Postulámos anteriormente
que a solidão é condição indispensável para o autoconhecimento.
Frequentemente, evitamos o isolamento (no sentido
de estarmos connosco próprios) porque tememos não gostar de nos confrontarmos com
os nossos pensamentos. Talvez tenhamos algum receio daquilo que possamos descobrir.
Mas quem somos nós realmente? Quem sou eu
na verdade?
Por isso, enganamo-nos ao considerar que (o
convívio com) os outros são condição suficiente (se não mesmo necessária) para a
nossa felicidade. Procuramos sistematicamente estar com, buscamos o frenesi, ansiamos pelo bulício, apreciamos ruído
e sentimo-nos desconfortáveis quando o silêncio se instala. Estes paraísos artificiais,
ainda que importantes (em proporções moderadas) para o bem-estar individual, funcionam
quase sempre como fugas (uma espécie de escapismo urbano-hedonista) mas (em doses
desproporcionadas) são igualmente obstáculos à introspeção, à predisposição para
a autoanálise.
Em boa verdade, a solidão (acompanhada pelo
silêncio) é fundamental, na medida em que ela é o primeiro alicerce para a auto-observação
que devemos aprender a cultivar.

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