A partir do romance O Quarto de Jack, de Emma Donoghue (e segundo argumento da mesma autora), Lenny Abrahamson constrói um comovente drama centrado na relação entre uma jovem e o seu filho de cinco anos, que vivem presos num minúsculo quarto cuja única janela para o mundo exterior é uma clarabóia. A mãe mantém o pequeno Jack na ilusão de que aquele quarto é o mundo onde se encontram protegidos de extraterrestres.
Quarto está dividido em duas partes: a primeira corresponde à sinopse apresentada atrás; a segundo descreve a fuga da criança e a adaptação ao novo mundo fora do quarto. Abrahamson consegue manter o equilíbrio com uma realização segura que, respeitando o olhar de uma criança de cinco anos, é tão hábil a filmar o huis clos da primeira parte como na captação do novo ambiente familiar da última parte.
Apesar de algum maniqueísmo emocional (difícil de evitar, tendo em conta a terrível situação em que os protagonistas se encontram), estamos perante um bom filme, fazendo-nos acreditar, desde o primeiro minuto, na vinculação securizante estabelecida entre aquela mãe e o seu filho. Por isso, também nós, espetadores, passamos cerca de uma hora encerrados naquele quarto feito mundo - e esse é o maior mérito da película.

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