sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Porquê a solidão?


Retomemos o ponto de partida: há que saber aceitar a solidão como atitude de vida. Isto não significa que devemos votar os outros à solidão ou aceitar a frieza da indiferença (nossa e dos outros). Há, pois, também que clarificar o que não significa a solidão aqui enaltecida, de modo a podermos demarcar com rigor a solidão desejável e que se deve cultivar do sentido comummente aceite.

A solidão como forma de autoconhecimento e condição necessária para a felicidade não deve ser confundida com: (i) desprezo pelos outros nem como uma forma dissimulada de auto-depreciação, (ii) com insensibilidade pelo sofrimento alheio ou pelo isolamento que resulta daquela postura eticamente reprovável, (iii) com menosprezo ou egoísmo, (iv) e, muito menos, com misantropia.

A solidão que devemos ser capazes de desenvolver interiormente é aquela que predispõe para a contemplação da Beleza (seja uma paisagem natural seja uma obra de arte), para a prática anónima da solidariedade (o altruísmo genuíno dispensa a publicidade para o bem que se faz) e para o autoconhecimento que, por seu turno, enterreira para amar sem barreiras.

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