há as fabulosas interpretações, com destaque evidente para Samuel L. Jackson naquele que é, provavelmente, o melhor desempenho da sua carreira.
Juntando os códigos do western e do thriller, Tarantino cria uma fita de detalhes, em que o misterioso desaparecimento dos proprietários de uma estalagem nas montanhas, durante um inverno rigoroso, é o dispositivo narrativo cujo desenlace, afinal, é um pretexto para a (des)construção de um mito: a carta que Lincoln terá escrito a um escravo foragido durante a Guerra Civil Americana.

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